O que significa ser missional? Os cristãos devem ser missionais?
“Missional” ou “vivência missional” é um termo cristão que, em essência, descreve um estilo de vida de missionário. Ser missional inclui abraçar a postura, o modo de pensar, os comportamentos e as práticas de um missionário para levar aos outros a mensagem do evangelho. Esse termo ganhou popularidade no final do século XX, influenciado por figuras como Timothy Keller, Alan Hirsch e a Gospel and Our Culture Network. A premissa básica deles é que todos os cristãos devem estar envolvidos na Grande Comissão de Jesus (Mateus 28:19-20).
Essencialmente, a ideia de ser missional ensina que a igreja tem uma missão porque Jesus teve uma missão. Existe uma única missão, na qual “a igreja missional é uma comunidade do povo de Deus que se define e organiza sua vida em torno do propósito real de ser um agente da missão de Deus para o mundo. Em outras palavras, o verdadeiro e autêntico princípio de organização da igreja é a missão. Quando a igreja está em missão, ela é a igreja verdadeira.” Contudo, há certa confusão em relação ao termo “missional”.
Alan Hirsch, um dos seus defensores, afirma que “missional” não é sinônimo de “emergente”. A igreja emergente é, principalmente, um movimento de renovação que tenta contextualizar o cristianismo para uma geração pós-moderna. “Missional” também não equivale a “evangélico” ou “sensível aos buscadores”. Esses termos geralmente se aplicam ao modelo “attractional” de igreja que tem dominado nossa compreensão por muitos anos. Ser missional não é uma nova maneira de falar sobre o crescimento da igreja. Embora Deus claramente deseje que a igreja cresça numericamente, esse é apenas um aspecto da agenda missional mais ampla. Por fim, ser missional vai além da justiça social. Envolver-se com os pobres e corrigir desigualdades é parte de ser agente de Deus no mundo, mas não deve ser confundido com o todo.
Hirsch também diz que uma compreensão adequada da vivência missional começa com a recuperação de uma compreensão missionária de Deus. Pela Sua própria natureza, Deus é um “Deus que envia”, que toma a iniciativa de redimir Sua criação. Essa doutrina, conhecida como missio Dei, tem levado muitos a redefinir sua compreensão da igreja. Como a igreja é composta pelo povo “enviado” de Deus, ela é o instrumento da missão de Deus no mundo. Entretanto, a maioria das pessoas acredita que as missões são um instrumento da igreja, um meio pelo qual a igreja cresce. Embora os cristãos frequentemente afirmem, “A igreja tem uma missão”, de acordo com a teologia missional uma afirmação mais correta seria “a missão tem uma igreja”.
Embora muitas igrejas tenham declarações de missão ou falem sobre a importância de ter uma missão, as igrejas missionais se diferenciam pela sua atitude em relação ao mundo. Uma igreja missional vê a missão tanto como seu impulso originário quanto como seu princípio organizador. Ela se inspira no que Deus fez em Jesus Cristo; ou seja, ser missional significa ser enviado ao mundo, não esperar que as pessoas venham até nós. Essa ideia diferencia uma igreja missional de uma igreja “attractional”.
A igreja attractional busca alcançar a cultura e atrair pessoas para dentro da igreja. Contudo, essa prática só funciona quando nenhuma mudança cultural significativa é necessária na transição do exterior para o interior da igreja. E, à medida que a cultura ocidental se torna cada vez mais pós-cristã, a igreja attractional tem perdido sua eficácia. O Ocidente se assemelha cada vez mais a um contexto missionário transcultural, no qual as igrejas attractional se tornam autoderrotadas. O processo de extrair as pessoas da cultura e assimilá-las à igreja diminui sua capacidade de dialogar com as que estão fora. Como resultado, as pessoas deixam de ser missionais e acabam delegando esse trabalho apenas ao clero.
Ser missional representa uma mudança significativa na forma de pensar sobre a igreja. Significa que devemos engajar o mundo da mesma maneira que Jesus fez — saindo para o mundo, em vez de esperar que o mundo venha até nós. Quando uma igreja está em missão, ela é a igreja verdadeira.
De acordo com Dave DeVries, autor de “Missional Transformation: Fueling Missionary Movements that Transform America”, existem cinco distintivos bíblicos que formam a base de uma perspectiva missional:
- A Igreja é enviada por Jesus Cristo (João 17:18; 20:21; Lucas 9:2; Mateus 28:19-20; Atos 1:8).
- A Igreja é enviada com a Cruz (1 Coríntios 1:18; Efésios 2:16; Colossenses 2:14; 1 Pedro 2:24; 2 Coríntios 5:17–24).
- A Igreja é enviada em Comunhão (Atos 2:42–47; 5:42; João 13:34–35; 1 João 3:16–17).
- A Igreja é enviada para toda Cultura (João 1:14; Mateus 20:28; Atos 17:22–34; Lucas 5:29).
- A Igreja é enviada para o Rei e Seu Reino (Mateus 10:7; 25:34; Lucas 4:43; Apocalipse 11:15–17; Jeremias 10:7; João 18:36).
Portanto, a pergunta que se faz é: “Os cristãos devem ser missionais?” Fundamentalmente, a teologia missional não se contenta em ver as missões como um trabalho exclusivo da igreja. Ao contrário, ela se aplica a toda a vida de cada crente. Na verdade, todo discípulo de Cristo deve se esforçar para ser um agente, um representante do reino de Deus; e cada seguidor deve tentar levar a missão de Deus para todas as esferas de sua vida. Todos nós somos missionários enviados ao mundo.
Existem muitas maneiras de realizarmos essa missão, pois cada um de nós é abençoado com certos talentos e habilidades que podem ser utilizados para a glória de Deus. Jesus nos disse em Mateus 5:13-16 que somos o sal da terra, a luz do mundo… para deixar nossa luz brilhar diante dos homens.
Finalmente, à luz dessa ideia de ser “missional”, podemos resumir com as palavras do apóstolo Paulo: “Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus… e tudo o que fizerdes, seja em palavra ou em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando graças a Deus Pai por meio dele” (1 Coríntios 10:31; Colossenses 3:17).






