Pergunta
As pirâmides são mencionadas na Bíblia? Os israelitas escravizados construíram as pirâmides?
Os primeiros colonizadores do Egito migraram da região de Shinar, próxima ao rio Eufrates, local da tentativa de construção da Torre de Babel. Provavelmente, a própria Torre de Babel era um zigurate, de formato piramidal e feito de tijolos assados unidos com piche (ver Gênesis 11:1-9). Com seus conhecimentos em engenharia, é fácil imaginar como esses colonizadores começaram a construir pequenas pirâmides de tijolos de barro e palha, chamadas mastabas, sob as quais os primeiros faraós eram sepultados.
Com o passar do tempo, os egípcios passaram a construir imponentes edificações inteiramente de pedra. São estas as estruturas que tipicamente vêm à mente quando se pensa em pirâmides, como a Grande Pirâmide de Gizé. Os blocos de granito utilizados nessas estruturas eram extraídos de pedreiras próximas a Aswan e transportados pelo Nilo em barcaças.
Mais tarde, durante o chamado Médio Império, os túmulos reais passaram a ser menores, construídos com milhões de grandes tijolos de barro e palha secos ao sol. Esses tijolos eram revestidos com enormes lajes de granito polido, dando-lhes a aparência das tradicionais pirâmides de pedra. Durante esse período, que durou aproximadamente de 1660 a 1445 a.C., os israelitas passaram a residir no Egito (ver 1 Reis 6:1). Preocupado com a possibilidade de uma revolta, o faraó acabou escravizando-os, em algum momento após a época de José (Êxodo 1:8).
A Bíblia relata que, durante esse período, os escravos israelitas foram forçados a fabricar tijolos de barro (Êxodo 5:10-14). Esse detalhe é compatível com o tipo de tijolo usado na construção das pirâmides. De fato, segundo Êxodo 5:7, o faraó ordenou aos capatazes: “Não dareis mais ao povo palha para fazer tijolos, como faziam antes; deixem que procurem a palha por si mesmos.” Embora não seja especificado que tais tijolos fossem utilizados em pirâmides, é plausível supor que estivessem envolvidos nessa construção. O historiador judeu Josefo corrobora essa teoria ao afirmar que “eles [os capatazes egípcios] também os encarregaram de construir pirâmides.”
A escravidão dos israelitas chegou a um fim abrupto com o Êxodo. Segundo a arqueóloga A. R. David, os escravos desapareceram de forma repentina, justificando-se na quantidade e variedade de utensílios de uso cotidiano deixados para trás, o que sugere uma partida súbita e não planejada. O exército egípcio, que foi destruído no Mar Vermelho e liderado pelo próprio faraó (Êxodo 14:6), pode explicar a ausência de sepulturas ou múmias atribuídas ao faraó Neferhotep I, da 13ª dinastia.
As pirâmides não são mencionadas especificamente como tais nas Escrituras canônicas. Contudo, a Apócrifa — aceita como canônica pelos católicos e coptas — menciona pirâmides em 1 Macabeus 13:28-38, fazendo referência a sete pirâmides construídas por Simão Macabeu como monumentos para seus pais.
Os judeus pré-alexandrinos provavelmente não teriam utilizado a palavra “pirâmide”. No entanto, no Antigo Testamento, encontramos a palavra migdol (Strong’s H4024), traduzida como “torre”, que pode representar qualquer grande monólito, obelisco ou mesmo pirâmide. Essa é a palavra hebraica empregada para descrever a Torre de Babel em Gênesis 11:4, e é traduzida de forma semelhante em Ezequiel 29:10 e 30:6. Ao se referir a uma “pirâmide”, essa seria provavelmente a palavra escolhida pelos hebreus. Além disso, migdol é também um nome de lugar mencionado em Êxodo 14:2, Números 33:7, Jeremias 44:1 e Jeremias 46:14, o que pode indicar a existência de uma torre ou monumento naquele local.
A Bíblia não afirma explicitamente que os israelitas construíram pirâmides, tampouco associa a palavra “pirâmide” aos hebreus. Pode-se supor que os filhos de Israel tenham trabalhado nas pirâmides, mas essa é a única conclusão possível a partir dos relatos.






