Por que amar os outros é frequentemente tão difícil?

Amar os outros pode ser extremamente difícil às vezes. Uma expressão comum para se referir àquelas pessoas que constantemente nos desafiam a amar é “pessoas que requerem graça extra”. Mas mesmo aqueles por quem temos um carinho natural podem, em determinadas ocasiões, se mostrar difíceis de amar. A principal razão para essas dificuldades é o pecado – tanto o nosso quanto o dos que tentamos amar. Somos seres humanos caídos e, sem a intervenção e o poder de Deus, agimos de forma egoísta, achando que é mais fácil amar a nós mesmos do que os demais. Contudo, o amor não é egoísta; ele busca o melhor para o próximo. Lutar contra o nosso egoísmo e tendências pecaminosas, ao mesmo tempo em que lidamos com o mesmo nos outros, pode tornar o ato de amar uma tarefa árdua.

Outra razão para a dificuldade em amar os outros é a nossa má compreensão do que é o amor verdadeiro. Costumamos pensar no amor como algo predominantemente emocional, mas nem sempre conseguimos controlar as emoções – embora possamos controlar nossas ações decorrentes delas. No entanto, o tipo de amor ao qual Deus nos chama é o mesmo que Ele tem por nós: é o amor ágape, cuja essência é o sacrifício. Deus nos ama de forma sacrificial, chegando até a se entregar na cruz pelos nossos pecados. Ele não nos salvou porque fôssemos amáveis, mas porque Seu amor O levou a se sacrificar por nós. Amar os outros de fato exige uma decisão de vontade e determinação, independentemente do que o coração possa sentir.

Deus deu Sua vida por nós em nossos piores momentos, mesmo em meio aos nossos pecados, quando éramos totalmente indignos de amor. Ao nos sacrificar para amar alguém, temos um vislumbre da profundidade do amor que Deus tem por nós e refletimos esse amor para o mundo. Jesus ordenou a Seus discípulos que se amassem mutuamente – uma ordem que exige ação, não apenas sentimento.

Parte da dificuldade de amar os outros está na tendência de tentarmos forjar sentimentos que nem sempre existem, o que pode levar à hipocrisia e a uma atuação meramente aparente enquanto o coração se mostra distante. É preciso entender que não podemos amar sem estar enraizados em Deus. É na nossa permanência em Jesus e na ação do Espírito Santo em nosso interior que conseguimos manifestar o verdadeiro fruto do amor. Deus é amor e nosso amar ao próximo é tanto capacitado por Ele quanto uma resposta ao Seu amor que habita em nós. Confiar plenamente em Deus e entregar-nos a Ele pode ser desafiador, mas essa própria dificuldade serve para evidenciar Sua glória de forma ainda mais marcante. Ao escolhermos amar pessoas difíceis ou amar mesmo quando a vontade não manda, demonstramos nossa total confiança em Deus e permitimos que Seu poder se manifeste em nós.

Amar os outros é desafiador porque somos humanos, com todas as nossas imperfeições. No entanto, justamente nessa dificuldade aprendemos a valorizar ainda mais a qualidade do amor de Deus por nós. E ao amar os outros, mesmo quando parecem indignos de amor, permitimos que o Espírito de Deus brilhe, levando glória a Ele, edificando vidas e revelando Cristo por meio de nós.

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