O que é um bispo, biblicamente falando?

Pergunta

No Novo Testamento, um bispo é uma pessoa que atua como líder de ensino entre um grupo local de cristãos. O termo grego episkapos também foi traduzido como “episcopal”, “ancião”, “supervisor” ou “pastor”. Todas essas expressões referem-se ao mesmo cargo, sendo, portanto, sinônimos.

Nas primeiras igrejas, os líderes eram simplesmente chamados de “anciãos”. Por exemplo, em Atos 20:17 lemos que, a partir de Mileto, foi enviado alguém a Éfeso para reunir os anciãos da igreja. Em Filipenses 1:1, Paulo dirige sua carta “a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, juntamente com os supervisores e diáconos”. Aparentemente, inicialmente havia apenas duas posições de liderança na igreja: anciãos (ou bispos) e diáconos.

Nas Epístolas Pastorais, Paulo trata, em dois momentos, das qualificações necessárias para os anciãos/bispos, os quais ele via como os líderes da igreja local (vale notar que esses anciãos geralmente atuavam em conjunto, e não como líderes solitários). Em 1 Timóteo 3:1–7 lemos:

“Essa declaração é fiel: Se alguém deseja o cargo de supervisor [bispo], está almejando uma tarefa nobre. Por isso, o supervisor deve ser irrepreensível, marido de uma só esposa, sóbrio, sensato, honrado, hospitaleiro, apto para ensinar, não dado ao vinho, não violento, mas amável, não ávido por lucro. Deve governar bem sua própria casa, mantendo seus filhos sob disciplina com toda dignidade, pois, se alguém não sabe governar sua própria casa, como cuidará da igreja de Deus? Não pode ser recém-convertido, para que, não se orgulhe, caia na condenação do diabo. Ademais, é fundamental que ele tenha uma boa reputação entre os que não pertencem à igreja, para que não venha a cair em desgraça, numa armadilha do diabo.”

Dessa lista, podemos concluir diversos pontos. Em primeiro lugar, o ofício de bispo é uma tarefa nobre. Em segundo, trata-se de uma função restrita (conforme indicam os pronomes e referências masculinas ao longo do texto). Em terceiro, a integridade é essencial – o bispo deve ser irrepreensível, comprometido com sua esposa, sensato, autocontrolado, respeitado, hospitaleiro, não influenciado pelo álcool, não violento ou argumentativo, não ganancioso, atencioso com seus filhos e possuir uma boa reputação entre os que não frequentam a igreja. Por fim, é imprescindível que ele tenha a capacidade de ensinar. (Vale notar que os requisitos para os diáconos, listados em trechos posteriores, não incluem essa aptidão para o ensino.) Em Tito 1:5–7 encontramos uma lista semelhante para os anciãos, que acrescenta a habilidade de repreender o falso ensino. Quando Pedro se dirigiu a esse grupo de líderes, referiu-se a si mesmo como “co-ancião”.

Os escritos dos pais da igreja também parecem confirmar o papel dos bispos como líderes de ensino que atuavam juntamente com os diáconos para supervisionar a igreja. Tanto Clemente de Roma (c. 95) quanto a Didaqué, no final do primeiro e início do segundo século, referiram-se aos anciãos e diáconos como os líderes da igreja.

Com o tempo, camadas adicionais de liderança foram incorporadas à igreja. Eventualmente, o termo bispo passou a designar um líder regional que administrava várias congregações. No Concílio de Niceia, em 325 d.C., o líder de cada cidade ou área representava as igrejas de sua região, sendo esses líderes chamados de bispos. Muitas tradições cristãs mantêm essa função de bispos até os dias atuais.

Porém, o ensinamento bíblico enfatiza que os anciãos e diáconos são os líderes das igrejas locais. O ancião, também conhecido como bispo ou pastor, exercia essa função. Isso não invalida a existência de outros cargos de liderança na igreja, criados para atender a necessidades importantes de coordenação regional ou nacional entre grupos de congregações, mas evidencia que as Escrituras apontam para os anciãos e diáconos como os líderes das igrejas locais.

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