Por que a ideia de condenação eterna é tão repulsiva para muitas pessoas?

Por que a ideia da danação eterna é tão repulsiva para muitas pessoas?

Nos ventos mutantes das culturas modernas, a ideia de tormento e danação eternos é difícil de ser aceita por muitos. Admitimos que o conceito de um inferno eterno não é um pensamento agradável, e a maioria das pessoas preferiria não imaginar a possibilidade de um julgamento interminável por Deus.

Apesar da repulsa que muitos sentem diante da ideia da danação eterna, a Bíblia ensina que o inferno é um lugar real. E não somente Satanás e seus demônios serão punidos nele; todos que rejeitarem Jesus Cristo passarão a eternidade no lago de fogo. Reinterpretar as Escrituras para justificar a inexistência da danação eterna não mudará os fatos, nem rejeitar essa doutrina amenizará suas chamas. Mesmo assim, muitos se sentem repulsos com a ideia de um inferno eterno. A seguir, alguns motivos para essa rejeição:

A influência do pensamento contemporâneo

Em uma era pós-moderna, muitos se empenham para que ninguém fique ofendido, e a doutrina do inferno certamente ofende o homem natural. Frequentemente, essa doutrina é considerada demasiado severa, antiquada ou insensível para ser exposta. A sabedoria deste mundo está focada na vida presente, sem dar atenção à eternidade.

Medo

A perspectiva de uma punição consciente, interminável e sem qualquer esperança é realmente aterrorizante. Muitos preferem ignorar esse temor, ao invés de enfrentá-lo de maneira franca. O fato é que o inferno deveria inspirar medo, visto que é o local de julgamento originalmente destinado ao diabo e aos seus anjos.

Uma visão distorcida do amor de Deus

Muitos que rejeitam a ideia da danação eterna o fazem por não conseguirem acreditar que um Deus amoroso possa condenar as pessoas a um lugar tão horrível por toda a eternidade. Contudo, o amor divino não anula a justiça, a retidão ou a santidade de Deus. Da mesma forma, a justiça divina não diminui o Seu amor. Na verdade, o amor de Deus proporcionou o caminho para escapar da Sua ira: o sacrifício de Jesus Cristo na cruz.

Minimização do pecado

Alguns consideram injusto que o castigo por uma vida inteira de pecados resulte em uma punição eterna. Outros rejeitam a ideia do inferno por acreditarem que o pecado, em si, não seria tão grave a ponto de justificar uma tortura eterna. Muitas vezes, tendemos a minimizar nossos próprios pecados, enquanto julgamos que outros — como assassinos — possam merecer o inferno. Essa atitude revela uma compreensão equivocada da natureza universalmente abominável do pecado, que nos impele a negar a verdade de que “não há ninguém justo, nem um só”. A magnitude da nossa iniquidade levou Cristo a ir até a cruz, pois Deus odiava o pecado de forma absoluta.

Teorias alternativas

Outra razão para a rejeição do conceito de danação eterna é o ensinamento de alternativas. Uma delas é o universalismo, que defende que, ao final, todos alcançarão o céu. Outra é o aniquilacionismo, que admite a existência do inferno, mas nega sua natureza eterna. De acordo com essa teoria, aqueles que terminarem no inferno eventualmente morrerão e deixarão de existir, tornando o inferno uma punição temporária.

Ensino incompleto

Muitos pastores contemporâneos que creem na doutrina do inferno a consideram um tema delicado demais para ser pregado. Essa omissão contribui para que os fiéis desconheçam o que a Bíblia realmente ensina sobre o assunto, tornando-os mais suscetíveis a interpretações enganosas. Parte da responsabilidade de um líder espiritual é defender a fé que foi confiada, e não selecionar de forma arbitrária quais partes das Escrituras serão abordadas.

Manobras de Satanás

A primeira mentira de Satanás foi negar o juízo divino. No Jardim do Éden, a serpente convenceu Eva de que “certamente não morrerias”. Negar a realidade do juízo continua sendo uma das estratégias principais do diabo, que insiste em ofuscar os sentidos dos descrentes e os faz negar os decretos sagrados de Deus. Convencer os não salvos de que não haverá juízo os induz a viver sem preocupação com o futuro.

Se compreendermos a natureza de Deus, não encontraremos dificuldade em aceitar o conceito de inferno. Deus é a Rocha, cujas obras são perfeitas e todos os Seus caminhos são justos. Um Deus fiel, que não comete injustiça, íntegro e justo. Nosso Deus, em Sua perfeita justiça, criou o inferno para isolar o pecado e pôr fim à sua devastação. Sim, Deus é amor e deseja que ninguém pereça, mas Seu amor não existe de forma separada de Seus demais atributos. Não podemos separar a santidade divina do amor sem desvirtuar ambos.

Contrariar o ensino bíblico sobre o inferno equivale, essencialmente, a dizer: “Se eu fosse Deus, não faria o inferno assim”. Esse pensamento é, por natureza, orgulhoso, pois sugere que podemos melhorar o plano divino. Entretanto, não somos mais sábios, nem mais amorosos ou justos do que Deus.

Albert Mohler escreveu: “Existem doutrinas que são especialmente odiosas e repulsivas para a mente moderna e pós-moderna. A doutrina tradicional do inferno como um lugar de punição eterna possui esse escândalo de forma particular. Ela ofende as sensibilidades modernas e causa constrangimento àqueles que se consideram cristãos. Aqueles que Friedrich Schleiermacher chamou de ‘desprezadores cultos da religião’ desprezam especialmente a doutrina do inferno. Como brincou um observador, o inferno deve ter ar condicionado”. A triste ironia é que, ao tentar “ar-condicionar” o inferno, mais pessoas acabam sendo enviadas para lá.

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