Para compreender a verdade absoluta ou universal, precisamos começar definindo o que é verdade. Segundo o dicionário, verdade é “conformidade com os fatos ou a realidade; uma declaração provada ou aceita como verdadeira.” Algumas pessoas afirmam que não há uma realidade verdadeira, apenas percepções e opiniões, enquanto outras defendem que deve existir alguma realidade ou verdade absoluta.
Uma perspectiva defende que não existem absolutos que definam a realidade. Quem adota essa visão acredita que tudo é relativo a algo, impossibilitando a existência de uma realidade objetiva. Por esse motivo, não há, em última análise, absolutos morais ou uma autoridade para determinar se uma ação é positiva ou negativa, certa ou errada. Essa visão leva à “ética situacional”, ou seja, a crença de que o que é certo ou errado depende da situação. Não existe certo ou errado; logo, o que parece ou se sente correto naquele momento e naquela situação, é o correto. Naturalmente, essa ética situacional gera uma mentalidade subjetiva de “o que agradar é o que importa”, causando efeitos devastadores tanto para a sociedade quanto para os indivíduos. Esse é o pós-modernismo, que cria uma sociedade na qual todos os valores, crenças, estilos de vida e reivindicações de verdade são considerados igualmente válidos.
Em contrapartida, há quem defenda que realmente existem realidades e padrões absolutos que definem o que é verdadeiro e o que não é. Dessa forma, podemos determinar se uma ação é certa ou errada com base na medida em que ela se alinha a esses padrões absolutos. Sem absolutos, não haveria realidade e o caos se instauraria. Tome, por exemplo, a lei da gravidade: se ela não fosse absoluta, não teríamos garantia de que poderíamos permanecer em pé ou sentados até decidirmos nos mover. Do mesmo modo, se 2 + 2 não fosse sempre igual a 4, os efeitos na civilização seriam desastrosos. As leis da ciência e da física se tornariam irrelevantes e o comércio seria impossível. Felizmente, 2 + 2 é igual a 4, demonstrando que existe uma verdade absoluta, que pode ser encontrada e compreendida.
Afirmar que não existe verdade absoluta é ilógico. E, mesmo assim, hoje muitas pessoas adotam um relativismo cultural que nega qualquer tipo de verdade absoluta. Uma boa pergunta para aqueles que dizem “não existe verdade absoluta” é: “Você tem absoluta certeza disso?” Se responderem “sim”, estarão fazendo uma declaração absoluta – o que, por si só, implica a existência de absolutos. Estão afirmando que o fato de não existir verdade absoluta é, na verdade, a única verdade absoluta.
Além da autocontradição, há várias questões lógicas que precisam ser superadas para se acreditar que não existem verdades absolutas ou universais. Uma delas é que todos os seres humanos possuem conhecimento limitado e mentes finitas, impossibilitando declarações absolutas negativas de forma lógica. Por exemplo, uma pessoa não pode afirmar logicamente “não existe Deus” (mesmo que muitos o façam), pois para tanto seria necessário possuir conhecimento absoluto de todo o universo, do princípio ao fim. Sendo isso impossível, o máximo que se pode dizer logicamente é: “Com o conhecimento limitado que tenho, não acredito que exista um Deus.”
Outro problema com a negação da verdade absoluta ou universal é que ela não se coaduna com o que sabemos ser verdadeiro por meio de nossas consciências, experiências e observações mundanas. Se não existe algo como verdade absoluta, então nada seria, de fato, certo ou errado. O que pode ser “certo” para você não necessariamente é “certo” para mim. Embora superficialmente essa forma de relativismo pareça atraente, na prática significa que cada pessoa estabelece suas próprias regras de conduta e faz o que julga correto. Inevitavelmente, o senso de certo de uma pessoa logo conflitará com o de outra. Imagine se para mim fosse “certo” ignorar semáforos, mesmo quando estão vermelhos – inúmeras vidas poderiam estar em risco. Ou se eu achasse certo roubar de alguém, enquanto para outra pessoa isso seria inaceitável. Claramente, nossos padrões de certo e errado estariam em conflito. Se não há verdade absoluta, nenhum padrão de certo e errado do qual todos sejamos responsáveis e, assim, nunca teremos certezas. As pessoas seriam livres para fazer o que quisessem – cometer assassinato, estupro, roubo, mentir, trapacear etc. – sem que ninguém pudesse dizer que tais atitudes estão erradas. Sem absolutos, não haveria governo, leis nem justiça, pois não haveria base comum para impor regras à minoria. Um mundo sem absolutos seria o pior cenário imaginável.
Do ponto de vista espiritual, esse tipo de relativismo gera confusão religiosa, removendo a possibilidade de uma única religião verdadeira e inviabilizando um relacionamento correto com Deus. Todas as religiões seriam, portanto, falsas, pois todas fazem reivindicações absolutas sobre a vida após a morte. Hoje, não é raro encontrar pessoas que acreditam que religiões diametralmente opostas podem ser igualmente “verdadeiras”, mesmo que cada uma afirme ser o único caminho para o céu ou ensine verdades completamente opostas. Quem nega a verdade absoluta ignora essas reivindicações e adota um universalismo mais tolerante, que prega a igualdade de todas as religiões e que todos os caminhos levam ao céu. Essa visão se opõe fortemente àqueles que afirmam, com base na Bíblia, que Jesus é “o caminho, a verdade e a vida” e que Ele é a manifestação suprema da verdade, sendo o único caminho para se chegar a Deus. João 14:6.
