Pergunta
Israel e a igreja são a mesma coisa? Deus ainda tem um plano para Israel?
Resposta
Este tema é um dos mais controversos na Igreja atualmente, com implicações significativas sobre a forma como interpretamos as Escrituras, especialmente no que diz respeito aos tempos finais. Mais importante, ele interfere em nossa compreensão da própria natureza e caráter de Deus.
Um dos textos que ilustra essa discussão apresenta a imagem da oliveira. Na passagem, Israel é comparado aos ramos “naturais” que foram cortados da oliveira, enquanto a Igreja é comparada aos “ramos silvestres” que foram enxertados nela. Como Israel é mencionado como ramos, assim como a Igreja, isto indica que nenhum dos grupos representa a “árvore inteira”. Em vez disso, a árvore inteira simboliza o agir de Deus com a humanidade como um todo. Dessa forma, os propósitos de Deus tanto para Israel quanto para a Igreja fazem parte da realização de Seu plano entre os homens. Naturalmente, isso não significa que algum desses propósitos seja insignificante, como muitos comentaristas já ressaltaram: as Escrituras dedicam mais espaço aos propósitos de Deus para Israel e para a Igreja do que para qualquer outro relacionamento.
Desde o início, em Gênesis, Deus revelou que Israel seria o Seu povo escolhido na terra, prometendo a Abraão que ele se tornaria o pai de uma grande nação (os judeus), que possuiria uma terra, seria abençoado acima de todas as nações e que, através dele, todas as outras nações seriam abençoadas. A bênção de Abraão se manifestaria entre os gentios por meio de Jesus Cristo, permitindo que todos recebessem a promessa do Espírito pela fé. Assim, todas as nações do mundo foram abençoadas por intermédio de Israel, através do qual veio o Salvador do mundo.
O plano de redenção de Deus está fundamentado na obra consumada de Jesus Cristo, descendente de Davi e Abraão. Contudo, a morte de Cristo na cruz foi suficiente para os pecados de todo o mundo e não somente para os judeus. As Escrituras ensinam que, assim como Abraão foi justificado por sua fé, aqueles que creem também são considerados filhos de Abraão. Em outras palavras, em Cristo, os crentes são considerados justos pela fé, tornando-se participantes da bênção destinada a Israel e a todas as nações na obra redentora de Cristo. Embora os crentes não se tornem judeus fisicamente, eles podem usufruir dos mesmos benefícios e privilégios concedidos aos judeus.
Essa compreensão não contradiz ou anula a revelação dada no Antigo Testamento. As promessas de Deus contidas nele permanecem válidas, e o relacionamento de Deus com Israel como povo escolhido aponta para a obra redentora de Cristo para o mundo inteiro. A Lei de Moisés ainda é obrigatória para todos os judeus que ainda não aceitaram Cristo como seu Messias. Jesus fez o que eles não conseguiram—cumprir plenamente a Lei. Como crentes do Novo Testamento, não estamos mais sob a maldição da Lei, pois Cristo assumiu essa maldição ao morrer na cruz. Assim, a Lei teve dois propósitos: revelar o pecado e a incapacidade do homem, com base em seu próprio mérito, de superá-lo, e nos apontar para Cristo, que cumpre a Lei, satisfazendo completamente a exigência de perfeição que Deus impõe.
As promessas incondicionais de Deus não são invalidadas pela infidelidade humana. Nada que façamos surpreende a Deus, e Ele não precisa ajustar Seus planos conforme o comportamento humano. Deus é soberano sobre o passado, o presente e o futuro, e o que foi preordenado para Israel e para a Igreja se cumprirá, independentemente das circunstâncias. A descrença de Israel não anula as promessas feitas a eles, pois a fidelidade de Deus permanece intacta, assegurando que tudo o que Ele declarou se cumprirá em tempo certo.
Portanto, as promessas feitas a Israel ainda serão cumpridas no futuro. Podemos ter certeza de que tudo o que Deus disse é verdadeiro, devido ao Seu caráter e consistência. A Igreja não substitui Israel, e é necessário manter clara a distinção entre ambos, conforme revelado nas Escrituras.






