O que a Bíblia diz sobre lidar com uma doença terminal?

Pergunta

Resposta

Certamente, pode ser difícil aceitar algumas das dolorosas reviravoltas que a vida nos apresenta. Poucas coisas tocam a alma humana tanto quanto a notícia de um diagnóstico de doença terminal. Em primeiro lugar, saiba que Jesus se importa. Nosso Salvador chorou quando Seu querido amigo Lázaro morreu e Seu coração foi tocado pela tristeza da família de Jairo.

Jesus não só se importa; Ele está próximo para ajudar Seus filhos. Nosso Deus é uma “ajuda sempre presente nas tribulações” (Salmo 46:1). O Espírito Santo, o Consolador dos nossos corações, habita em nós e jamais nos abandonará (João 14:16).

Jesus nos avisou que, nesta vida, enfrentaríamos dificuldades (João 16:33) e, absolutamente, ninguém fica isento (Romanos 5:12). No entanto, lidar com qualquer grau de sofrimento torna-se mais fácil quando compreendemos o plano global de Deus para redimir este mundo caído. Pode ser que não tenhamos garantida a saúde física nesta vida, mas aqueles que confiam em Deus têm a segurança espiritual prometida por toda a eternidade (João 10:27-28). Nada pode tocar a alma.

É importante lembrar que nem tudo o que nos acontece de ruim é resultado direto do nosso pecado. Ter uma doença terminal não é prova de julgamento de Deus sobre o indivíduo. Recorde o episódio em que Jesus e Seus discípulos encontraram um homem cego de nascença. Eles perguntaram: “Rabi, quem pecou, este homem ou seus pais, para que ele nascesse cego?” Jesus respondeu: “Nem este homem nem seus pais pecaram; mas isso aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele” (João 9:2-3, ênfase acrescentada). Da mesma forma, os três amigos de Jó tinham a convicção de que sua calamidade era resultado de pecado, estando, assim como os discípulos de Cristo, completamente equivocados.

Talvez nunca compreendamos as razões para as provações específicas que enfrentamos nesta vida, mas uma coisa é certa – para aqueles que amam a Deus, as dificuldades operam a seu favor e não contra eles (Romanos 8:28). Além disso, Deus nos concederá a força necessária para suportar qualquer provação (Filipenses 4:13).

Nossa existência terrena é, no melhor dos casos, como uma “névoa” e é por isso que Deus colocou a eternidade em nossos corações (Eclesiastes 3:11). O plano de Deus para Seus filhos inclui a morte, a qual é “preciosa aos olhos do Senhor” (Salmo 116:15).

Em última análise, a vontade de Deus para nós é glorificá-Lo e crescer espiritualmente. Ele deseja que confiemos e dependamos Dele. A maneira como reagimos às nossas provações, inclusive ao desafio de uma doença terminal, revela exatamente a natureza da nossa fé. As Escrituras nos ensinam a oferecer nossos corpos como sacrifícios vivos (Romanos 12:1). De fato, “morrer para si mesmo” é um requisito para aqueles que desejam seguir Jesus Cristo (Lucas 14:27). Isso significa submeter completamente os nossos desejos àqueles do Senhor. Assim como Cristo no Getsêmani, “minha” vontade precisa se transformar em “Tua” vontade.

O autor de Hebreus nos exorta a considerar o sofrimento que nosso Salvador suportou, para que não nos cansemos ou desanimemos em nossas próprias provações. Foi “pelo gozo que estava diante d’Ele” que Cristo suportou o sofrimento da cruz. Esse “gozo”, para Ele, estava em obedecer à vontade do Pai, reconciliar Seu Pai com a criação e ser exaltado à direita do trono de Deus. Da mesma forma, as nossas provações podem se tornar mais suportáveis quando ponderamos o “gozo” que nos é reservado. Nossa alegria pode surgir ao compreender que é por meio dos testes que Deus nos transforma à semelhança de Seu Filho (Jó 23:10; Romanos 8:29). O que percebemos como dor, desconforto e incerteza, nosso Pai soberano – que ordena ou permite cada acontecimento durante o nosso tempo na Terra – vê como uma transformação. Nosso sofrimento jamais é sem sentido, pois Deus o utiliza para nos mudar, para ministrar aos outros e, em última instância, para trazer glória ao Seu nome.

Paulo nos lembra que os problemas terrenos, que duram apenas um curto período, são insignificantes se comparados à nossa glória eterna (2 Coríntios 4:17-18). Um teólogo comentou que “Deus nunca será devedor a ninguém. Qualquer sacrifício realizado ou dificuldade suportada por causa d’Ele e por meio do Seu Espírito será abundantemente recompensada, em proporção ao que sofremos.”

Se você foi diagnosticado com uma doença terminal, receba este conselho com humildade: certifique-se de que você é verdadeiramente um filho de Deus, tendo confiado em Jesus como seu Salvador (Romanos 10:9-10). Em seguida, como foi instruído a Ezequias, “coloque sua casa em ordem” (Isaías 38:1); ou seja, garanta que documentos importantes, como o testamento, estejam preparados e que as demais providências necessárias sejam tomadas. Se houver relações rompidas, faça o possível para repará-las. Use o tempo que ainda lhe resta para crescer espiritualmente e ministrar aos outros. Continue a depender do poder de Deus para a sua força diária e, à medida que o Senhor lhe conceder graça, agradeça-Lhe até mesmo pelo “espinho na carne” (2 Coríntios 12:7-10). Por fim, encontre conforto na promessa de Jesus de vida e paz eternas: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não a dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14:27).

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