Como a predestinação e a eleição estão conectadas com a presciência?
Certamente, uma vez que Deus sabe tudo, seria possível que Ele baseasse Sua predestinação e eleição dos indivíduos na presciência do futuro. De fato, essa é exatamente a posição que muitos cristãos adotam, conforme a visão arminiana da predestinação. Contudo, essa não é a mensagem que a Bíblia ensina sobre predestinação, eleição e presciência.
Para entendermos por que a visão de que “Deus fez Sua escolha unicamente ao conhecer o futuro” não reflete o ensino bíblico, é necessário considerar os trechos que abordam essa tensão (ainda que não irreconciliável) entre esses conceitos.
Em um trecho das Escrituras, somos ensinados que Deus nos predestinou para sermos adotados como Seus filhos por meio de Jesus Cristo, segundo o Seu agrado e vontade. Esse ensinamento deixa claro que o fundamento da nossa predestinação não depende de algo que faremos ou deixaremos de fazer, mas unicamente da vontade e do prazer de Deus.
Outro trecho enfatiza que as pessoas são escolhidas e predestinadas de acordo com o plano daquele que opera todas as coisas em conformidade com o propósito de Sua vontade. Dessa forma, a Escritura ensina consistentemente que a predestinação ou eleição não se baseia em obras ou ações humanas, mas na vontade soberana de Deus, que redime pessoas de todas as tribos, línguas e nações – determinado antes mesmo da fundação do mundo.
Entretanto, quando se afirma que “àqueles que Deus conheceu de antemão, também os predestinou”, pode parecer que a predestinação se fundamenta apenas na presciência divina. De fato, esse ensinamento mostra que a presciência de Deus está relacionada à predestinação. Porém, conhecer previamente acontecimentos não é o único fundamento sobre o qual repousa a predestinação, pois a vontade e o prazer divinos também desempenham papel crucial.
A presciência e a predestinação de Deus revelam Sua soberania, mas a Bíblia ensina igualmente que as pessoas são responsáveis por suas escolhas. A questão realmente não é se Deus sabe quem crerá, mas sim por que alguns creem e outros não. O desejo de Deus é que todos sejam salvos e se arrependam, oferecendo salvação a todas as pessoas, ainda que nem todos a recebam.
“Mesmo que se admitisse que ‘conheceu de antemão’ signifique a previsão da fé, a doutrina bíblica da eleição soberana não seria, por isso, eliminada ou refutada. Pois é certamente verdade que Deus prevê a fé; Ele prevê tudo o que acontece. A questão, então, seria: de onde procede essa fé, que Deus prevê? E a única resposta bíblica é que a fé que Deus prevê é a fé que Ele mesmo cria (vide diversos trechos das Escrituras). Portanto, a previsão eterna de Deus da fé é condicionada pelo Seu decreto de gerar essa fé naqueles que Ele prevê como crentes.”






