O que podemos aprender com a tribo de Benjamim?

O que podemos aprender com a tribo de Benjamim?

No capítulo 49 de Gênesis, o patriarca Jacó, pressentindo sua morte iminente, reúne seus filhos à beira de sua cama para abençoá-los. Cada filho se tornou o progenitor de uma das doze tribos de Israel. Benjamim, o mais jovem, recebe a bênção de seu pai por último: “Benjamim é um lobo voraz; de manhã ele devorará a presa, e à noite dividirá os despojos.” A natureza guerreira da pequena tribo de Benjamim ficou bastante conhecida, comprovada pelos seus espadachins e pela defesa impiedosa de sua extrema perversidade em Gibeá.

A bênção de Benjamim se apresenta em três partes. Em comparação com um lobo, sua bênção abrange dois períodos do dia – manhã e noite –, duas ações – devorar e dividir – e dois resultados – presa e despojos. Isso estabelece uma espécie de experiência “antes e depois” para Benjamim e sua descendência.

As Escrituras mostram que pelo menos quatro grandes personagens surgiram da tribo de Benjamim, apesar de ser a menor das doze tribos. Primeiro, Ehude, um grande guerreiro que livrou Israel dos moabitas. Em seguida, Saul, que se tornou o primeiro rei de Israel. Em um período posterior da história judaica, muitos judeus que viviam na Pérsia testemunharam como Deus usou Mordecai e Ester, pertencentes à tribo de Benjamim, para livrá-los da morte. Por fim, no Novo Testamento, o apóstolo Paulo afirma que também veio de Benjamim: “Portanto, digo que Deus não rejeitou o Seu povo, pois eu também sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim.” Paulo repete essa afirmação em sua carta aos Filipenses.

No entanto, a tribo de Benjamim também revelou seu lado sombrio. Sua natureza belicosa manifestou-se não apenas na defesa do país, mas também na depravação interna. Em uma passagem que relata conflitos internos, Benjamim comete uma ofensa contra as outras onze tribos de Israel, desencadeando uma guerra civil. Durante esse período, ficou conhecida a reputação de que cada um fazia o que achava certo. O estopim para a guerra foi o terrível abuso e morte da concubina de um levita não identificada. As onze tribos se voltaram contra a tribo de Benjamim, chegando quase a dizimar seus membros por se recusarem a punir os perpetradores. Eventualmente, as tribos restauraram a tribo de Benjamim, que havia sido bastante reduzida pela guerra, e o país foi reunificado.

Na cultura judaica o dia tem início à noite. É nesse momento que se inicia o “depois” para Benjamim. A profecia de Benjamim se encerra à noite, marcando o começo de um novo dia, no qual ele “dividirá os despojos”. Essa divisão possui dois aspectos. Primeiramente, através do apóstolo Paulo, que testemunhou: “Esta é uma declaração fiel e digna de total aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”. Em Paulo, da tribo de Benjamim, encontramos um cidadão que serviu a Deus poderosamente, afirmando, a seu ver: “Lutei o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé”.

Entretanto, o “dividir os despojos” de Benjamim tem ainda um cumprimento futuro. Durante o período da tribulação, conforme descrito na Revelação, 12.000 homens de Benjamim, juntamente com 12.000 de cada uma das demais tribos de Israel, alcançarão a população mundial com o evangelho. O resultado será uma multidão de salvos “que ninguém poderia contabilizar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, diante do trono e do Cordeiro, vestidos com vestes brancas e com ramos de palmeira nas mãos”. A segunda divisão dos despojos para Benjamim ocorrerá no reino milenar, quando terão lugar na terra de Israel, inclusive com um portão que levará o seu nome na cidade de Jerusalém. Juntamente com as demais tribos, eles encontrarão a divisão definitiva dos despojos na Nova Jerusalém, em que cada portão levará o nome de uma tribo, incluindo Benjamim. Que final glorioso! Quanta graça!

Benjamim nos ensina grandes verdades. Primeiro, Deus não vê como os homens veem, pois Ele olha para o coração. Enquanto os outros viam apenas o caçula e a menor das tribos, Deus enxergou em Benjamim um guerreiro que tanto devoraria quanto dividiria. A segunda lição reside nos dois Sauls vindos da tribo de Benjamim. Por um lado, encontramos o rei Saul, que representava a natureza pecaminosa e sua guerra contra Deus; por outro, temos o apóstolo Paulo, cuja natureza foi transformada por Deus, passando de um fariseu assassino a um apóstolo da graça. Paulo é o exemplo do que Deus realiza para aqueles que chegam a Cristo mediante a fé.

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