Como um Cristão Deve Responder ao Bullying?
Embora não encontremos a palavra bullying na Bíblia, encontramos um termo equivalente, brutish (bruto), que remete à violência brutal associada a ladrões, assassinos e feras selvagens. As palavras em hebraico e grego traduzidas como “bruto” ou “brutish” significam “estúpido, insensato e irracional, como gado”. Podemos concluir, assim, que aqueles que praticam bullying agem como bestas, incapazes de pensamento racional. Infelizmente, é comum ver esse tipo de comportamento repugnante na humanidade caída — inclusive na igreja — tanto entre homens quanto mulheres em todas as fases da vida.
A Bíblia não aborda especificamente os valentões ou o bullying, mas vários princípios bíblicos se aplicam à questão. Em primeiro lugar, é importante compreender o que é bullying. Uma definição simples seria “usar força ou poder superior para intimidar pessoas”. Os agressores se aproveitam de indivíduos que percebem como mais fracos, ameaçando-os ou causando-lhes danos para conseguir o que desejam. Evidentemente, o bullying não é conduta condizente com a vida cristã, pois os cristãos são chamados a amar o próximo e cuidar dos mais vulneráveis, e não a intimidar ou manipular as pessoas.
Geralmente, há duas situações em que um cristão pode precisar responder ao bullying: quando é vítima ou quando é testemunha da prática. Para a vítima, uma resposta adequada pode ser “oferecer a outra face”, conforme ensinado por Jesus, ou a legítima autodefesa. Ao falar sobre “virar a outra face”, Jesus nos orientou a não revidar ofensas pessoais com insultos. Quando alguém nos agride verbalmente, não devemos responder na mesma moeda. Se alguém tenta impor sua posição de poder para nos intimidar ou nos forçar a determinados comportamentos, podemos resistir sem ceder ao mesmo tipo de manipulação. Retaliar o bullying com mais bullying não é algo bíblico nem útil. No entanto, é aconselhável reportar o agressor às autoridades competentes, pois ações dessa natureza podem prevenir que outros sejam prejudicados.
Em outros casos, especialmente quando há agressão física, a autodefesa pode ser apropriada. A Bíblia não defende um pacifismo absoluto. As instruções de Deus ao povo de Israel e o conselho de Jesus aos discípulos de empunhar uma espada nos ensinam que, embora os cristãos devam ser amorosos e perdoados, não devem ser permissivos com o mal.
Quando um cristão presencia um episódio de bullying, pode ser adequado intervir para ajudar a proteger a vítima. Cada situação é única e, muitas vezes, a intervenção de uma pessoa pode agravar o problema; contudo, frequentemente basta que alguém se erga em defesa do mais fraco para pôr fim ao bullying e evitar sua recorrência. Conversar com a vítima após o ocorrido e auxiliá-la — inclusive ajudando-a a registrar o fato junto às autoridades — pode ser um gesto de apoio fundamental.
A sabedoria de Deus é necessária em todas as situações de confronto com o bullying. Aqueles que seguem Cristo têm o Espírito Santo habitando dentro de si, o qual os auxilia na compreensão da Palavra de Deus e os guia para obedecer ao Senhor, não importando as circunstâncias.
Também é importante refletir sobre nossos pensamentos e atitudes em relação aos agressores. É fácil demonizá-los e vê-los como pessoas cheias de ódio, mas essa não é uma postura condizente com a vida cristã. Todo ser humano nasce pecador e necessita da salvação oferecida por Jesus. Ao menos, devemos orar para que o coração do agressor seja transformado e que ele venha a conhecer a salvação divina. Muitas vezes, os bullies agem dessa maneira por causa de suas próprias feridas emocionais — talvez já tenham sido vítimas de bullying, ou sentem-se inseguros e buscam em debilitar os outros uma forma de se sentir melhor consigo mesmos. Ao mesmo tempo em que reconhecemos a dor por trás de suas atitudes, é importante estender a compaixão, o amor e a graça de Deus, mantendo limites firmes para corrigir comportamentos inadequados.
O apóstolo Paulo nos exorta em Romanos 12:17–21 a não retribuir o mal com o mal, a buscar a justiça e a conviver em paz sempre que possível. Em vez de buscar vingança, devemos confiar que cabe a Deus retribuir cada ato de maldade, alimentando o inimigo e deixando que a sua própria culpa venha a dominá-lo. Dessa forma, não seremos vencidos pelo mal, mas venceremos o mal com o bem.
Deus nos concedeu uma imensa misericórdia, e devemos refletir isso em nossas atitudes: não praticando o bullying, defendendo os fracos, perdoando e utilizando os canais sociais adequados para prevenir que o bullying se propague — além de orar tanto pelos agressores quanto por aqueles que sofrem tais agressões. O amor e a graça de Deus são suficientes para curar todas as feridas.






