O que é a terapia existencial e ela é bíblica?

O que é terapia existencial e ela é bíblica?

As teorias psicológicas geralmente se fundamentam em conceitos filosóficos abrangentes, como o naturalismo ou o humanismo. Essas filosofias subjacentes muitas vezes levam alguns cristãos a rejeitar determinada teoria psicológica. No entanto, uma vez que tais teorias passam por uma correção bíblica, os conselheiros cristãos podem usá-las eficazmente para auxiliar as pessoas. A terapia existencial se destaca justamente por ser mais uma orientação filosófica para a terapia do que uma teoria terapêutica propriamente dita.

Explicação da Teoria Existencial

Viktor Frankl e Rollo May são os principais teóricos da terapia existencial. Frankl perdeu sua família nos campos de concentração nazistas e ele próprio foi prisioneiro em Auschwitz e Dachau. Embora já tivesse começado a formular uma abordagem existencial para a terapia antes de seu encarceramento, Frankl pôs suas ideias à prova ao buscar significado no sofrimento e as teve confirmadas nesse período sombrio. May, que também enfrentou sofrimentos, foi fortemente influenciado por Søren Kierkegaard e Paul Tillich.

A terapia existencial assume a liberdade humana e, por consequência, a responsabilidade pelos próprios atos e escolhas. Assim, os clientes são incentivados a refletir sobre a vida, reconhecendo a importância de suas escolhas e reações enquanto aprendem a exercer a responsabilidade de moldar suas vidas. O significado é o foco principal. O existencialismo propõe que os seres humanos possuem capacidade de autoconsciência; liberdade, que implica responsabilidade; habilidade para criar uma identidade pessoal e estabelecer relações significativas; uma inclinação natural para buscar sentido e propósito, que se refletem na formação de metas e valores; ansiedade; e a consciência da morte ou da finitude. Dessa forma, a terapia existencial busca equilibrar a percepção das limitações e tragédias com a visão das oportunidades e do potencial existente.

A abordagem existencial ajuda os clientes a se tornarem mais conscientes de si mesmos e a interagirem de maneira autêntica com o mundo. Ao perceber que não assumiram a responsabilidade pessoal, são encorajados a viver ativamente e a se reinventar. A terapia também aborda ansiedades que, até então, os clientes evitavam enfrentar. O objetivo dos terapeutas existenciais é proporcionar insights que conduzam à ação. Em vez de simplesmente “consertar” os clientes, esses terapeutas demonstram autenticidade e acompanham cada pessoa em sua própria jornada de vida. Essa abordagem é particularmente útil para aqueles que se encontram em encruzilhadas ou em momentos de mudança na vida, desde que estejam comprometidos com o enfrentamento de seus problemas e interessados em descobrir um sentido profundo para suas existências.

Comentário Bíblico sobre a Teoria Existencial

Søren Kierkegaard, um dos fundadores da filosofia existencial, foi um pensador e escritor cristão. No entanto, outros filósofos existencialistas famosos, como Nietzsche — que acabou afirmando que abraçar a falta de sentido era a única opção —, claramente não se alinham com o pensamento cristão. Assim, embora o existencialismo deixe espaço para Deus, ele também pode ser usado para negar Sua existência.

Dito isso, a visão da condição humana apresentada pela terapia existencial não é contrária à Bíblia. As Escrituras retratam o homem como capaz de autoconsciência, ao nos chamarem a “examinar a nós mesmos” (2 Coríntios 13:5), e os Salmos demonstram essa percepção de si mesmo mesmo em meio às dificuldades. A Bíblia também afirma a liberdade e a responsabilidade humanas, bem como a importância dos relacionamentos. Ela nos fornece significado, propósito, valores e metas, além de abordar nossas ansiedades e contribuir para nossa compreensão sobre a morte.

A terapia existencial, em grande parte, entende os problemas das pessoas como decorrentes da inautenticidade (a negação da liberdade e responsabilidade pessoal) e da ansiedade não resolvida. Os seres humanos estão em busca de sentido e sofrem quando não o encontram. Do ponto de vista bíblico, essa luta humana resulta do pecado, que pode ser interpretado, de certa forma, como uma falha em utilizar a liberdade concedida por Deus de maneira adequada. Contudo, a solução não se resume a aceitar a responsabilidade e usar melhor nossa liberdade; precisamos da salvação contra a morte (conforme indicado em passagens como Efésios 2:1-5 e Romanos 5:6). A Bíblia fala de uma eternidade que está escrita em nossos corações (Eclesiastes 3:11), demonstrando que a busca universal por sentido e propósito só encontra sua verdadeira resposta em Deus (Efésios 2:10).

Há um risco na terapia existencial de se encontrar uma solução equivocada para os problemas do cliente. Desenvolver relacionamentos e descobrir um significado pessoal subjetivo não resolverá as raízes dos problemas. É a descoberta de Deus e a aceitação da obra redentora de Cristo que realmente fazem a diferença. Para alguns que ainda não crêem e se encontram em uma encruzilhada, a abordagem existencial pode auxiliá-los a reconhecer que seu anseio mais profundo é por Deus, incentivando-os a buscá-Lo. Para aqueles que já conhecem a Deus, essa terapia pode ser útil para aprender a viver a verdadeira liberdade em Cristo, encontrar paz mesmo em meio à ansiedade, lidar com a realidade da morte e descobrir significado e propósito na vida.

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