O que é ética da virtude?

Pergunta

Resposta

A ética das virtudes é uma das principais categorias da ética normativa. Ela ensina que o comportamento moral está diretamente ligado a uma vida virtuosa. Um ato não pode ser ético se for praticado por um caráter corrupto, e uma pessoa virtuosa naturalmente realizará ações virtuosas.

Diferentemente de outras correntes seculares, a ética das virtudes explica exatamente o que é necessário para realizar um ato moralmente íntegro. Para ser virtuosa, uma pessoa desenvolverá três características específicas, definidas por três palavras gregas. Arête representa a excelência de caráter que naturalmente exemplifica bondade, honestidade, autocontrole e outras virtudes. Phronesis é a sabedoria moral ou prática que conhece o caminho correto a seguir em qualquer circunstância. Eudaimonia é um pouco diferente, pois não se trata de uma característica interna, mas de uma vida plena e próspera. A ética das virtudes ensina que, através de uma conduta cuidadosa, é possível desenvolver essas três qualidades, incorporando um caráter que é naturalmente moral, embora forças externas possam prejudicar ou destruir a eudaimonia.

A Bíblia, com certeza, promove o desenvolvimento de um caráter excelente e virtuoso. Temos o exemplo de Noé, “um homem justo, perfeito em sua época” (Gênesis 6:9). Jó 1:1 o descreve como “o homem íntegro, temente a Deus e que se desvia do mal”. E Lucas 1:6 afirma que Zacarias e Isabel eram “ambos justos aos olhos de Deus, vivendo impecavelmente em todos os mandamentos e exigências do Senhor”. Entretanto, a Bíblia também ensina que ninguém é perfeito. “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3:23). E não podemos contar com nós mesmos para agir corretamente, “pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade” (Filipenses 2:13).

O livro de Provérbios é inteiramente dedicado à aquisição da phronesis. Provérbios 8:11 afirma: “Porque melhor é a sabedoria do que os rubis; e tudo o que se deseja não é comparável a ela.” No entanto, a sabedoria não é algo que possamos desenvolver por conta própria. Ela é um dom do Senhor (Provérbios 2:6) e, de fato, começa com o temor do Senhor (1:7).

As teorias seculares da ética atribuem grande importância à felicidade. Não se trata de uma alegria efêmera, mas do bem-estar e de uma vida realizada. A busca pela eudaimonia implica que uma boa vida é necessária para um caráter virtuoso. A Bíblia diz o contrário. Romanos 5:3–5 declara que “nos gloriamos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; and a perseverança, experiência; e a experiência, esperança”. Em outras palavras, as dificuldades desenvolvem a virtude. Jesus afirmou: “No mundo tereis aflições” (João 16:33) – e talvez isso seja algo bom, se os momentos difíceis forem o que Deus utiliza para construir o nosso caráter. Nunca seremos completamente virtuosos, nem podemos desenvolver um caráter virtuoso por nossos próprios esforços (Hebreus 10:10).

No entanto, a ética das virtudes não está distante ao afirmar que o comportamento ético flui de um caráter virtuoso. Como está escrito em Lucas 6:43–45:

“Pois a árvore boa não pode dar frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. A árvore é conhecida pelo fruto. Não se colhem figos de espinheiros, nem se pegam uvas de abrolhos. O homem bom, do bom tesouro do seu coração, tira o bem, e o homem mau, do mau, tira o mal, porque do que há em seu coração fala a sua boca.”

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