Questão
Jesus era rico ou abastado?
Resposta
Como a segunda pessoa da Trindade, Jesus é tão rico quanto Deus. De fato, nosso Senhor possui tudo e detém todo o poder, autoridade, soberania, glória, honra e majestade. No entanto, durante o tempo em que esteve na Terra, Ele abdicou voluntariamente de Suas riquezas eternas e de grande parte dos privilégios de Sua divindade, assumindo a natureza de um servo humilde e modesto. Quando nosso Salvador suportou os tormentos da cruz por nós, Seus bens terrenos reduziam-se unicamente às vestes que os soldados repartiram após Sua crucificação.
Infelizmente, há muitos pregadores da prosperidade que querem convencer as pessoas de que Jesus era rico enquanto esteve na Terra e de que Deus deseja agraciar Seus filhos com uma abundância de bênçãos materiais. Afinal, a imagem de um Jesus abastado facilitaria a persuasão de que também devemos alcançar a riqueza. Contudo, a ideia de um Cristo materialmente rico é totalmente incompatível com a verdade bíblica. Durante Seu ministério, tanto Ele quanto Seus discípulos dependiam inteiramente da hospitalidade alheia enquanto percorriam as cidades.
É lamentável que esse falso ensino acerca da riqueza de Cristo e o “evangelho da ganância” tenham ganhado espaço nas igrejas atuais. Como Salomão ensinou ao afirmar que “não há nada de novo debaixo do sol”, é possível notar que o apóstolo Paulo também advertiu suas congregações, exortando-as a se afastarem daqueles que, ao promover divisões e obstáculos contrários ao verdadeiro ensino, serviam tão somente aos seus próprios desejos. Em sua primeira carta a Timóteo, Paulo alerta que a busca desenfreada pela riqueza pode levar à ruína, enfatizando que o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males e que, em sua ganância, muitos se afastaram da fé e se feriram com inúmeras dores.
O Novo Testamento está repleto de lições em que Jesus repreende os ricos e louva os pobres. Ele ensinou que “a vida de um homem não consiste na abundância dos seus bens” e instruiu a não “acumularmos tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, nem onde ladrões minam e roubam, mas sim a acumulá-los no céu, onde nem a traça nem a ferrugem destroem”. Nosso Senhor, que conhece o íntimo dos corações, está ciente da ilusão perniciosa das riquezas e do grande obstáculo que o apego aos bens materiais pode representar. Assim, seria um paradoxo – e certamente diluiria a mensagem do evangelho – se Jesus Cristo pertencesse à classe dos ricos, pois, como Ele próprio ensinou, aqueles que se apegam às riquezas terão grande dificuldade para “entrar no reino dos céus”.






