Por que os cristãos são tão julgadores?
Uma das críticas mais difundidas contra os cristãos é que eles são “julgadores” ou “sempre impõem suas opiniões aos outros.” Frequentemente, essa acusação surge em resposta aos cristãos que se manifestam contra comportamentos e estilos de vida que Deus classifica como “pecado” e que Ele declarou ser uma afronta a Ele. Vivemos numa sociedade onde “cada um faz o que acha certo” – onde as pessoas insistem que não existem absolutos morais, que cada um deve decidir por si o que é certo ou errado, e que devemos “tolerar” (no fundo, celebrar) atividades pecaminosas. Aqueles que levam a sério os alertas bíblicos sobre o pecado e ousam se posicionar contra o mal são descartados como fanáticos, fazendo com que todos os cristãos sejam, ironicamente, acusados de serem “julgadores.”
A passagem mais citada para apoiar a ideia de que os cristãos não devem julgar é onde Jesus instrui Seus discípulos: “Não julgueis, para que não sejais julgados.” Esse versículo é facilmente lembrado por muitos que não compartilham da fé cristã. Outro ensinamento popular é o momento em que Jesus diz: “Aquele que dentre vós está sem pecado, seja o primeiro a atirar a pedra.” Contudo, ao lermos esses versículos em seus contextos, torna-se evidente que Jesus não está proibindo todo e qualquer julgamento, mas advertindo contra julgamentos hipócritas e autossuficientes. Em outras palavras, aqueles que criticam os outros devem lembrar que serão julgados pelo mesmo parâmetro com que julgam: “Com a medida que medirdes, vos medirão.”
Não há lugar para hipocrisia ou orgulho espiritual. Os cristãos podem – e devem – se posicionar contra o pecado, mas, mesmo assim, suas interações devem ser marcadas pela graça, misericórdia e humildade. O julgamento hipócrita é o único tipo de julgamento que a Bíblia nos adverte a evitar. O cristão, na verdade, precisa exercer discernimento para distinguir entre o bem e o mal, avaliando espiritualmente as palavras e comportamentos alheios não com o intuito de condenar, mas para proteger seu próprio coração contra o erro e o pecado.
Logo após advertir sobre o julgamento hipócrita, Jesus afirma: “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas.” Como saber quem são os “cães” e os “porcos”, senão pelo discernimento? Em seguida, Ele alerta: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se apresentam a vós como ovelhas, mas, interiormente, são lobos vorazes. Certamente os identificareis pelos seus frutos.” Esse alerta não se restringe apenas aos falsos profetas, mas também a qualquer pessoa que, agindo em nome de Cristo, contradiga os ensinamentos d’Ele.
De acordo com Jesus, esse tipo de julgamento é considerado “correto” e é fortemente incentivado. Devemos ser “astutos como as serpentes e puros como as pombas”, e a sabedoria exige que sejamos discernentes. Ao exercermos um discernimento adequado, falamos a verdade – não apenas a verdade que acreditamos, mas a verdade revelada claramente na Palavra de Deus –, sempre motivados pelo amor. O amor nos compele a confrontar suavemente aqueles que estão em erro, trazendo à luz a verdade sobre seus pecados, na esperança de conduzi-los ao arrependimento e à fé. Afinal, “quem reconduz a um pecador do seu caminho, salvará a sua alma da morte.”
O verdadeiro cristão professa a verdade, pois a verdade sobre o bem e o mal existe independentemente dos sentimentos ou opiniões humanas. Aqueles que rejeitam ou se ofendem com a verdade apenas demonstram o poder da Palavra de Deus em convencer o coração humano, que é capaz de discernir até os mínimos pensamentos e intenções mais íntimas.






