O que é a arca da aliança?

Pergunta

Resposta

Deus estabeleceu uma aliança condicional com os filhos de Israel por intermédio de Seu servo Moisés. Ele prometeu bênçãos a eles e aos seus descendentes, desde que obedecessem a Seus mandamentos, mas advertiu sempre sobre o desespero, a punição e a dispersão em caso de desobediência. Como sinal dessa aliança, o Senhor ordenou que os israelitas construíssem uma caixa segundo o Seu modelo, destinada a abrigar as tábuas de pedra contendo os Dez Mandamentos. Essa caixa, ou arca, deveria ser guardada no santuário interno do tabernáculo no deserto e, posteriormente, no templo erguido em Jerusalém, passando a ser conhecida como a arca da aliança.

Moisés instruiu Bezalel, o artesão ungido por Deus, a elaborar a arca da aliança. Ela foi concebida como uma caixa retangular de madeira de acácia, recoberta por dentro e por fora com ouro puro, medindo aproximadamente 114 cm de comprimento, 69 cm de largura e 69 cm de altura. A caixa possuía dois pares de anéis de ouro fixados em seus lados, sobre os quais varas permanentes eram inseridas para o seu transporte. Ninguém deveria tocar na arca, a fim de preservar a reverência à santidade de Deus. Essas mesmas varas também eram feitas de madeira de acácia e revestidas de ouro.

A arca da aliança foi construída para guardar as duas tábuas da lei entregues a Moisés por Deus, que também eram conhecidas como “o testemunho”. Em hebraico, a palavra para “testemunho” abrange tanto os termos da aliança escritos nas tábuas quanto a aliança propriamente dita. Posteriormente, Moisés fez com que Arão colocasse dentro da arca um vaso com maná – para relembrar a fidelidade de Deus ao prover o pão milagroso – e o cajado de Arão, que havia florescido como sinal contra a rebelião.

Um tampo, chamado de “assento da misericórdia” ou “lugar da expiação”, foi elaborado para cobrir a caixa. Feito inteiramente de ouro puro, esse tampo cobria toda a sua extensão. Nele, foram moldados dois querubins, também de ouro, dispostos em cada extremidade, de forma que o tampo se constituísse em uma peça única. Os querubins voltavam seus rostos um para o outro, com as asas estendidas, simbolizando a proteção e a proximidade de Deus.

A real importância da arca da aliança estava no assento da misericórdia. Em hebraico, essa expressão significa “cobertura, expiação ou lugar da reconciliação”. Anualmente, o sumo sacerdote adentrava o santo dos santos, onde a arca era guardada, para expiar os seus pecados e os do povo israelita, aspergindo, em sete ocasiões, o sangue de touros e cabritos sacrificados sobre o assento. Essa expiação, realizada no Dia da Expiação, acalmava a ira de Deus perante os pecados cometidos.

O tampo da arca era chamado de “assento” porque representava o trono sagrado de Deus. Ali, o Senhor se comunicava com Moisés entre os querubins alados. Foi neste mesmo local, onde o sangue sacrificial era aspergido e a misericórdia divina se manifestava, que se realizava a única expiação possível.

O assento da misericórdia, presente na arca, simbolizava a antecipação do sacrifício supremo por todos os pecados — o derramamento do sangue de Cristo na cruz para a remissão dos pecados. O apóstolo Paulo, ex-fariseu e conhecedor do Antigo Testamento, destacou essa verdade ao afirmar que Cristo se tornou nossa cobertura para os pecados, proporcionando redenção e reconciliação por meio do Seu sacrifício, recebido pela fé.

Assim como havia apenas um local para a expiação dos pecados no Antigo Testamento — o assento da misericórdia na arca da aliança —, há somente um local para a reconciliação no Novo Testamento: a cruz de Jesus Cristo. Hoje, os cristãos não mais se voltam para a arca, mas para o próprio Senhor Jesus, que purifica, remedia e reconcilia os nossos pecados.

Durante a jornada dos israelitas, do Monte Sinai à Terra Prometida, a arca da aliança era transportada à frente do povo pelo deserto, servindo como um lembrete constante da presença viva e santa de Deus. A arca também teve papel central na entrada de Israel na Terra Prometida e na vida do povo estabelecido ali.

Porém, com o tempo, Israel perdeu de vista o verdadeiro significado da arca. Em meio a um confronto contra os filisteus, quando os israelitas enfrentaram derrotas, em vez de reconhecerem a raiz do problema — o pecado —, levaram a arca para a batalha, tratando-a como um mero talismã ou símbolo cerimonial de auxílio divino. Como resultado, sofreram nova derrota, e Deus permitiu que os filisteus capturassem a arca. Contudo, após sofrerem severos castigos, os filisteus acabaram por devolvê-la.

Posteriormente, o rei Davi mandou trazer a arca para Jerusalém e, quando seu filho Salomão concluiu a construção do templo, a arca e todos os objetos sagrados do tabernáculo foram alojados no templo.

A Bíblia não informa com precisão quando a arca da aliança se perdeu na história. Há especulações de que ela tenha sido destruída ou removida em meio a diversos saques. A última referência à sua localização nas Escrituras ocorre quando o rei Josias ordena que os guardiões da arca a devolvam ao templo em Jerusalém. Ela não é mencionada entre os despojos levados para o exílio.

As origens da arca da aliança de Israel permanecem tão misteriosas e fascinantes quanto seu paradeiro e destino final. Arqueólogos e caçadores de tesouros vêm buscando-a há séculos. Em uma visão apocalíptica, João a retrata como parte do futuro templo celestial; contudo, essa representação provavelmente não se refere à mesma arca construída por Moisés, mas sim a uma representação simbólica da presença santa de Deus.

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