O que é a Bíblia de Genebra?

O que é a Bíblia de Genebra?

A Bíblia de Genebra é uma das primeiras traduções da Bíblia para o inglês. Seu nome se deve ao fato de ter sido publicada pela primeira vez em Genebra, em 1560. Obra de exilados protestantes da Inglaterra e da Escócia, essa Bíblia foi muito respeitada e desempenhou papel importante tanto na Escócia quanto na Inglaterra, antes e mesmo depois da publicação da King James Version, em 1611. Durante cerca de quarenta anos após a estreia desta última, a Bíblia de Genebra manteve-se como a tradução em inglês mais popular.

Em 1553, Maria Tudor ascendeu ao trono da Inglaterra. Como rainha, ela estava determinada a eliminar as influências protestantes e a restaurar o catolicismo romano como religião oficial. Sob seu governo, ocorreu um período de intensa perseguição aos protestantes, conhecido como as Perseguições Marianas, que lhe renderam o apelido de “Maria, a Sangrenta”. Mais de 300 crentes protestantes foram queimados na fogueira, e muitos optaram por fugir para outros países, evitando assim a morte certa por se contraporem ao catolicismo.

Nesse contexto, vários líderes protestantes ingleses importantes fugiram para Genebra, na Suíça, a fim de escapar da perseguição. Entre eles estavam Miles Coverdale, John Foxe, Thomas Sampson e William Whittingham. Com o apoio de João Calvino e do reformador escocês John Knox, esses reformadores decidiram publicar uma Bíblia em inglês que não dependesse da aprovação da realeza inglesa. Apoiada em traduções inglesas anteriores, como as de William Tyndale e Myles Coverdale, a Bíblia de Genebra foi a primeira tradução em que todo o Antigo Testamento foi traduzido diretamente dos manuscritos hebraicos. Grande parte desse trabalho ficou a cargo de William Whittingham, cunhado de João Calvino.

Em 1557, foi publicado um Novo Testamento em inglês. Alguns anos depois, em 1560, a primeira edição da Bíblia de Genebra foi lançada em Genebra, contendo tanto o Antigo quanto o Novo Testamento, acompanhados de significativas notas de tradução. Dedicada à rainha Elizabeth I – coroada em 1558 após a morte de Maria I – essa nova Bíblia marcou o retorno do protestantismo na Inglaterra, uma vez que a perseguição aos protestantes cessou durante seu governo. A partir de 1576, novas edições começaram a ser publicadas na própria Inglaterra e, ao todo, mais de 150 edições foram lançadas, com a versão de 1644 sendo a última.

Anterior à King James Version por 51 anos, a Bíblia de Genebra foi uma das primeiras Bíblias em inglês a ser produzida em massa e amplamente disponível ao público. Foi a principal versão usada pelos reformadores protestantes ingleses do século XVI, sendo mencionada por William Shakespeare em suas peças mais frequentemente do que outras versões. Além disso, personalidades como John Milton e John Bunyan fizeram uso dessa tradução.

Frequentemente considerada como um dos primeiros exemplos de Bíblia de estudo, a Bíblia de Genebra trazia notas detalhadas, citações que permitiam a comparação de passagens e diversos recursos de apoio, como introduções aos livros, mapas e ilustrações em xilogravura. Impressa em pelo menos três tamanhos diferentes, sua acessibilidade era notável, custando menos do que uma semana de salário para os trabalhadores menos bem pagos.

As anotações presentes na Bíblia de Genebra possuíam um caráter fortemente calvinista e puritano, o que a tornava impopular entre alguns líderes da Igreja da Inglaterra e até mesmo aos olhos do rei James I. Isso levou o soberano a encomendar uma nova tradução, que viria a ser conhecida como Authorized Version ou Bíblia King James. Surpreendentemente, algumas das notas da Bíblia de Genebra permaneceram em certas edições da Bíblia King James até a versão de 1715. Além disso, por conter anotações claramente contrárias ao catolicismo romano – fruto do contexto de intensa perseguição dos reformadores protestantes – a Bíblia de Genebra também era vista como uma ameaça a esse credo.

Com o tempo, a King James Version substituiu a Bíblia de Genebra como a tradução em inglês mais popular. Porém, a importância histórica e literária da Bíblia de Genebra permanece, tendo sido a principal versão utilizada por muitos dos primeiros colonizadores na América. Nos últimos anos, essa Bíblia voltou a ganhar popularidade, seja pela excelência de sua tradução, seja pela qualidade inegável de suas notas de estudo.

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