O evangelismo porta a porta é um método eficaz?

A evangelização porta a porta é um método eficaz?

Quando se fala em evangelização porta a porta, as pessoas invariavelmente pensam nos Testemunhas de Jeová e, em menor escala, nos Santos dos Últimos Dias (Mórmons). Enquanto apenas uma pequena parte dos mórmons realiza dois anos de trabalho missionário, todos os Testemunhas de Jeová – baptizados ou não – são chamados a participar dessa obra. Eles são conhecidos como “publicadores” e precisam prestar contas de suas atividades, registrando o número de horas gastas mensalmente visitando residências e conduzindo estudos bíblicos com os interessados.

Em 2012, com 7,5 milhões de publicadores, os Testemunhas de Jeová registraram mais de 260 mil batismos. Em média, são necessárias 6.500 horas de trabalho para realizar um batismo. Dessa forma, a evangelização porta a porta é uma atividade extremamente trabalhosa.

Jesus comissionou Seus seguidores a fazer discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a obedecer a tudo o que Ele havia ordenado. A Grande Comissão não é uma opção – é uma ordem. Se mais cristãos estivessem dispostos a compartilhar o evangelho com a mesma dedicação com que os Testemunhas de Jeová promovem seus ensinamentos, o impacto certamente seria imenso. Mas será que a abordagem porta a porta é o caminho certo?

Como Jesus e Seus discípulos procederam em Seu ministério? Não parece que eles foram de porta em porta, sem serem convidados. De fato, Jesus enviou Seus seguidores em duplas para preparar o caminho, para que Ele pudesse pregar nas cidades e vilarejos ao redor, mas jamais os instruiu a bater de porta em porta. Em um ensinamento, Jesus orientou: “Não levem bolsa, nem sacola, nem sandálias; e não cumprimentem ninguém pelo caminho. Quando entrarem em uma casa, digam primeiramente: Paz a esta casa. Se houver um homem de paz aí, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vocês. Fiquem naquela casa, comendo e bebendo o que lhes oferecerem, pois o trabalhador merece o seu salário. Não se movam de uma casa para outra.” Assim, os discípulos de Jesus não percorriam as ruas sem convite; eles entravam em casas onde eram bem recebidos e permaneciam com as famílias, compartilhando as boas novas sobre Cristo.

Após o encontro com a mulher samaritana junto ao poço, ela ficou tão impressionada com as palavras de Jesus que voltou para sua cidade e convenceu muitos a irem conhecer o Jesus de Nazaré. Muitos samaritanos creram Nele por causa do testemunho da mulher, que persuadiu Jesus a permanecer com eles por dois dias, levando muitos outros à fé. Vale destacar que Jesus e Seus discípulos não iniciaram sua missão no vilarejo samaritano com uma abordagem porta a porta.

Da mesma forma, os primeiros cristãos não se dedicavam a ir de porta em porta. Os cristãos judeus da Jerusalém primitiva se reuniam diariamente no templo e ensinavam uns aos outros em suas casas sempre que possível. O apóstolo Paulo, inclusive, conversava com desconhecidos no mercado sobre Cristo – o que é o mais próximo que encontramos nas Escrituras de uma abordagem semelhante à de bater à porta.

Não há nada intrinsecamente errado em ir de porta em porta, pois essa prática pode gerar resultados e cada alma que chega a Cristo é motivo de gratidão. Contudo, não existe um precedente bíblico explícito para esse método específico.

Provavelmente, a forma mais eficaz de evangelismo é o diálogo pessoal com amigos, vizinhos e colegas de trabalho – o tipo de evangelismo que Filipe exemplificou ao se aproximar de pessoas de maneira natural e amistosa. Quando os cristãos constroem uma relação de confiança, ganham o direito de serem ouvidos. Convidar pessoas para ir à igreja ou participar de estudos bíblicos em lares de outros cristãos também é uma boa estratégia para compartilhar o evangelho. Além disso, a maneira como vivemos e demonstramos nossa piedade revela de forma poderosa o poder transformador do amor de Deus.

Um exemplo marcante de evangelismo pode ser visto na história da jovem judia capturada e enviada como serva para a esposa de Naamã na Síria. Sua fé no Deus de Eliseu a levou a falar espontaneamente sobre os milagres realizados por Ele. A sua convicção e cuidado com a saúde de Naamã não apenas resultaram na cura dele, mas também em sua conversão a Javé.

Todos os cristãos precisam estar preparados para compartilhar a boa nova. Mesmo que nem todos sejamos mestres ou pregadores, a gratidão pela salvação recebida nos impulsiona a contar aos outros o que Deus fez por nós. Seja por meio de visitas porta a porta, da distribuição de folhetos ou do evangelismo por meio da amizade, é fundamental que continuemos a compartilhar o evangelho – pois Jesus nos comanda, o dever nos exige e a gratidão nos impulsiona.

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