Pergunta
O que a Bíblia diz sobre o legalismo? Como um cristão pode evitar cair na armadilha do legalismo?
Resposta
A palavra “legalismo” não aparece na Bíblia. Trata-se de um termo usado para descrever uma posição doutrinária que enfatiza um sistema de regras e regulamentos para se alcançar tanto a salvação quanto o crescimento espiritual. Os legalistas acreditam e exigem uma adesão estrita e literal às regras, posicionando-se essencialmente contra a graça. Aqueles que adotam uma postura legalista frequentemente não percebem o verdadeiro propósito da lei, especialmente a Lei Mosaica do Antigo Testamento, que foi instituída para nos conduzir a Cristo.
Mesmo os verdadeiros crentes podem se tornar legalistas. Somos chamados a ser graciosos uns com os outros, aceitando aqueles cuja fé é fraca e evitando julgamentos sobre questões controversas. Contudo, há quem se apegue tão obstinadamente a doutrinas não essenciais a ponto de expulsar outros da comunhão, sem sequer permitir a expressão de pontos de vista diferentes. Muitos crentes legalistas cometem o erro de demandar uma adesão irrestrita às suas próprias interpretações bíblicas ou tradições. Por exemplo, alguns acreditam que, para ser verdadeiramente espiritual, é necessário apenas evitar o tabaco, bebidas alcoólicas, danças, cinema e afins – uma postura que, na verdade, não garante a espiritualidade.
O apóstolo Paulo nos alerta contra o legalismo ao questionar por que, tendo morrido com Cristo aos princípios elementares deste mundo, nos submetemos às regras impostas por costumes humanos, que parecem sábias e promovem uma adoração voluntária, falsa modéstia e rigor físico, mas que nada aproveitam na contenção dos apetites carnais. Embora os legalistas possam aparentar ser justos e espirituais, o legalismo não cumpre os propósitos de Deus, pois se trata de uma manifestação externa que falha em promover uma transformação interna.
Para evitar cair na armadilha do legalismo, devemos nos apegar às palavras do apóstolo João: “Pois a lei foi dada por intermédio de Moisés; mas a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo”, lembrando também de sermos graciosos com nossos irmãos e irmãs. Somos advertidos para não julgar o servo alheio, pois cada um prestará contas a seu próprio senhor, e que todos compareceremos perante o tribunal de Deus.
Entretanto, uma palavra de cautela é necessária. Embora devamos ser graciosos e tolerantes diante de divergências em questões não essenciais, isso não significa que a heresia possa ser aceita. Somos exortados a defender a fé que foi entregue aos santos e, ao exercitarmos essa defesa com amor e misericórdia, estaremos protegidos tanto do legalismo quanto da heresia. É essencial, portanto, examinar os espíritos com discernimento, pois muitos falsos profetas têm surgido no mundo.






