A tentação é um pecado? É pecado ser tentado?

A tentação é pecado? É pecado ser tentado?

Pergunta

A tentação, por sua própria natureza, parece estar errada. A lei moral de Deus está inscrita no coração de todo ser humano e, quando surge uma tentação pecaminosa, nossa consciência imediatamente percebe o perigo. No entanto, a tentação em si não é o pecado. Jesus foi tentado, mas nunca pecou. O pecado ocorre quando lidamos mal com a tentação.

Existem duas fontes que nos levam à tentação: Satanás e nossa própria natureza pecaminosa. Um exemplo de alguém tentado por Satanás é encontrado na história de Ananias e Safira, que mentiram aos apóstolos para aparentarem ser mais espirituais do que realmente eram. Nesse caso, Pedro identificou que a tentação de mentir tinha vindo de Satanás, e ambos cederam à sedução do engano. A traição de Jesus por Judas Iscariotes também é atribuída à influência de Satanás.

Em última análise, como Satanás é conhecido como o “deus deste mundo” e o pai da mentira, toda maldade tem sua origem nele. Entretanto, nossa própria natureza egoísta também colabora com as investidas de Satanás. Não precisamos de um impulso direto do inimigo para alimentar ideias pecaminosas. Como está escrito, cada pessoa é tentada quando é seduzida pelo seu próprio desejo maligno.

Mesmo desejando fazer o bem, todos nós somos tentados – ninguém está isento, nem mesmo o apóstolo Paulo, que compartilhou seu conflito interno entre a carne e o espírito. Ele confessou como, mesmo amando a lei de Deus, percebeu outra lei agindo dentro de si, travando uma batalha contra a lei em sua mente e fazendo-o prisioneiro do pecado que operava em seu interior.

A tentação, por si só, não é pecado; ela se torna assim quando permitimos que se transforme em ação, mesmo que apenas em nossos pensamentos. Por exemplo, a luxúria já é considerada pecado mesmo sem que se transforme em ação. A cobiça, o orgulho, a ganância e a inveja são pecados do coração, e embora possam não ser aparentes para os outros, permanecem como transgressões. Ao ceder à tentação de alimentar tais pensamentos, esses sentimentos se enraízam e nos defilem, substituindo o fruto do Espírito pelo fruto da carne. Muitas vezes, o que começou como um mero pensamento acaba se transformando em ação.

A melhor defesa contra ceder à tentação é fugir dela logo ao primeiro sinal. José é um excelente exemplo de alguém que não permitiu que a tentação se transformasse em pecado. Mesmo sendo tentado a pecar sexualmente, ele não deu tempo para a tentação se enraizar, usando a fuga física como resposta. Em vez de permanecer em uma situação potencialmente perigosa e tentar argumentar, justificar ou diluir sua determinação, ele simplesmente se retirou. Assim, a tentação não se tornou pecado porque ele lidou com ela de uma forma que honrava a Deus. Poderia ter se transformado em pecado se José tivesse decidido enfrentar a tentação com suas próprias forças.

As orientações bíblicas também nos aconselham a evitar situações que possam levar à tentação. Se determinarmos “não prover para a carne”, conseguiremos nos manter longe de circunstâncias demasiadamente sedutoras. Ao nos colocarmos em situações em que sabemos que seremos tentados, estamos, na verdade, pedindo por problemas. Embora Deus prometa uma “fuga” quando somos tentados, essa saída frequentemente se encontra justamente em evitar a situação desde o início. Como foi dito, “fugi dos desejos perversos da juventude”. Jesus nos ensinou a orar para que não sejamos conduzidos à tentação, mas cabe a nós estarmos atentos à direção que Deus nos indica e evitarmos esses perigos sempre que possível.

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