Pergunta
É a última trombeta de 1 Tessalonicenses 4 a mesma que a sétima trombeta do Apocalipse?
Resposta
Aqueles que defendem o rapto na metade da tribulação ensinam que a sétima trombeta do Apocalipse 11:15 é a mesma trombeta mencionada em 1 Coríntios 15:52 e 1 Tessalonicenses 4:16, enquanto os que ensinam o rapto pré-tribulacional afirmam que se tratam de eventos distintos. Mas qual a diferença disso e como podemos descobrir a verdade?
Por que é importante saber se as trombetas são a mesma? Deus nos deu Sua Palavra como a revelação do Seu plano de redenção, o qual abrange desde a criação até a nova criação. Como lemos em Deuteronômio 29:29, “os segredos pertencem ao Senhor nosso Deus; mas o que foi revelado nos pertence, a nós e aos nossos filhos, para que possamos obedecer a todas as palavras desta lei.” Deus escolheu revelar muitas coisas para nós, e é essencial entendê-las para que possamos obedecê-Lo. Nem sempre conseguimos compreender o motivo de Suas ações, mas somos chamados a confiar Nele para os aspectos que não entendemos e a estudar para apreender o restante. Ao analisarmos os textos sobre essas trombetas, percebemos que elas fazem parte de uma cronologia de eventos para os últimos dias, conforme revelado por Deus. Mesmo que não estejamos vivos quando esses eventos ocorrerem, eles nos envolvem, e por isso devemos conhecer o que foi revelado.
O livro do Apocalipse, por vezes, é visto como um livro de mistério, porém o próprio título implica algo tirado do oculto – “a revelação de Jesus Cristo, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer.” Deus quer que saibamos o que acontecerá, para que possamos estar preparados e também para ajudar outros a se arrependerem. A partir do capítulo 6, somos apresentados a um registro cronológico dos acontecimentos dos últimos dias: primeiro, uma série de sete selos; depois, uma série de sete trombetas; e, por fim, uma série de sete taças da ira. Em Apocalipse 11:15, lemos que, ao toque do sétimo anjo, “os reinos deste mundo se tornaram o reino de nosso Senhor e de seu Cristo, e este reinará para todo o sempre.” No contexto, esse toque ocorre cerca da metade do período de tribulação.
Em 1 Coríntios 15, Paulo escreve aos crentes sobre a transição desta vida para a eterna. Nossos corpos mortais serão transformados em corpos imortais e incorruptíveis, preparados para o reino eterno de Deus. O versículo 52 diz: “num instante, num abrir e fechar de olhos, na última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.” Paulo aborda o mesmo tema em 1 Tessalonicenses, conectando-o especificamente ao rapto da igreja: “porque o próprio Senhor descerá do céu com grande alarido, com a voz do arcanjo e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os que estivermos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para encontrar o Senhor nos ares; e assim estaremos para sempre com o Senhor.”
Não há dúvida de que Deus nos revelou esses acontecimentos e deseja que sejamos encorajados e instruídos por eles. A questão é se as trombetas são ou não a mesma. Se forem idênticas, o rapto da igreja ocorrerá no meio da tribulação, e os santos devem estar preparados para enfrentar essas provas. Se forem diferentes, precisamos saber o momento em que a última trombeta soará para estarmos prontos. Para descobrir se são iguais, é necessário comparar os eventos aos quais elas se associam.
Uma análise comparativa mostra que os eventos descritos em 1 Coríntios 15 e 1 Tessalonicenses 4 se encaixam, enquanto os descritos em Apocalipse 11 não apresentam a mesma correlação, nem nos acontecimentos nem nos resultados pretendidos. A conexão entre esses textos depende principalmente do significado da palavra “última” em 1 Coríntios 15:52. A palavra grega “eschatos” pode significar tanto “último em termos de tempo” quanto “último em termos de sequência.” Enquanto a trombeta de 1 Tessalonicenses ocorre num instante, no contexto de Apocalipse a sétima trombeta soa apenas após a chegada da ira de Deus, como ilustrado em outros trechos, e com uma duração que se estende por vários dias. Além disso, mesmo que a sétima trombeta seja a última do Apocalipse, Mateus 24:31 nos indica que há uma outra trombeta que soará “após a tribulação daqueles dias”, associada ao retorno de Cristo, conforme descrito em Apocalipse 19.
Se a “última trombeta” em 1 Coríntios 15 não for a mesma que a sétima trombeta, a que Paulo teria então se referido? Tanto 1 Tessalonicenses quanto 1 Coríntios foram escritos muito antes do Apocalipse, de modo que os leitores de Paulo não teriam conhecimento sobre as sete trombetas descritas por João. Paulo queria que seus leitores compreendessem o que estava sendo ensinado, direcionando sua mensagem à igreja e ao fim da era da igreja com o rapto. Ao longo da Bíblia, as trombetas eram utilizadas para sinalizar reuniões, mobilizar exércitos e como parte do culto a Deus. A trombeta que convoca a igreja é denominada “a trombeta de Deus”, em contraste com as trombetas angelicais do Apocalipse. Para compreender melhor essa trombeta de convocação, podemos recorrer ao Antigo Testamento: em Números 10, são dadas instruções para o uso das trombetas, que serviam para reunir o povo e sinalizar o movimento dos grupos. O primeiro toque convocava os líderes; toques consecutivos serviam de alarme para o povo, e o toque final indicava o movimento do último grupo.
Da mesma forma, 1 Coríntios 15:23 fala de diferentes ordens na ressurreição – Cristo, as primícias, e, depois, os que são de Cristo, na sua vinda –, e 1 Tessalonicenses 4:16–17 divide os de Cristo em dois grupos: os mortos em Cristo e os que permanecem vivos. Assim, se a trombeta é o chamado para que os santos se reúnam e partam para o céu, isso significa que devemos estar sempre preparados, pois Jesus nos lembra que ninguém sabe quando o Dia do Senhor terá início, descrito em 1 Tessalonicenses 5:2 como chegando como um ladrão na noite e sem aviso prévio.
Em 1 Coríntios 15:58 somos exortados a sermos “firmes, inabaláveis, sempre abundantes na obra do Senhor.” Assim como os israelitas que vagavam pelo deserto, não sabemos o momento exato em que a trombeta soará, mas temos informações suficientes para entender que ela pode acontecer a qualquer instante. Por isso, devemos estar preparados, revestindo-nos da armadura de Deus, pois fomos designados para receber a salvação por meio de Jesus Cristo.






