No capítulo 14 de Lucas, Jesus estabelece os termos do discipulado. Grandes multidões O seguiam: todos se encantavam com Seus milagres, curas e com a comida gratuita. Jesus era admirado, o assunto da cidade, a sensação do momento. Mas Ele conhecia o coração daquelas pessoas, sabendo que desejavam os benefícios do que Ele fazia, e não um entendimento de quem Ele era. Elas se encantavam com os dons Dele, e não com a vida para a qual Ele as chamava. Assim, Ele explicou o que é necessário para ser um de Seus seguidores:
“Se alguém vem a mim e não abominar o seu próprio pai, mãe, esposa, filhos, irmãos e irmãs, até mesmo a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não carregar a própria cruz e seguir-me não pode ser meu discípulo. Pois, qual de vocês, querendo construir uma torre, não senta primeiro para calcular o custo, se tem os recursos necessários para terminá-la? Caso contrário, depois de ter posto o alicerce e não conseguir terminar, todos que o virem começarão a zombar, dizendo: ‘Esse homem iniciou a construção e não conseguiu terminá-la.’ Ou que rei, saindo para enfrentar outro rei em guerra, não se senta primeiro para analisar se, com dez mil soldados, pode enfrentar aquele que se aproxima com vinte mil? E, se não for o caso, enquanto o inimigo ainda está longe, ele envia uma delegação para propor a paz. Assim, qualquer um de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo.” (Lucas 14:26-33)
Jesus usou ilustrações simples para mostrar que Seu ministério não era um programa de assistência social. Embora o dom da vida eterna seja oferecido gratuitamente a quem o recebe (João 3:16), essa oferta exige uma transferência de posse (Lucas 9:23; Gálatas 5:24). “Contar o custo” significa reconhecer e aceitar termos antes de seguir a Cristo. Não é possível agir segundo nossos próprios desejos e, ao mesmo tempo, seguir o caminho que o mundo nos oferece (Mateus 7:13-14). Seguir Jesus pode implicar a perda de relacionamentos, de sonhos, de bens materiais ou até mesmo da própria vida.
Aqueles que se aproximam de Jesus apenas pelo que podem ganhar não permanecerão quando os desafios surgirem. Quando o caminho de Deus entrar em conflito com o nosso, sentiremos a traição de uma fé rasa e egocêntrica. Se não tivermos contado o custo de sermos Seus filhos, nos afastaremos ao menor sinal de sacrifício, em busca de algo que satisfaça nossos desejos egoístas (Marcos 4:5, 16-17). Durante Seu ministério terreno, houve momentos em que a “comida gratuita” cessou e a opinião pública se voltou contra Ele. As multidões que antes o aplaudiam tornaram-se zombeteiras, algo que Jesus já previa.
Ele concluiu Sua explicação sobre o custo do discipulado com uma declaração impressionante: “Qualquer um de vocês que não renunciar a tudo o que possui não pode ser meu discípulo” (Lucas 14:33). “Renunciar” pode significar abrir mão de algo de forma física, mas, na maioria das vezes, significa desatar os laços emocionais para que aquilo que possuímos não passe a nos possuir. Ao nos tornarmos Seus, não podemos continuar pertencendo a este mundo (1 João 2:15-17). Devemos fazer uma escolha, pois não podemos servir a Deus e a Mamom (Mateus 6:24). O jovem rico, ao se deparar com essa decisão, virou as costas para Jesus (Lucas 18:18-25).
Imagine que você descobre ter ganhado um apartamento em uma praia de Tahiti, com todas as despesas pagas – passagens, carro, alimentação e até uma governanta. Você poderia sonhar, planejar e se orgulhar daquele novo estilo de vida. No entanto, enquanto não deixar para trás a vida que conhece, essa nova realidade nunca será inteiramente sua. Não se pode viver ao mesmo tempo em Tahiti e na cidade que você já chama de lar. Muitas pessoas encaram o cristianismo da mesma forma: adoram a ideia da vida eterna, de escapar do inferno e de ter Jesus sempre à disposição, mas não estão dispostas a mudar a vida que levam. Seus hábitos, desejos e comportamentos pecaminosos são demasiado valiosos. É possível que apresentem uma mudança superficial – como começar a frequentar a igreja ou abandonar um pecado importante – mas querem manter tudo o mais. Jesus dirigia essas palavras a quem possuía essa mentalidade, conforme registrado em Lucas 14.
Embora não possamos conquistar a salvação por meio de mudanças de estilo de vida ou boas ações (Efésios 2:8-9), ao escolhermos seguir Cristo, entregamos o controle de nossas vidas. Quando Jesus assume esse controle, uma vida transformada se torna possível (1 João 3:4-10; 2 Coríntios 5:17). Na parábola do semeador, somente o solo permitiu que a semente enraizasse e gerasse frutos que eram considerados “bons”. Se realmente quisermos ser Seus discípulos, devemos primeiro contar o custo de segui-Lo.






