O que a Bíblia diz sobre a música?

O que a Bíblia diz sobre a música?

A música é uma parte inerente a toda sociedade. Os sons sobrenaturais do canto de garganta na Mongólia e na Sibéria são tão importantes para as suas culturas quanto Bach é para as culturas europeias ou como a música com percussão, dança e canção são para as culturas dos nativos americanos. Sendo a música tão significativa na vida, não é de se surpreender que a Bíblia fale muito sobre ela; de fato, o livro mais extenso da Bíblia é o seu livro de cânticos – Salmos.

Os Salmos representam mais de 7% do Antigo Testamento. Além dos Salmos, existem outros livros focados em cânticos e poesias, como Cântico dos Cânticos, Eclesiastes, entre outros. No Novo Testamento, há letras de hinos registrados em Apocalipse 5, 7 e 15; há a menção de Jesus e dos discípulos cantando em Mateus 26:30; e o exemplo dos apóstolos cantando em Atos 16:25. Muitas pessoas também consideram o Magnificat, de Lucas 1:46–55, e o anúncio dos anjos em Lucas 2:14 como cânticos. A igreja é orientada a se comunicar mutuamente “com salmos, hinos e cânticos espirituais. Cantem e entoem salmos ao Senhor de coração” (Efésios 5:19).

Músicos e a música registrada no Antigo Testamento

A primeira referência a um músico na Bíblia encontra-se em Gênesis 4:21. Jubal, da quarta geração a partir de Adão por meio de Caim, é descrito como “o pai de todos os que tocam a lira e a flauta.” Outras referências antigas à música incluem Êxodo 15, que relata Moisés e os israelitas cantando um cântico de vitória após a derrota do exército egípcio no Mar Vermelho. Naquela ocasião, Miriam, irmã de Moisés, conduzia as mulheres israelitas “com pandeiros e danças” enquanto cantava. Quando Jefté retornou da batalha, sua filha o recebeu com pandeiros e danças, conforme descrito em Juízes 11:34. As vitórias de Davi também foram celebradas em cânticos (1 Samuel 18:6–7).

Dois dos personagens mais importantes do Antigo Testamento são creditados com a autoria de cânticos: Moisés e Davi. Moisés tem três canções registradas na Bíblia: o cântico entoado após a destruição do exército de Faraó (Êxodo 15:1–18); um cântico que narra a fidelidade de Deus e a rebeldia de Israel, entoado diante de todo o povo antes de sua morte (Deuteronômio 32:1–43); e uma oração registrada em Salmo 90.

Davi, “o doce salmista de Israel” (2 Samuel 23:1), é creditado com a autoria de cerca de metade dos 150 cânticos registrados nos Salmos, além de outros encontrados em livros históricos. Ele foi o músico oficial na corte de Saul (1 Samuel 16:14–23). Durante o reinado de Davi, foram organizados músicos levíticos, e 1 Crônicas 15:16 e 23:5 registram que mais de um em cada dez levitas no serviço do templo eram músicos.

Outros músicos mencionados incluem Asafe (autor de doze salmos), os filhos de Corá (dez salmos), Salomão (dois salmos e 1.005 outros cânticos, conforme 1 Reis 4:32 e o Cântico dos Cânticos), Heman (um salmo) e Etã (um salmo).

A música era utilizada em diversas atividades (Gênesis 31:27; Êxodo 32:17–18; Números 27:17; Juízes 11:34, 11:35; Isaías 16:10; Jeremias 48:33). Ela era empregada em coroações (1 Reis 1:39–40; 2 Reis 11:14; 2 Crônicas 13:14; 20:28), em eventos da corte real (2 Samuel 19:35; Eclesiastes 2:8) e em festas (Isaías 5:12; 24:8–9). É interessante notar a conexão entre a música e o sobrenatural: trombetas soaram quando os muros de Jericó caíram (Josué 6:1–20); e Davi tocava sua harpa para acalmar Saul durante ataques demoníacos (1 Samuel 16:14–23).

Para informações mais técnicas sobre a música hebraica, recomenda-se a leitura de livros de Eric Werner e Abraham Zevi Idelsohn, ambos excelentes estudiosos do assunto.

Músicos e a música registrada no Novo Testamento

Dois dos Evangelhos mencionam que Jesus e Seus discípulos cantaram um hino ao fim da Última Ceia (Mateus 26:30 e Marcos 14:26). Em outras passagens dos Evangelhos, a música aparece no contexto do luto (Mateus 9:23) e da celebração (Lucas 15:25).

Paulo deu instruções sobre o uso da música durante as reuniões cristãs em Efésios 5:19 e Colossenses 3:16. Em Efésios, ver-se-á que dirigir-se uns aos outros com hinos e cânticos indica ser cheio do Espírito. Em Colossenses, essa atitude é sinal de estar repleto da Palavra de Cristo, e os cânticos emanam “do Espírito.” Em Tiago 5:13 há a seguinte orientação: “Alguém está alegre? Que cante louvores.”

Música na Bíblia – Conclusão

Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento abordam a música e apoiam fortemente seu uso no culto. A extensa antologia de cânticos presentes no Antigo Testamento evidencia a importância e o valor que Deus confere à expressão musical criativa. O uso da música no culto da igreja atual é valioso e pode honrar a Deus de maneira especial. A música é uma ferramenta de comunicação. Não há instruções no Novo Testamento quanto ao tipo de instrumento a ser utilizado (ou não utilizado), nem é recomendado ou proibido algum “estilo” musical específico. A orientação simples é cantar “ao Senhor com gratidão no coração” (Colossenses 3:16).

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