Pergunta
O sacerdócio de todos os crentes é bíblico?
Resposta
A Bíblia ensina que todos os crentes em Cristo são sacerdotes por direito próprio. A principal passagem que aborda o sacerdócio de todos os crentes está em 1 Pedro 2:5–9: “Também, como pedras vivas, vocês estão sendo edificados como uma casa espiritual, para serem sacerdócio santo, a fim de oferecer sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus, por intermédio de Jesus Cristo. […] Vocês são povo escolhido, realeza sacerdotal, nação santa, povo peculiar de Deus, para anunciar as virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”
No Antigo Testamento, os sacerdotes eram escolhidos por Deus, não se autoproclamavam, e tinham a missão de servir a Deus oferecendo sacrifícios. Esse sacerdócio era uma imagem do ministério vindouro de Jesus Cristo ― uma imagem que deixou de ser necessária quando Seu sacrifício na cruz foi consumado. Quando o véu do templo, que separava a entrada do Santo dos Santos, se rasgou no momento da morte de Cristo, ficou evidente que o sacerdócio do Antigo Testamento não faria mais parte do novo relacionamento direto com Deus. Hoje, por meio de Jesus Cristo, nosso Sumo Sacerdote, temos acesso direto a Deus, sem mediadores terrenos, como existia antigamente.
Christo, nosso Sumo Sacerdote, ofereceu um único sacrifício pelos pecados e não há mais sacrifícios que possam ser feitos. Assim como os sacerdotes ofereciam diversos sacrifícios no templo, em 1 Pedro 2:5 e 9 fica claro que Deus escolheu os cristãos para oferecer sacrifícios espirituais aceitáveis a Ele, por meio de Jesus.
Essa passagem nos revela duas importantes verdades sobre o sacerdócio dos crentes. Primeiramente, os crentes são privilegiados. Ser escolhido por Deus para servir como sacerdote era e continua sendo um grande privilégio. Todos os crentes são designados como “povo escolhido” e “a possesão especial de Deus”. No tabernáculo e no templo do Antigo Testamento, apenas os sacerdotes podiam entrar em lugares restritos, como o Santo dos Santos, onde o sumo sacerdote acessava uma vez por ano, no Dia da Expiação. Hoje, temos o privilégio de ter acesso direto ao trono de Deus, vivendo a misericórdia que antes nos era negada.
Em segundo lugar, somos escolhidos com um propósito: oferecer sacrifícios espirituais e declarar as louvores àquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Tanto por meio de nossas ações quanto de nossas palavras, devemos servir a Deus. Assim como o corpo do crente é o templo do Espírito Santo, fomos chamados a viver como sacrifícios vivos. Embora um dia sirvamos a Deus na eternidade, não o faremos em um templo físico, pois “o Senhor Deus Todo-Poderoso e o Cordeiro são o seu templo”. Assim, assim como o sacerdócio do Antigo Testamento deveria ser livre de contaminação, Cristo nos tornou santos diante do Pai, convidando-nos a viver de forma santa para que possamos ser reconhecidos como um “sacerdócio santo”.
Em resumo, os crentes são chamados a ser “um sacerdócio real” em virtude do seu status privilegiado como herdeiros do reino de Deus. Em Cristo, nosso Sumo Sacerdote, desfrutamos de uma intimidade com Deus que dispensa mediadores terrenos. Como sacerdotes no reino divino, compreendemos que a salvação vai muito além de uma simples garantia, representando uma oportunidade para servir a Deus oferecendo sacrifícios espirituais. O sacerdócio real é constituído por aqueles “ansiosos para praticar o bem”; como sacerdotes do Deus vivo, louvamos Aquele que se sacrificou por nós e proclamamos a maravilhosa notícia dessa graça.






