As ideias de Jesus e do Cristianismo foram emprestadas de Mithra e do Zoroastrianismo?
Pergunta
Será que o Judaísmo e o Cristianismo teriam emprestado o conceito do Messias, da ressurreição e do juízo final do Zoroastrianismo ou de Mithra? Muitas doutrinas da fé cristã possuem paralelos no Zoroastrianismo, como o nascimento virginal, o Filho de Deus e a ressurreição.
Resposta
Alguns estudiosos afirmam que Zoroastro (também conhecido como Zoroastrianismo) viveu entre 600 e 500 a.C. Se esse for o caso, Davi, Isaías e Jeremias – todos mencionando o Messias, a ressurreição e o juízo final em seus escritos – viveram e escreveram antes dele. Por outro lado, há estudiosos que situam a vida de Zoroastro entre 1500 e 1200 a.C. Se essa hipótese for considerada, o argumento de que o Cristianismo teria tomado emprestado elementos do Zoroastrianismo se torna mais forte. Contudo, o fato é que não se sabe com precisão quando Zoroastro viveu, o que torna esse argumento, na melhor das hipóteses, especulativo.
O historiador grego Heródoto (século V a.C.) não menciona Zoroastro em seu tratado sobre as religiões medo-persa, embora Platão, nascido aproximadamente na época da morte de Heródoto, o mencione em sua obra Alcibíades.
No entanto, estabelecer a data de vida de Zoroastro é apenas o primeiro passo. É preciso determinar o que ele realmente ensinou – diferentemente do que o Zoroastrianismo moderno alega ser seus ensinamentos. A única fonte dos ensinamentos de Zoroastro é o Avesta, e as cópias mais antigas que temos datam do século XIII d.C. Essa datação tardia dos textos não oferece suporte para a ideia de que o Cristianismo teria se baseado no Zoroastrianismo, especialmente quando se considera que as cópias mais antigas das Escrituras Judaicas que possuímos datam de séculos antes de Cristo e os manuscritos completos das Escrituras Cristãs surgiram no século IV d.C.
O argumento de que o Cristianismo teria tomado emprestado de uma religião pré-cristã assume que a forma atual da religião – da qual temos conhecimento – permaneceu fiel à forma original – da qual pouco se sabe –, especulando que as semelhanças entre as duas se devem a um empréstimo. É um argumento filosófico sem evidências concretas. Não teríamos, afinal, alguma razão para supor que foi o Zoroastrianismo que absorveu elementos do Cristianismo, e não o contrário? Sabe-se que o Zoroastrianismo incorporou livremente elementos das religiões politeístas da região em que se popularizou. Mithra, por exemplo, era um deus persa que ganhou um papel de destaque nessa religião, tendo por equivalente o deus hindu Mitra.
Além das discussões teóricas, é importante reconhecer que Jesus Cristo foi uma figura histórica real, que cumpriu inúmeras profecias específicas escritas e conservadas séculos antes de sua vida, que morreu na cruz e que, segundo os relatos, ressuscitou dos mortos e interagiu com pessoas dispostas a sofrer e até sacrificar suas vidas por esse testemunho.






