O que é o Ordo Salutis / ordem da salvação?

Pergunta

O que é o Ordo Salutis / ordem da salvação?

Resposta

Ordo Salutis é o latim para “a ordem da salvação”, que trata dos passos ou estágios na salvação de um crente (por exemplo, eleição, pré-conhecimento, predestinação, redenção, regeneração, justificação, santificação, glorificação). Há divergências dentro da igreja quanto a essa ordem e às conexões causais entre esses estágios. Antes de aprofundarmos a discussão, vale a pena apresentar algumas definições básicas dos termos envolvidos:

Pré-conhecimento: O conhecimento prévio de Deus, nesse sentido, daqueles que seriam salvos.

Predestinação: A escolha de Deus, antes do tempo, de todos que seriam salvos.

Eleição: A seleção, por Deus, de todos que seriam salvos.

Regeneração: A renovação espiritual da vida de alguém (não de forma física, mas em oposição à morte espiritual causada pelo pecado).

Evangelismo: A comunicação do evangelho por meio da qual alguém pode ser salvo.

Fé: A crença e confiança na mensagem do evangelho.

Conversão: O retorno à Deus com base no evangelho.

Perseverança: A manutenção de uma crença genuína – permanecendo no estado de salvação.

Arrependimento: A mudança de mentalidade, abandonando a rejeição de Cristo para passar a ter fé nele.

Justificação: A liberação, por Deus, de uma pessoa da penalidade do pecado – o pronunciamento de “não culpado” a um pecador.

Santificação: A separação, por Deus, de uma pessoa da sedução do pecado.

Glorificação: A remoção final, por Deus, de todo pecado da vida e presença do crente, no estado eterno.

O debate sobre o ordo salutis é mais intensamente desenvolvido entre os sistemas reformado e arminiano. Na tradição reformada, o ordo salutis é composto pela eleição/predestinação, seguida de evangelismo, regeneração, conversão, justificação, santificação e glorificação. No campo arminiano, a ordem inicia-se com o evangelismo, seguido por fé/eleição, arrependimento, regeneração, justificação, perseverança e, por fim, glorificação. Esses estágios podem apresentar diversas distinções que não foram detalhadas aqui, mas servem para evidenciar as diferenças básicas entre ambos os sistemas. Vale ressaltar que tais estágios não precisam ser concebidos de forma necessariamente cronológica – muitos são vistos como aspectos de um único processo que, de uma forma ou de outra, dependem da ação de Deus.

É importante perceber que as diferenças vão além de meros rótulos. O ordo salutis está intimamente ligado tanto à causa da própria salvação quanto aos estágios que a compõem. Por exemplo, a posição reformada entende a fé como efeito da eleição e não como causa dela, diferentemente da visão arminiana. Dessa forma, há um sentido em que a pessoa é salva justamente para possuir fé. Mas, então, onde se coloca a responsabilidade se alguém não crer? Na perspectiva arminiana, o crente é responsável por sua própria salvação, devendo perseverar até o fim para ter a garantia da salvação. Essa diferença traz implicações significativas quanto à segurança do crente. Assim, compreender o ordo salutis é fundamental para entender de qual perspectiva as respostas sobre a salvação são apresentadas.

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