O que é o espiritualismo?
Nas últimas décadas, tem havido um fascínio crescente pelo contato com os mortos. Programas de televisão como Ghost Hunters, Beyond e Crossing Over fornecem bons exemplos desse interesse. Através das histórias contadas pelos participantes desses e de outros programas, o público é presenteado com relatos de contato com o mundo espiritual, alguns comoventes e outros aterrorizantes. Contudo, aqueles que se envolvem nessas práticas nem sempre compreendem ou valorizam plenamente os consideráveis riscos espirituais envolvidos.
O espiritualismo é um sistema pseudorreligioso de conceitos compartilhados, cujo ponto central é a crença de que a alma sobrevive após a morte do corpo físico e que esses espíritos desencarnados estão dispostos e são capazes de se comunicar com os vivos. Assim como os cristãos, os espiritualistas acreditam em um Deus único — a quem se referem como “Inteligência Infinita” — e sustentam que Deus julga cada alma por suas ações e escolhas de vida. Entretanto, diferentemente dos cristãos, os espiritualistas não acreditam que a morte marque o julgamento final de um espírito, mas sim que as almas têm a capacidade de aprender, crescer e evoluir após a morte, ascendendo progressivamente a níveis mais elevados de conhecimento e perfeição. Eles não creem que a morte de Jesus quitou o preço pelo pecado, tampouco que a salvação vem pela graça mediante a fé em Cristo; ao contrário, acreditam que as almas progridem gradualmente após a morte por meio de uma série de etapas em direção a um estado de perfeição espiritual. Trata-se, portanto, de um caminho baseado em obras para a “salvação” após a morte.
O movimento espiritualista viveu seu auge durante a década de 1840 e no começo do século seguinte na América do Norte e na Europa Ocidental. Nesses períodos de guerras e turbulências, as pessoas buscavam conforto por meio do contato com entes queridos falecidos. Historiadores frequentemente apontam o dia 31 de março de 1848 como a data de nascimento do movimento, quando Margaret e Kate Fox, de Hydesville, Nova York, fizeram o anúncio surpreendente de que tinham contatado o espírito de um mendigo assassinado em sua casa. O espírito se comunicava com elas batendo na mesa ou na parede. A partir daí, as sessões espíritas proliferaram entre a classe média alta e os ricos dos Estados Unidos. Médiums como Paschal Beverly Randolph e Cora Scott percorreram o país oferecendo palestras e demonstrações. Nesse período, os escritos de Franz Mesmer — de cujo nome se deriva o termo mesmerismo — influenciaram particularmente a visão espiritualista acerca da vida após a morte e do contato com o sobrenatural.
Houve muitos adeptos famosos do espiritualismo, incluindo Mary Todd Lincoln (esposa de Abraham Lincoln) e Sir Arthur Conan Doyle, autor dos mistérios de Sherlock Holmes. No final da década de 1880, investigadores começaram a desmascarar diversos médiums famosos como charlatães, revelando que suas demonstrações eram artimanhas. Harry Houdini ganhou notoriedade ao lançar uma campanha para expor esses médiuns fraudulentos.
O espiritismo atraiu muitos seguidores insatisfeitos com as igrejas estabelecidas e que buscavam reformas. De fato, muitos dos primeiros abolicionistas e defensores dos direitos das mulheres eram espiritualistas. As reuniões espiritualistas proporcionaram alguns dos primeiros espaços para que mulheres falassem em público e de forma autoritária em uma sociedade dominada por homens. Os quakers radicais, desencantados com as igrejas estabelecidas por não se oporem à escravidão, utilizaram o interesse pelo espiritualismo como um fórum público contra a escravidão. Embora o movimento tenha culminado em importantes reformas sociais, ele resultou na migração de muitas pessoas para uma espiritualidade laica, focada em experiências pessoais e mensagens sem comprovação do além, e que acabou por desvalorizar o relacionamento pessoal com Jesus Cristo.
Paulo se referiu aos sistemas de crenças religiosas que negam a verdade do evangelho — a expiação dos pecados por meio da morte de Jesus Cristo na cruz — como “uma aparência de piedade, mas negando o seu poder” (2 Timóteo 3:1–5). Embora muitos espiritualistas participem de cultos dominicais, cantem hinos e adorem um Deus único, o espiritualismo e o cristianismo são sistemas de crenças incompatíveis. Além de acreditarem em um movimento evolutivo das almas por planos celestiais progressivamente mais elevados, os espiritualistas buscam a verdade por meio do contato com os espíritos, através de sessões, tabuleiros ouija e médiuns. Muitos afirmam ter seus próprios guias espirituais, de quem recebem diversos tipos de informações e orientações para suas vidas. Para os espiritualistas, a Bíblia não é a principal fonte de verdade e conhecimento sobre a vida após a morte e sobre Deus.
Na realidade, a Bíblia contém diversos avisos severos contra o espiritualismo (Levítico 19:31; 20:6; Deuteronômio 18:9–13). O primeiro rei de Israel, Saul, desobedeceu o mandamento de Deus de não se envolver com o espiritualismo e, por causa disso, acabou por perder o seu reino (1 Samuel 15:23; 1 Crônicas 10:14). Quando os apóstolos encontraram pessoas que possuíam poderes de adivinhação decorrentes do contato com espíritos, expulsaram esses espíritos, considerando-os demônios (Atos 16:16–18). Diversas passagens bíblicas apontam uma razão primordial para o cristão não buscar contato ou aconselhamento com espíritos: os espíritos contactados são demoníacos e podem fornecer informações enganosas e falsas (1 João 4:1).
É altamente provável que muitos dos contatos com os mortos por meio do espiritualismo sejam falsos. Outros encontros, supostamente com entes queridos falecidos, realizados por meio de tabuleiros ouija, médiuns e sessões, são na verdade interações com demônios que intencionalmente entregam informações falsas. Uma mentira comum que muitas pessoas recebem através do contato sobrenatural é que não existe inferno e que não haverá julgamento final por parte de Deus. Porém, Hebreus 9:27 afirma expressamente: “Está determinado que os homens morram uma só vez, e depois disso vem o juízo.” A morte é inevitável, assim como o julgamento. O pecado acarreta esse julgamento, e todas as pessoas são culpadas (Romanos 3:23). A única forma de escapar do julgamento é receber um perdão imerecido de Deus, mediante o reconhecimento do pecado, a aceitação de que Jesus morreu por ele e a disposição de submeter a vida a Cristo antes da morte (João 3:16; Romanos 3:24). A Bíblia revela claramente que aqueles que morrerem à parte de Cristo sofrerão eternamente no inferno (Mateus 25:41). Acreditar em doutrinas falsas derivadas de “guias espirituais” pode desviar muitos da sólida doutrina bíblica, o que é a intenção de Satanás (1 Pedro 5:8; 1 Timóteo 4:1).
Aqueles que se envolvem com o espiritualismo praticam atividades que, embora possam parecer inofensivas, na verdade abrem a porta para o contato, assédio e até a possessão por forças demoníacas. Muitos seguidores do espiritualismo foram traumatizados e prejudicados, tanto psicologicamente quanto fisicamente, por contatos com demônios que tiveram início em sessões espíritas, tabuleiros ouija, consultas psíquicas, práticas de cura energética e encontros com médiuns. Para todos aqueles que buscam a verdade, Jesus declara inequivocamente em João 14:6: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.”






