Qual era o propósito do dote (Gênesis 31:15)?
Pergunta
O que o dote representava nesse contexto?
Resposta
Um dote, às vezes chamado de preço da noiva ou riqueza nupcial, era um pagamento feito por um homem como presente para a família da mulher que ele desejava como esposa. Em Gênesis 29, Jacó amava Raquel e se ofereceu para trabalhar sete anos para seu pai, Labão, em troca de sua mão em casamento. Esse é um exemplo da antiga prática do dote.
No tempo de Jacó, oferecer um dote para Raquel era uma prática cultural esperada. Negociar um acordo onde se trabalhava para quitar o dote também era aceitável. Um estudioso observa: “Sobre o casamento, de maneira geral, as tábuas de Nuzi previam que se um homem trabalhasse por um período para o pai de uma garota que desejasse casar, ele teria o direito de tomá-la como esposa” (Stuard A. West, “The Nuzi Tablets”, Bible and Spade 10:3–4, Summer–Autumn 1981, p. 70).
Como Jacó não possuía outra fonte de renda naquele momento, ele se ofereceu para trabalhar em troca de ter Raquel como esposa. Ele entendeu que essa era a única proposta que poderia atrair Labão. Pesquisadores apontam que, no antigo Oriente Próximo, os trabalhadores geralmente ganhavam entre meio siclo e um siclo por mês. Assim, para Labão, uma oferta de sete anos de trabalho gratuito seria extremamente generosa. Jacó buscava, dessa forma, tornar sua proposta irresistível para garantir o consentimento de Labão em entregar Raquel em casamento.
Jacó foi enganado por Labão e, inicialmente, recebeu como esposa Lia, irmã de Raquel. Para poder se casar com Raquel, ele precisou concordar com mais sete anos de trabalho. Quando chegou o momento de Jacó e sua família partirem da casa de Labão, Lia e Raquel indagaram: “Existe alguma porção ou herança deixada para nós na casa de nosso pai? … Pois ele nos vendeu e, de fato, consumiu nosso dinheiro” (Gênesis 31:14-15). Para essas mulheres, os anos de trabalho de Jacó em troca de Raquel eram vistos como uma forma de renda para Labão – recursos que ele já havia utilizado, deixando-as sem herança.
Mesmo nos dias de hoje, o sistema de dote é utilizado em algumas partes do mundo, especialmente na Índia, Bangladesh, Paquistão, Sri Lanka e Nepal. Esse processo envolve a participação de ambas as famílias e exige um comprometimento profundo por parte do potencial marido antes do casamento. Em nações ocidentais, desenvolveu-se a tradição de pedir a mão da mulher aos pais. Além disso, atualmente o dote é muitas vezes entendido como o dinheiro ou os bens que a mulher traz para o casamento, ao invés do que o homem oferece.
O sistema de dote, uma prática antiga da cultura oriental, ainda perdura. Entre os benefícios, destacam-se a aproximação entre as famílias e o sinal do compromisso do homem com a união. Por outro lado, a dificuldade em reunir os recursos financeiros necessários pode representar um obstáculo para o casamento.






