O que é o livro de Baruch?

O que é o livro de Baruch?

O Livro de Baruch faz parte do que é considerado os escritos Apócrifos/Deuterocanônicos e aparece no Antigo Testamento das Bíblias católicas. Com exceção de algumas Bíblias episcopais ou luteranas, o Livro de Baruch e outros livros dos Apócrifos não constam nas Bíblias protestantes. Apócrifo significa “oculto” e deuterocanônico significa “segundo listado”. Os livros dos Apócrifos foram escritos principalmente durante os aproximadamente 400 anos entre a composição dos livros do Antigo e do Novo Testamento, o chamado período intertestamentário. Baruch é um dos 12 a 15 livros geralmente reconhecidos como parte desses escritos.

Controvérsias cercam os Apócrifos quanto à questão de serem de origem divina ou inspirados por Deus. Por exemplo, alguns estudiosos observam que Jesus nunca citou versículos dos Apócrifos, embora frequentemente tenha referido passagens de muitos livros do Antigo Testamento. Muitos dos livros apócrifos contêm imprecisões históricas ou geográficas e ensinam doutrinas consideradas equivocadas (como o Livro de Tobias, que afirma que boas obras conduzem à salvação). Além disso, as Escrituras judaicas nunca incluíram esses documentos como escritos sagrados.

Em resposta à Reforma, a Igreja Católica, após séculos de reconhecimento parcial desses escritos, canonizou os Apócrifos no Concílio de Trento, em 1546, em parte para fornecer uma justificativa “bíblica” para doutrinas não encontradas nos escritos originalmente canônicos – como a oração pelos mortos, o purgatório e a salvação por meio da esmola. Foi durante a Reforma que a validade doutrinária passou a ser julgada com base no princípio da sola scriptura (Somente a Escritura). Assim, ao aceitar escritos dos Apócrifos que mencionavam práticas ausentes na Escritura original, a Igreja Católica pôde sustentar sua posição teológica e a validade dessas doutrinas em um período turbulento.

A Igreja Católica utiliza Baruch 3:9-37 como parte de sua liturgia do Sábado Santo durante a Paixão (Tempo Pascal). Essa porção, que fala sobre a obtenção e o desejo pela sabedoria, conclui com um versículo que faz referência a Cristo vivendo entre nós. A Igreja Ortodoxa inclui Baruch entre as leituras do Antigo Testamento durante os serviços da véspera de Natal. Alguns teólogos cristãos primitivos citaram trechos do livro, como Tomás de Aquino, Clemente de Alexandria e Hilário de Poitiers.

A Bíblia relata que Baruch foi secretário de Jeremias, tendo escrito as palavras do profeta em um rolo (Jeremias 36:4). No Livro de Baruch, os temas centrais são a desobediência de Israel a Deus, o exílio dos judeus na Babilônia como consequência de seu comportamento, a ação justa de Deus, a necessidade de arrependimento, a importância de honrar e obedecer à Palavra de Deus e o apelo por Sua misericórdia. No primeiro capítulo, afirma-se que Baruch leu este livro em voz alta para o rei Jeconias de Judá (Baruch 1:3). Jeconias também é mencionado no Antigo Testamento como alguém que praticou o mal aos olhos do Senhor, assim como seu pai, Jeoiaquim (2 Reis 25:8).

Considerado um livro profético, Baruch foi incluído tanto na Septuaginta quanto na Bíblia Vulgata. Em muitas versões, a Carta de Jeremias é acrescentada como um sexto capítulo, enquanto em outras, Baruch se encerra com um curto quinto capítulo composto por nove versículos.

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