A igreja foi enxertada no lugar de Israel?
No capítulo 11, versículos 11 a 24 de Romanos, Paulo compara Israel aos ramos naturais de uma oliveira cultivada e os crentes gentios aos ramos de uma oliveira silvestre. Alguns dos ramos naturais (Israel) foram cortados, e os ramos silvestres (gentios) foram enxertados (verso 17). Assim, os gentios passaram a participar das promessas e a herdar as bênçãos da salvação de Deus.
É importante entender como Deus chamou Israel para ser Seu povo e como eles não cumpriram esse chamado. Como descendentes de Abraão, os filhos de Israel foram escolhidos por Deus para serem um povo separado, santo ao Senhor. O plano de Deus era que eles fossem luz para os gentios, para que estes também conhecessem Deus (ver Gênesis 18:17–19; Isaías 42 e 49). Em vez disso, os israelitas seguiram deuses estrangeiros e traíram seu chamado (ver Ezequiel 23; Oséias 11). Contudo, Deus, que já previa que fariam isso, havia prometido restaurar Seu reino a Israel após a rebelião, quando estes eventualmente se arrependessem (ver Deuteronômio 30:1–10). Assim, Deus enviou Seu Filho, precedido por um precursor, para convidar Israel a “se arrepender, pois o Reino dos céus está próximo” (ver Mateus 3:2 e 4:17).
No entanto, quando Jesus se revelou como o prometido Rei davídico que restauraria Israel (ver Mateus 11–12; Atos 3:19–22), Ele foi rejeitado pelos judeus, exatamente como Isaías havia profetizado (ver Isaías 52–53). Por essa razão, Jesus chamou Seus discípulos para cumprir a comissão de Abraão de abençoar as nações (ver Gênesis 12:2–3), pregando o evangelho do Reino para todas as nações até o fim desta era (ver Mateus 28:18–20). Assim, Paulo pregou o evangelho do Reino para os judeus e foi repetidamente rejeitado (ver Atos 13–28); em consequência, Paulo levou a boa nova aos gentios, que, por sua vez, se tornaram a semente espiritual de Abraão pela fé e herdeiros das promessas feitas a Abraão e à sua descendência (ver Gálatas 3–4). Esse é o sentido que Paulo atribuiu, em Romanos 11, à expressão dos gentios serem “enxertados” na “oliveira” e nutridos pela “raiz” (as promessas a Abraão). A oliveira, assim, simboliza o povo coletivo de Deus; os “ramos silvestres” enxertados são os crentes gentios; os “ramos naturais” que foram cortados representam os judeus em descrença. Os judeus que são crentes permanecem na oliveira, mas se unem aos gentios e formam um “novo corpo”, a Igreja (ver Efésios 2:11–22).
Paulo antecipou uma pergunta que certamente surgiria entre seus leitores gentios: “Digo, pois: porventura tropeçaram para que caíssem?” (Romanos 11:11) – os crentes gentios poderiam ser tentados a desprezar Israel, já que parecia que eles nunca se recuperariam. Ainda hoje, há aqueles que defendem o supersesionismo ou a teologia da substituição, a qual sustenta que a Igreja substituiu completamente Israel, herdando as promessas que seriam cumpridas apenas de forma espiritual. Em outras palavras, de acordo com essa visão, o Israel étnico estaria para sempre excluído das promessas – os judeus não herdariam literalmente a Terra Prometida. O que aconteceria, então, com Israel? E quanto às profecias do Antigo Testamento que preveem que o Israel, como nação, se arrependeria e seria reunido à terra nos últimos dias como uma posse permanente (ver Deuteronômio 30:1–10)?
Romanos 11 mostra, de forma conclusiva, aos crentes gentios que Deus ainda não “acabou” com Israel, que apenas perdeu temporariamente o privilégio de representar Deus como Seu povo. Uma vez que “os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis” (11:29), “todo o Israel será salvo” para que se cumpra a aliança de Deus com o Israel étnico (11:25–28), incluindo a promessa de herança da terra (ver Deuteronômio 30:1–10).
Embora alguns dos “ramos naturais” tenham sido cortados por falharem em seu chamado, os propósitos de Deus não se completam até que Israel também seja enxertado de volta ao povo de Deus para compartilhar das promessas feitas a Abraão e sua descendência. Isso completa o plano redentor de Deus para judeus e gentios como populações distintas dentro do povo de Deus, seja no Reino davídico ou no Reino milenar. De fato, os profetas enxergavam esse Reino como a “forma final” da oliveira, de modo que Israel – invertendo os papéis – abençoaria os gentios, permitindo que estes se juntassem ao povo de Deus (ver Zacarias 8:13 e 20–23).






