É a fé em Deus irracional?
No filme de 2008 “Religulous”, Bill Maher argumenta que acreditar em Deus é ridículo. O termo “religulous” é uma junção das palavras “religião” e “ridículo”. O objetivo principal do filme parece ser convencer as pessoas de que a religião é responsável pela maior parte dos males do mundo e que estaríamos todos melhor se a religião fosse erradicada. O documentário começa com Maher em Israel, próximo ao Vale de Megiddo, local profetizado na Bíblia como o cenário da batalha final do Armagedom. Maher sustenta que, se não for destruída, a religião acabará ocasionando a destruição do mundo.
No seu ataque às diversas crenças, Maher critica o Cristianismo, o Islamismo, o Judaísmo e o Mormonismo, tendo o Cristianismo como seu principal alvo – quase metade do documentário é dedicada a criticá-lo. Ele afirma que não há evidências históricas da existência de Jesus e que as crenças centrais do Cristianismo seriam apenas versões cristianizadas de outras crenças religiosas. Claro, Maher apresenta uma visão bastante unilateral dessas questões. Como esses argumentos já foram amplamente respondidos, trataremos deles brevemente. Primeiramente, há evidências históricas incontestáveis de que um homem chamado Jesus viveu em Israel no início do século I d.C. Existem mais atestações da existência de Jesus do que de quase qualquer outra figura histórica desse período.
Em segundo lugar, todas as crenças que Maher alega terem sido emprestadas de outras religiões, na verdade, apontam para o oposto. Não existem documentos históricos ou religiosos anteriores ao Cristianismo que contenham crenças idênticas – ou mesmo bastante semelhantes – às do Cristianismo. Todos os documentos dessas outras religiões que apresentam semelhanças com o Cristianismo foram datados de séculos depois do início da fé cristã. Maher faz a suposição ilógica de que as crenças registradas após a difusão do Cristianismo seriam exatamente as mesmas de períodos anteriores. A história mostra que, entre os séculos I e V d.C., o Cristianismo se espalhou rapidamente, e as demais religiões daquela época passaram a copiar crenças cristãs, atribuindo características semelhantes às de Cristo aos seus próprios messias ou fundadores, numa tentativa de conter a expansão do Cristianismo. De fato, nenhum documento antigo anterior à disseminação do Cristianismo apresenta explicitamente crenças tão semelhantes às cristãs.
Além de reutilizar esses argumentos frágeis, “Religulous” dedica grande parte do tempo para retratar indivíduos religiosos como ridículos. Seja através de um ator que interpreta Jesus em um parque temático da Terra Santa, seja por meio de um líder de culto sul-americano que se autodenomina Jesus, ou ainda por turistas em sítios bíblicos de Israel, Maher faz perguntas capciosas, e as respostas são claramente editadas de maneira a apresentar o entrevistado como tolo. O documentário oferece pouquíssimo espaço para quem pudesse argumentar de forma inteligente a favor da existência de Deus ou defender as crenças cristãs, concentrando-se apenas em indivíduos que muitos cristãos considerariam absurdos.
Talvez a única contribuição positiva de “Religulous” seja a exposição a respeito do Islamismo, destacando corretamente os perigos do radicalismo islâmico. No entanto, Maher parece estender esse perigo a todos os que acreditam em Deus. Seu objetivo não era produzir um documentário honesto e informativo sobre os riscos da religião, mas sim apresentar qualquer religião como, no mínimo, ridícula e, na pior das hipóteses, perigosa.
Maher se declara agnóstico, afirmando não saber se Deus existe ou se há vida após a morte. Contudo, para alguém que diz não ter certeza, ele argumenta de forma dogmática contra qualquer crença em Deus, deixando claro que acredita na inexistência de Deus. A mensagem central de “Religulous” é que qualquer pessoa sensata chegará à conclusão de que Deus não existe. Sua arrogância, o desdém demonstrado em relação aos fiéis e a condescendência para com aqueles que discordam dele são evidentes ao longo do filme, revelando-o como exatamente aquilo que critica: um bigota de mente fechada que pensa ter todas as respostas.
O Salmo 14:1 declara: “O insensato diz no seu coração: ‘Não há Deus’”. Nesta passagem, a palavra “insensato” não se refere à inteligência, mas sim à ausência de moral. O versículo sugere que uma pessoa imoral nega a existência de Deus para se eximir de qualquer responsabilidade por suas ações erradas. Apesar de ser um homem inteligente, moralmente Maher se mostra um tolo. Em “Religulous”, o próprio Maher admite rejeitar Deus porque as regras divinas interferem em sua vida sexual. No fim, o filme se resume a uma triste tentativa de atacar a religião como forma de fugir dos mandamentos morais de Deus, evidenciando a veracidade do Salmo 14:1.






