O que significa “correr a corrida que nos está proposta” (Hebreus 12:1)?
“Porque estamos rodeados por uma imensa nuvem de testemunhas, deixemos de lado todo peso e o pecado que tão facilmente nos enreda, e corramos com perseverança a corrida que nos está proposta.” Mas que tipo de corrida os crentes estão realmente correndo? Quem é que determina os limites dessa corrida? Não se trata de uma corrida que definimos e planejamos por conta própria.
O texto utiliza a rica imagem das corridas a pé praticadas no antigo Israel, na Grécia e nos anfiteatros de Roma para encorajar e desafiar os crentes a perseverarem na fé, mesmo diante das adversidades e perseguições. Os atletas, durante uma corrida, eram cercados por fileiras e mais fileiras de espectadores – visualizados aqui como “uma grande nuvem de testemunhas”. Essas “testemunhas” são os homens e mulheres de Deus, cujas vidas de fé são registradas no Antigo Testamento. Eles perseveraram, mesmo enfrentando opressões e crueldades inimagináveis, e foram aclamados por sua fidelidade.
Embora seja improvável que esses santos estejam literalmente nos observando hoje, a intenção do texto é que seu testemunho continue vivo. A fé inabalável deles confirma as promessas de Jesus Cristo, encorajando-nos a seguir seu exemplo e a “correr com perseverança a corrida que nos está proposta”.
A “corrida” referida é, na verdade, a própria vida cristã. Não se trata de uma corrida de velocidade, mas de uma maratona na qual somos chamados a manter a fidelidade até o final. O apóstolo Paulo também utilizou essa mesma imagem em seus escritos, afirmando: “Lutei o bom combate, acabei a corrida, guardei a fé”.
A perseverança dos “testemunhos” do Antigo Testamento fala aos crentes de hoje sobre as recompensas de permanecer na corrida sem desistir. Assim como uma maratona é um teste rigoroso de resistência, a corrida que nos foi proposta exige fé, disposição, compromisso e disciplina para vivermos de maneira fiel.
A corrida foi estabelecida por Deus; nós não escolhemos o percurso, pois é Ele quem o definiu. Correr essa corrida é uma jornada para Cristo, na qual persistimos mesmo diante de testes e perseguições. Durante o percurso, é fundamental “fixarmos os olhos em Jesus, autor e consumador da nossa fé”. Como Ele completou a corrida com perfeição, nosso foco se coloca Nele, afastando-nos de quaisquer distrações que possam surgir ao longo do caminho.
É preciso, portanto, eliminar “tudo o que nos atrapalha” – o pecado e qualquer outra coisa que possa prejudicar nosso relacionamento com Deus. Devemos abandonar tudo aquilo que nos retarda ou que nos faça tropeçar. O apóstolo Paulo exorta os crentes a “despojar-se do velho homem, que se corrompe pelas paixões enganadoras, e a revestir-se do novo, criado à semelhança de Deus, em verdadeira justiça e santidade”. Com o incentivo daqueles que já trilharam esse caminho, devemos nos livrar de pensamentos, atitudes e hábitos que dificultam nosso progresso.
Reconhecendo que a corrida que Deus preparou para nós é uma maratona para a vida toda, é imprescindível nos comprometermos a seguir até o fim. Um regime diário de oração, louvor, leitura da Palavra de Deus e autoexame nos ajudará a perseverar, mantendo uma atitude semelhante à de Cristo, mesmo em meio às provações.
Por mais longa que seja a corrida, devemos continuar com os olhos fixos em Jesus, “o Campeão, iniciador e aperfeiçoador da nossa fé”. Há uma alegria que nos espera ao final – a promessa de um encontro onde, como cantam os compositores Twila e Starla Paris, “Corredor, quando a corrida for vencida, você correrá para os Seus braços.”






