O que é a Igreja Metodista Unida e quais as crenças dos metodistas?
A Igreja Metodista Unida é a maior denominação protestante tradicional dos Estados Unidos, contando com quase 12 milhões de membros distribuídos em 42 mil congregações ao redor do mundo. Membro participante do Conselho Mundial de Igrejas e do Conselho Nacional das Igrejas, a Igreja Metodista Unida é uma das maiores defensoras do ecumenismo na atualidade. Formada em 1968 pela fusão da Igreja Evangélica dos Irmãos Unidos e da Igreja Metodista, suas raízes remontam à Inglaterra da década de 1730.
John e Charles Wesley, missionários da Igreja da Inglaterra, voltaram à sua terra natal após uma missão malsucedida na colônia da Geórgia. Desiludidos e desanimados com sua própria fé, os irmãos passaram a frequentar encontros de oração na Aldersgate Street, em Londres, em busca de respostas. Em 1738, ambos viveram experiências de renovação que John descreveu como um “calor estranho” no coração. Animados e revigorados espiritualmente, eles e seus companheiros de Aldersgate passaram a desenvolver diretrizes – ou “métodos” – para buscar a renovação espiritual, impulsionando um movimento de renovação nacional na Igreja da Inglaterra. Esse fervor foi levado para a América pelos colonos. Na América, o movimento metodista, predominantemente liderado por leigos a partir da década de 1760, ainda fazia parte da comunhão com a Igreja Anglicana. Em 1769 e 1771, John Wesley enviou pregadores, entre eles Francis Asbury, para as colônias, com o intuito de fortalecer e orientar os esforços metodistas.
Durante a Guerra Revolucionária, os metodistas enfrentaram impopularidade devido à posição Tory de John Wesley e à relutância de muitos pregadores metodistas em tomar armas em apoio às colônias. Após a Revolução, Wesley percebeu a necessidade de desenvolver uma comunhão eclesiástica distintamente americana, o que levou à formação da Igreja Episcopal Metodista na América, em Baltimore, em 1784.
Desde seus primórdios, os metodistas se preocuparam com a santidade pessoal e enfatizaram a importância da experiência da salvação. Para isso, estiveram envolvidos com as primeiras escolas dominicais, e a primeira editora eclesiástica dos Estados Unidos foi fundada pelos metodistas em 1789. Parte integrante do Segundo Grande Despertar (1790–1840), os metodistas utilizaram encontros de avivamento e acampamentos religiosos para convocar as pessoas à conversão. O conceito dos pregadores itinerantes foi desenvolvido pelos metodistas – estes viajavam de assentamento em assentamento, pregando e servindo as comunidades até que surgisse um número suficiente para a contratação de um pastor em tempo integral, sendo fundamentais para a igreja na fronteira do novo país.
Desde os primeiros anos, a Igreja Metodista passou por diversas rupturas. Em 1816, a Igreja Metodista Episcopal Africana foi fundada por Richard Allen, um escravo emancipada que sofrera maus-tratos na igreja estabelecida. Em 1821, a Igreja Metodista Episcopal da Judeia foi criada por ex-escravos por motivos semelhantes. Em 1830, a Igreja Metodista Protestante foi formada devido à recusa da igreja em conceder representação ao clero leigo ou permitir a eleição de anciãos supervisores – divergência que foi superada com uma fusão em 1939.
Atualmente, um dos principais debates dentro da Igreja Metodista Unida diz respeito à posição dos homossexuais dentro da igreja. Historicamente, a prática homossexual foi condenada como pecado, posição que permanece oficial. Entretanto, existe um movimento liberal que defende a plena comunhão para os homossexuais praticantes e até a ordenação de clérigos homossexuais. Essa divisão resultou na cisão da denominação, com muitos metodistas conservadores se desligando para formar a Global Methodist Church.
No que tange à doutrina, a Igreja Metodista Unida segue a teologia wesleyana. Assim, compartilha com outras igrejas cristãs a crença na natureza pecaminosa do homem, na santidade de Deus, na divindade de Jesus Cristo e na morte, sepultura e ressurreição literais de Jesus para a salvação da humanidade. Embora a crença na inerrância da Escritura não seja enfatizada entre os metodistas, eles afirmam a autoridade da Bíblia.
Apesar de haver membros individuais e congregações que adotam posturas mais conservadoras, muitos têm se adaptado ao pragmatismo, liberalismo ou à correção política. Por exemplo, a Igreja Metodista Unida ordena mulheres pastoras e, na prática, aprova a realização de abortos, mesmo que, segundo seu Livro de Disciplina, haja certa relutância em aprovar essa prática.






