É certo que uma igreja entre em dívidas?
A Bíblia não aborda diretamente a questão de uma igreja contrair dívidas ou realizar um empréstimo. Diante do silêncio bíblico sobre o assunto, a maioria das igrejas estabelece suas próprias políticas, de acordo com o que funciona melhor para sua congregação ou denominação. Algumas, por exemplo, assinam um contrato para financiar um projeto de construção, reforma ou até mesmo a aquisição de um novo imóvel. Outras, no entanto, seguem uma política de não contrair dívidas: recebem doações, mas, se os fundos não estiverem disponíveis, o projeto simplesmente não é realizado.
Se uma igreja está decidindo se deve assumir dívidas, é importante considerar alguns aspectos. Um deles é que as Escrituras contêm advertências sobre dívidas. Em Provérbios 22:7, ensina-se que “os ricos dominam sobre os pobres, e o devedor é servo do credor”, o que demonstra que as dívidas podem criar uma espécie de servidão, aprisionando o devedor. Para uma igreja, cujo propósito é servir a Deus e ministrar livremente ao Seu povo, é essencial evitar se enredar em obrigações que possam limitar sua capacidade de cumprir essa missão. Um aviso semelhante está presente em Romanos 13:8, que orienta os fiéis a não deverem nada a ninguém, exceto o amor mútuo.
No Antigo Testamento, o desejo de Deus para Israel era abençoá-lo de forma tão abundante que “emprestaria a muitas nações, mas não tomaria emprestado de nenhuma” (Deuteronômio 28:12). Embora a economia do Antigo Testamento não se aplique diretamente à política financeira de uma igreja moderna, é notável que a bênção de Deus tenha sido associada à liberdade de dívidas.
Quando uma igreja assume dívidas, há o risco de que seu foco ministerial mude da dependência da providência divina para a preocupação com a gestão financeira. Uma igreja sobrecarregada pode, sem querer, tomar decisões pautadas por pressões financeiras, em vez do discernimento espiritual. Seria lamentável que a energia e a atenção da congregação fossem desviadas da proclamação do evangelho e do ministério à comunidade, voltando-se para o cumprimento de obrigações financeiras. Estar financeiramente livre pode, portanto, posicionar a igreja de maneira mais eficaz diante das oportunidades de ministério e missão.
A vida cristã deve ser vivida pela fé, e os crentes são chamados a confiar na provisão de Deus em vez de depender exclusivamente de estratégias humanas. Assumir dívidas pode, de fato, ajudar uma igreja a alcançar mais pessoas e integrar-se a um plano estratégico de crescimento, sendo um passo de fé ao confiar na renda futura proporcionada por Deus. Por outro lado, contrair dívidas pode também sobrecarregar a igreja com um compromisso que se revele oneroso e restritivo a longo prazo. É necessário buscar sabedoria para discernir: assumir dívidas é um ato de fé ou de presunção? Cada igreja deve orar por discernimento e responder essa pergunta de acordo com sua realidade.






