O que significa que Jesus cumpriu a lei, mas não a aboliu?

O que significa que Jesus cumpriu a lei, mas não a aboliu?

Jesus disse: “Não pensem que vim para abolir a Lei ou os Profetas; não vim para abolí-los, mas para cumpri-los. Pois, em verdade, eu lhes digo, até que o céu e a terra desapareçam, de maneira alguma desaparecerá da Lei o menor dos detalhes, nem o menor traço de tinta, até que tudo seja realizado.” Essa declaração importante de nosso Senhor revela detalhes de Sua missão e do caráter eterno da Palavra de Deus.

A declaração de Jesus de que veio cumprir a Lei e os Profetas – e não abolí-los – reúne duas afirmações: há algo que Ele fez e algo que Ele não fez, enfatizando, ao mesmo tempo, o caráter perene da Palavra de Deus.

Jesus reafirma a autoridade da Lei de Deus, deixando claro que não veio para abolir a Lei, mesmo diante das acusações dos fariseus. Ele ainda elogia aqueles que ensinam a Lei com fidelidade e a mantêm com reverência, afirmando que quem desprezar os menores mandamentos e ensinar outros a fazerem o mesmo será considerado menor no reino dos céus, enquanto quem praticar e ensinar esses mandamentos será considerado grande.

Observe as qualidades atribuídas à Palavra de Deus, referida como “a Lei e os Profetas”:

  • Eterna: A Palavra perdurará além do mundo natural.
  • Intencional: Foi escrita com a finalidade de ser cumprida.
  • Plenamente autoritativa: Até a menor letra está estabelecida.
  • Fiel e confiável: Tudo o que foi dito se realizará.

Ninguém que ouvia as palavras de Jesus no Sermão da Montanha poderia duvidar de Seu compromisso inabalável com as Escrituras.

Considere o que Jesus não fez em Seu ministério. Em Seus ensinamentos, Ele explica que não veio para abolir a Lei e os Profetas – isto é, não tinha o propósito de anular, dissolver ou invalidar a Palavra de Deus. Os Profetas se cumprirão, e a Lei continuará a exercer o propósito para o qual foi dada.

Agora, considere o que Jesus fez: Ele afirmou que veio para cumprir a Lei e os Profetas. Seu propósito era estabelecer a Palavra, encarná-la e realizar plenamente tudo o que fora escrito. Cristo é, de fato, o cumprimento da lei, realizando as previsões dos Profetas acerca do Messias. O padrão sagrado da Lei foi mantido em Cristo, tanto em Seus ensinamentos quanto em Sua obediência pessoal, cumprindo as leis morais em Sua vida perfeita e satisfez as leis cerimoniais por meio de Sua morte sacrificial.

Jesus não veio para destruir o antigo sistema religioso, mas para dar fim ao Antigo Pacto e estabelecer o Novo. Todas as cerimônias, sacrifícios e demais elementos do Antigo Pacto eram meras sombras das coisas boas que estavam por vir – não eram as realidades em si. O tabernáculo e o templo, embora fossem lugares sagrados feitos por mãos humanas, nunca foram destinados à permanência, servindo apenas como cópias das verdades superiores. A Lei possuía, desde o início, um prazo de validade, pois estava repleta de regulamentos externos que vigoravam até a introdução de uma nova ordem.

Ao cumprir a Lei e os Profetas, Jesus conquistou nossa salvação eterna. Não era mais necessário que os sacerdotes oferecessem sacrifícios ou entrassem no Lugar Santíssimo, pois Jesus cumpriu essa obra de uma vez por todas. Pela graça, mediante a fé, somos reconciliados com Deus – Ele perdoou todos os nossos pecados, cancelou a dívida que nos condenava e a pregou na cruz.

Alguns defendem que, já que Jesus não “aboliu” a Lei, ela permaneceria em vigor e vinculadora aos cristãos do Novo Testamento. Contudo, o apóstolo Paulo deixa claro que o crente em Cristo não está mais sujeito à Lei. Fomos, de fato, mantidos sob a tutela da Lei até que a fé se revelasse, e agora, com a chegada da fé, não estamos mais sob essa tutela. Não vivemos sob a Lei Mosaica, mas sob a “lei de Cristo”.

Se a Lei ainda nos obrigasse hoje, ela não teria atingido seu propósito – ou seja, ainda não estaria cumprida. Se a Lei, entendida como um sistema legal, continuasse a nos vincular, então a afirmação de Jesus de que a cumpriu seria equivocada, e Seu sacrifício na cruz seria insuficiente para nos salvar. Graças a Deus, Jesus cumpriu toda a Lei, concedendo-nos Sua justiça como um dom gratuito, demonstrando que a justificação vem não pelas obras da Lei, mas pela fé em Cristo.

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