A tolerância tornou-se a única virtude cardinal na sociedade pós-moderna – a única verdade absoluta –, fazendo com que a intolerância seja vista como o único mal. Qualquer crença dogmática – especialmente a crença em uma verdade absoluta – é considerada intolerância, o pecado supremo. Aqueles que negam a verdade absoluta frequentemente afirmam que é aceitável acreditar no que se quiser, desde que não se tente impor tais crenças aos outros. No entanto, essa própria visão é uma crença sobre o que é certo e errado, e seus defensores, sem dúvida, procuram impô-la aos demais. Eles estabelecem um padrão de comportamento que insistem que os outros sigam, violando justamente o princípio que alegam defender – uma posição auto-contraditória. Quem adota essa crença simplesmente não quer ser responsabilizado por suas ações. Se há verdade absoluta, então existem padrões absolutos de certo e errado, e somos responsáveis por esses padrões. Essa responsabilidade é o que realmente se está rejeitando ao negar a verdade absoluta.
A negação da verdade absoluta ou universal e o relativismo cultural que a acompanha são o resultado lógico de uma sociedade que abraçou a teoria da evolução como explicação para a vida. Se a evolução naturalista é verdadeira, então a vida não tem significado, não temos um propósito e não existe nenhum certo ou errado absoluto. O homem seria então livre para viver como quisesse, sem prestar contas a ninguém por suas ações. Contudo, não importa o quanto os homens pecadores neguem a existência de Deus e da verdade absoluta, um dia eles se apresentarão perante Ele para serem julgados. A Bíblia declara que “…o que pode ser conhecido sobre Deus é manifesto para eles, pois Deus o manifestou. Pois, desde a criação do mundo, os atributos invisíveis de Deus – seu poder eterno e sua natureza divina – têm sido vistos e compreendidos por meio das coisas que foram feitas, de forma que os homens ficam sem desculpa. Apesar de terem conhecido a Deus, não O glorificaram como Deus nem lhe deram graças, mas seus pensamentos se tornaram inúteis, e seus corações insensatos se obscureceram. Embora afirmassem ser sábios, tornaram-se insensatos.” Romanos 1:19-22.
Existe alguma evidência que comprove a existência da verdade absoluta? Sim. Primeiramente, há a consciência humana, aquela “coisa” dentro de nós que nos indica como o mundo deveria ser, mostrando que algumas coisas são certas e outras erradas. Nossa consciência nos convence de que há algo de errado no sofrimento, na fome, no estupro, na dor e no mal, e nos alerta de que amor, generosidade, compaixão e paz são virtudes positivas pelas quais devemos lutar. Essa constatação é universal em todas as culturas e épocas. A Bíblia descreve o papel da consciência humana em Romanos 2:14-16: “Pois, quando os gentios, que não possuem a lei, praticam por natureza o que é exigido por ela, são, mesmo sem possuí-la, lei para si mesmos, demonstrando que os requisitos da lei estão escritos em seus corações, e suas consciências testemunham, ora acusando-os, ora defendendo-os. Isso se cumprirá no dia em que Deus julgar os segredos dos homens por intermédio de Jesus Cristo, conforme declaro em meu evangelho.”
A segunda evidência para a existência da verdade absoluta é a ciência. A ciência é, essencialmente, a busca pelo conhecimento, o estudo do que se sabe e o desejo de aprender ainda mais. Portanto, todo estudo científico precisa estar fundamentado na crença de que existem realidades objetivas no mundo, que podem ser descobertas e comprovadas. Sem a existência de absolutos, não haveria base para o estudo – como saber se as descobertas científicas são reais? De fato, as próprias leis da ciência se apoiam na existência da verdade absoluta.
A terceira evidência para a existência da verdade absoluta ou universal é a religião. Todas as religiões do mundo procuram dar sentido e definição à vida. Elas nascem do desejo humano por algo além da simples existência. Por meio da religião, os seres humanos buscam a Deus, a esperança para o futuro, o perdão dos pecados, a paz em meio às lutas e respostas para as questões mais profundas. A religião é uma evidência de que o homem é mais do que apenas um animal altamente evoluído; ela demonstra a existência de um propósito maior e de um Criador pessoal que implantou no homem o desejo de conhecê-Lo. Se houver, de fato, um Criador, então Ele se torna o padrão da verdade absoluta, e é por Sua autoridade que essa verdade é estabelecida.
Felizmente, existe esse Criador, e Ele revelou Sua verdade por meio de Sua Palavra, a Bíblia. Conhecer a verdade absoluta ou universal só é possível através de um relacionamento pessoal com Aquele que se declara como a Verdade – Jesus Cristo. Jesus afirmou ser o único caminho, a única verdade, a única vida e o único meio de chegar a Deus João 14:6. O fato de que a verdade absoluta realmente existe nos aponta para a realidade de um Deus soberano, que criou os céus e a terra e se revelou a nós para que pudéssemos conhecê-Lo pessoalmente por meio de Seu Filho, Jesus Cristo. Essa é a verdade absoluta.






