O que é o Pastor de Hermas e ele deve estar na Bíblia?
“The Shepherd of Hermas” foi uma obra literária religiosa dos séculos II e III considerada por muitos dos primeiros cristãos como um livro valioso. Inclusive, foi visto como Escritura Canônica por alguns dos pais da Igreja primitiva, como Irineu, durante o período em que o Novo Testamento estava sendo formado. Basicamente, a obra foi escrita como um chamado ao arrependimento e à adoção de uma vida moral rigorosa.
O autor de “The Shepherd of Hermas” é desconhecido. No entanto, diversas fontes antigas atribuem a obra a um certo Hermas, irmão de Pio I, Bispo de Roma entre 140 e 155. Na narrativa, Hermas conta sua própria vida e o desenvolvimento das virtudes cristãs, relatando sua experiência como escravo cristão liberto. Ao longo do livro, ele se apresenta como um homem simples, cuja intenção é ser devoto e diligente em todas as suas ações. O ensinamento central da obra é, sobretudo, de caráter ético e não teológico. O texto está dividido em três seções principais: a primeira descreve cinco visões, a segunda apresenta 12 mandamentos e a terceira é composta por dez parábolas, também chamadas de similitudes.
A história envolve Hermas, que se torna escravo de uma mulher chamada Roda. Posteriormente, depois de ela lhe conceder a liberdade, seus caminhos se cruzam novamente. Em uma visão, Roda aparece pedindo seu perdão, pois acredita que ele teria tido pensamentos impuros. Nessa mesma visão, uma senhora idosa o orienta a fazer penitência e a reparar os pecados de seu povo. Em outra ocasião, Hermas é visitado por um anjo do arrependimento que se manifesta como um pastor, transmitindo leis e mandamentos fundamentais para o estabelecimento da ética cristã primitiva, os quais também eram revelados em visões.
“The Shepherd of Hermas” também tem relevância por apresentar algumas visões que parecem adotar uma compreensão pré-milenar dos tempos finais. Alguns estudiosos identificam inclusive indícios de pretribulacionismo na obra. A presença desse pensamento pré-milenar em um texto cristão dos séculos II ou III reforça os argumentos dos teólogos que defendem o pré-milenarismo, contrapondo a ideia de que o amilenarismo era a crença predominante na Igreja primitiva.
Mas por que “The Shepherd of Hermas” não faz parte da Bíblia? O livro não seria considerado “inspirado”? Ele seria classificado como um “livro perdido” da Bíblia? Inicialmente, é importante reconhecer que muitos estudiosos bíblicos admitem a existência de escritos falsos que nunca foram levados a sério para inclusão no cânon. Exemplos disso são “A Assunção de Moisés” e “O Livro de Enoque”. Contudo, há consenso entre os estudiosos de que tais escritos não são inspirados. Embora “The Shepherd of Hermas” tenha sido considerado autoritativo por alguns, acabou permanecendo à margem do cânon por algum tempo, para depois ser, sob a orientação do Espírito Santo, rejeitado.






