No Sermão do Monte, Jesus diz várias vezes, “Vocês ouviram que foi dito…”, completando com “Mas eu lhes digo…”. Ao utilizar essa fórmula, Ele cria um contraste entre a Lei de Moisés (conforme interpretada pelos fariseus e escribas) e o Seu próprio mandamento. Com isso, Jesus reivindica uma autoridade maior que a dos escribas, mas sem, de maneira alguma, contradizer a Lei.
Fique tranquilo: Jesus não contradisse a Lei em nenhum ponto. No mesmo sermão, Ele deixa claro: “Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir” (Mateus 5:17).
O propósito de Jesus no Sermão do Monte era mostrar que Deus vê o coração e que somos, na verdade, exigidos a um padrão superior do que a mera conformidade externa com um conjunto de regras. Os fariseus ensinavam que, desde que se praticasse o que era certo, era possível ser considerado “santo”. Jesus, porém, afirmou: “Pois eu lhes digo que, a menos que a sua justiça supere a dos fariseus e dos mestres da lei, vocês de forma alguma entrarão no reino dos céus” (Mateus 5:20).
O ensinamento de Jesus enfatiza a necessidade de um coração dedicado a seguir a Deus. Fingir e apenas cumprir os rituais religiosos é desonesto e inócuo, pois Deus percebe as máscaras que usamos (Marcos 7:6). Uma pessoa que aparenta santidade externamente, mas abriga um coração pecaminoso, é um hipócrita. Os fariseus, considerados santos por muitos, eram justamente suspeitos dessa dissimulação. Deus não busca uma prática religiosa externa, mas um coração verdadeiramente dedicado a Ele, já que a santidade nasce de dentro.
Em Mateus 5:21-22, Jesus declara: “Vocês ouviram que foi dito aos antigos: ‘Não matarás, e quem matar estará sujeito a julgamento.’ Mas eu lhes digo que todo aquele que se irritar contra seu irmão estará sujeito a julgamento.” O mandamento externo era “não matar”, o que é, sem dúvida, um bom princípio. Contudo, o equívoco ocorre quando se assume que a responsabilidade para com Deus cessa com a ação física. Jesus destaca que Deus enxerga o coração: se alimentamos o ódio, estaremos tão culpados quanto um assassino. Enquanto os fariseus afirmavam “Eu sou bom; não matei ninguém”, Jesus corrigia esse pensamento, afirmando: “Vocês são culpados, pois há assassinato em seu coração.”
Essa distinção evidencia a diferença entre a letra da Lei e o espírito que a inspira. Guardar apenas a letra da Lei não garante a justiça (Gálatas 2:16), pois nenhum de nós é capaz de cumprir a totalidade dela de maneira perfeita. Deus requer uma transformação interior – é necessário nascer de novo (João 3:7).
Deus procura algo além da prática externa da religião. Embora possamos parecer santos aos olhos dos outros, isso não é o padrão desejado. A Bíblia enfatiza repetidamente a importância da pureza de coração diante dAquele que tudo vê (1 Crônicas 29:17; Salmo 24:4; Salmo 51:10; Mateus 5:8; 2 Timóteo 2:22).
A Lei, que tinha o papel de definir o pecado e delinear a santidade, era boa e apropriada. Jesus não a negou de forma alguma; ao contrário, Ele nos revelou seu verdadeiro propósito. Ao cumprir a Lei, Jesus demonstrou que era o único capaz de obedecê-la por inteiro – inclusive em seu coração – sem cometer pecado (Hebreus 4:15).






