O que a Bíblia diz sobre atitude?
Escrevendo a partir de uma cela em Roma, o apóstolo Paulo nos ensina sobre a atitude que um cristão deve ter: “Seja o que for que aconteça, conduzam-se de maneira digna do evangelho de Cristo.” Essa afirmação remete à possibilidade de Paulo poder ou não visitar os filipenses, e ele exorta para que, independentemente disso, os crentes permaneçam firmes num só Espírito, esforçando-se juntos pela fé do evangelho.
Independentemente das interrupções inesperadas, frustrações ou dificuldades que surgirem, devemos responder com uma postura cristã. É necessário permanecer firme e focado na fé. Paulo reforça que a nossa atitude deve ser a mesma de Jesus Cristo, demonstrando humildade e abnegação nos relacionamentos, imitando e refletindo o comportamento do Senhor.
Jesus manteve uma postura perfeita em todas as situações. Ele orava sobre tudo e não se preocupava, buscando a orientação de Deus para cada aspecto de Sua vida e permitindo que a vontade perfeita se realizasse. Sua atitude jamais foi defensiva ou desanimada; o Seu objetivo sempre foi agradar ao Pai, e não seguir uma agenda própria. Em meio às provações, demonstrou paciência; no sofrimento, esperança; nas bênçãos, humildade; e, mesmo diante do ridículo, abuso e hostilidade, jamais reagiu com ameaça ou retaliação, confiando plenamente na justiça divina.
Quando Paulo afirma que nossa atitude precisa ser a de Cristo, ele resume os valores que devemos refletir: abnegação, humildade e serviço. Ele nos exorta a agir sem ambição egoísta ou vaidade, mas a considerar os outros superiores a nós mesmos, olhando não apenas para nossos interesses, mas também para os do próximo. Em outras palavras, a postura cristã é aquela que se preocupa com as necessidades e interesses dos outros. Embora esse comportamento não seja natural para nós, Cristo veio ao mundo para estabelecer um novo paradigma nos relacionamentos humanos.
Em uma ocasião, quando Seus discípulos discutiam sobre quem seria o maior no reino, Jesus ensinou que, ao contrário dos governantes deste mundo – que exercem autoridade sobre os outros –, entre os Seus seguidores, quem deseja ser grande deve se tornar servo, e quem quer ser o primeiro, servo de todos. Assim como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos, somos chamados a abandonar o foco em nossos próprios interesses para dedicarmos verdadeiro cuidado ao próximo.
Paulo aprofunda essa atitude em sua carta à igreja em Éfeso, explicando que os crentes devem abandonar o antigo modo de viver, corrompido pelos desejos enganosos, e renovar a mente, revestindo-se de uma nova natureza, criada para ser semelhante a Deus em retidão e santidade. Muitas filosofias atuais, inclusive algumas vertentes da Nova Era, propagam a ilusão de que somos divinos ou que podemos nos tornar deuses. No entanto, a verdade é que jamais nos equipararemos ao Criador, pois tentar controlar nossas circunstâncias, nosso futuro e as pessoas ao nosso redor é demonstrar o desejo de assumir uma condição divina.
Deus não quer que nos tornemos deuses, mas que nos pareçamos a Ele – adotando Seus valores, atitudes e caráter. Somos chamados a renovar nossas mentes e a nos revestir da nova natureza, criada para refletir a verdadeira retidão e santidade.
Por fim, é importante lembrar que o objetivo final de Deus para Seus filhos não é meramente nosso conforto, mas a transformação de nossas mentes para que reflitam a atitude de piedade. Ele deseja que cresçamos espiritualmente e nos tornemos cada vez mais parecidos com Cristo, sem perder nossa personalidade, mas permitindo que nossas mentes sejam transformadas. Dessa forma, deixamos de nos conformar com este mundo e passamos a discernir a vontade de Deus, que é boa, agradável e perfeita.
Deus quer que cultivemos uma mentalidade alinhada com as bem-aventuranças de Jesus, que manifestemos o fruto do Espírito, que pratiquemos os princípios do amor e que vivamos de maneira produtiva e eficaz em todas as áreas de nossas vidas.






