Devo boicotar empresas que apoiam políticas anti-cristãs?
Algumas organizações cristãs declararam boicotes a empresas com políticas consideradas anti-cristãs. Starbucks, Amazon, Nike e outras corporações têm sido alvos desses boicotes. Aqueles que defendem essa ação buscam chamar a atenção de executivos e tomadores de decisão, deixando claro que os cristãos não apoiarão uma agenda ímpia. Muitos que se envolvem nessa prática também querem ser bons administradores de seu dinheiro, questionando: “Por que eu alimentaria uma empresa e ajudaria a mantê-la nos negócios, sabendo que ela usará parte do meu dinheiro para apoiar uma agenda anti-cristã?”
A Bíblia não fala especificamente sobre boicotes. Naturalmente, as Escrituras não contêm um mandamento direto para boicotar ou não uma empresa. No entanto, existem pelo menos duas passagens que podem enriquecer essa discussão. A primeira está em 1 Coríntios 5:9–10, onde Paulo afirma que, embora não devamos nos associar com pessoas de imoralidade sexual, continuamos fazendo parte deste mundo e, portanto, não podemos nos dissociar de todas as pessoas imorais. Para evitar qualquer corrupção, “seria necessário deixar este mundo”.
O foco de 1 Coríntios 5 é a comunidade da igreja. Os cristãos não devem se asociar – ou sequer compartilhar refeições – com alguém que professa ser cristão e, contudo, vive contrariamente à palavra de Cristo. A única forma de evitar o contato com pessoas imorais neste mundo é abandonar completamente o mundo. Assim, se aplicarmos esse princípio à questão do boicote, a única maneira de evitar negócios que apoiam práticas ímpias seria sair por completo deste mundo.
A segunda passagem relevante é Romanos 14:5–12, que trata de questões duvidosas, ou “áreas cinzentas”. Um dos princípios destacados é que “cada um deve estar plenamente convencido em sua própria mente” (versículo 5). Qualquer que seja a ação, ela deve ser feita “em honra do Senhor” (versículo 6) e com gratidão a Deus, pois “se vivemos, vivemos para o Senhor, e se morremos, morremos para o Senhor” (versículo 8). Os crentes são chamados a seguir sua consciência nessas áreas, já que “cada um prestará contas de si mesmo a Deus” (versículo 12). Se a Palavra de Deus não se manifestou de forma clara sobre uma questão, cada cristão tem a liberdade de buscar a vontade divina e se convencer totalmente em sua própria mente.
Esse princípio “de consciência” se aplica também à questão do boicote. Alguns cristãos sentem de maneira convicente a necessidade de não apoiar determinada empresa por questões morais e, assim, optam por conduzir seus negócios em outro local. Outros, mesmo preocupados com as mesmas questões, podem não compartilhar a mesma convicção sobre a adoção do boicote, ficando livres para não aderir a ele.
Se alguém optar por participar de um boicote, surgem outras questões importantes: até onde esse boicote deve se estender? E quanto às subsidiárias da empresa-mãe? Devem ser boicotados também os fornecedores que vendem para a empresa em questão? Como medir a eficácia do boicote – ou será que isso nem é uma consideração relevante? Além disso, como lidar com os cristãos que trabalham para a empresa boicotada?
Alguns cristãos escolhem atuar na esfera política, por meio do processo eleitoral, para influenciar questões sociais e morais importantes, enquanto outros preferem agir financeiramente, através dos boicotes. Há aqueles que optam por uma abordagem que combina essas estratégias. O essencial é orar sobre as questões do momento, assumir uma posição fundamentada na Bíblia e agir conforme a convicção pessoal.






