Como posso superar ter um espírito crítico?
Um espírito crítico não é difícil de reconhecer e seus frutos geralmente são evidentes. Quem possui esse espírito tende a reclamar, ver o copo meio vazio, lamentar expectativas não atendidas, sentir que os outros fracassam (mais do que a si mesmo) e ser julgador. Pessoas críticas não são divertidas de se ter por perto, nem é prazeroso possuir esse traço.
Como a maioria do pecado, ter um espírito crítico é uma perversão de algo que Deus criou para ser bom – nesse caso, o anseio por Deus e Sua perfeição. O livro de Eclesiastes nos lembra que “Deus fez tudo formoso no seu tempo. Além disso, colocou no coração do homem o anseio pela eternidade, mesmo que o homem não possa discernir a obra de Deus, que fez do princípio ao fim.” Vivemos em um mundo caído e muitas vezes somos impacientes para entrar na gloriosa perfeição para a qual fomos originalmente criados. De certa forma, é bom que possamos enxergar o que falta neste mundo, afinal, nem o mundo está como deveria estar, nem nós somos como deveríamos ser. Reconhecer a insuficiência do mundo nos ajuda a admitir nossa necessidade de um Salvador. Entretanto, o espírito crítico pode nos cegar para a graça e a beleza que Deus continua a oferecer a cada dia. Esse mesmo espírito pode ser entendido como uma distorção do discernimento; muitas vezes, aqueles acusados de serem críticos fazem pontos válidos, mas os apresentam de forma desagradável.
Obviamente, o espírito crítico é destrutivo, ferindo tanto quem o recebe quanto quem o profere. A Bíblia fala contra esse tipo de julgamento severo, lembrando que “não julgueis, para que não sejais julgados. Pois com o julgamento que fizerdes, sereis julgados, e com a medida que usardes, também vos medirão.” Jesus não está dizendo que não devemos discernir ou ignorar a natureza caída do mundo, tampouco que jamais devemos criticar alguém. Pelo contrário, a Escritura nos orienta a julgar com justiça. No entanto, não devemos criticar com intenção maliciosa, por orgulho, hipocrisia ou autossuficiência. Não podemos assumir que somos imparciais ou que podemos impor nossos padrões aos outros, já que os corações humanos são naturalmente enganadores e sujeitos a pontos cegos e comparações inadequadas. Somente Deus pode julgar com precisão perfeita, e nosso discernimento só é válido quando é moldado por uma natureza renovada em Cristo. Somente ao nos submeter a Ele e sermos honestos conosco mesmos nosso julgamento servirá para edificar, e não destruir.
Então, como superar um espírito crítico? A condição do nosso coração é crucial. As escrituras ensinam que “do bom tesouro do coração, o homem produz o bem, e do mau tesouro, o homem produz o mal, pois a boca fala do que transborda do coração.” Palavras críticas surgem de um coração crítico, que geralmente advém de uma interpretação equivocada da graça de Deus – seja por orgulho ou pela falta de conhecimento sobre o caráter de Deus e o significado da salvação. Só compreender nossa depravação sem Deus e a profundidade de Sua graça nos permitirá conceder graça aos outros. Aqueles que lutam com um espírito crítico reconhecem que jamais poderão atender aos seus próprios padrões, pois estão constantemente julgando os outros e a si mesmos, sempre ficando aquém. Mas Cristo preenche essa lacuna! Ele é perfeito e justo, e concede gratuitamente essa perfeição àqueles que creem nele. Quanto melhor compreendermos a graça de Deus, mais graciosos seremos com os outros e mais agradecidos ficaremos. O reconhecimento e a gratidão servem como um forte antídoto contra o espírito crítico.
Outra área importante é a forma de pensar. Em vez de focarmos no que está faltando, devemos concentrar nossos pensamentos no que é verdadeiro, honroso, justo, puro, amável, louvável, excelente e digno de elogio. Isso não significa ignorar a falsidade, a injustiça, a feiúra ou a imperfeição, mas sim não se apegar aos pontos negativos. O apóstolo Paulo instruiu os cristãos a crescerem em amor, deixando que as palavras que saem de nossa boca edificassem e transmitissem graça a quem as ouvisse. O amor cobre muitas faltas e o perdão deve ser uma prioridade. Como Corpo de Cristo, devemos falar com um coração repleto de amor para edificar uns aos outros, pois o espírito crítico só destrói.
Também é útil lembrar que não podemos conhecer completamente os pensamentos e intenções dos outros. Muitas vezes, o comportamento pode refletir uma motivação, mas nem sempre. Antes de fazer uma observação crítica, seja em voz alta ou em pensamentos, convém pausar e considerar outras possibilidades. Será que essa pessoa é realmente desinteressada, ou estaria ela passando por um momento difícil e necessitando de graça? A Regra de Ouro é uma ferramenta valiosa nesse sentido.
Um espírito crítico não só derruba aqueles ao nosso redor, mas também nos impede de aproveitar as belezas da vida. Ao ficar excessivamente críticos, deixamos passar pequenas bênçãos e esquecemos de ser agradecidos. Superar esse espírito requer gratidão, disposição para perdoar, uma compreensão acurada da graça de Deus (que é gratuita!), um foco intencional em pensamentos positivos e o compromisso de compartilhar a verdade com amor. É uma questão de santificação, e contamos com a ajuda do Espírito Santo para que possamos, ao nos submeter a Deus, ler Sua Palavra e orar por graça, perceber que o espírito crítico cede o controle para o Espírito de Cristo.






