Os cristãos podem viver sua melhor vida agora?

Podem os Cristãos Viver Sua Melhor Vida Agora?

O livro Your Best Life Now, de Joel Osteen, fez com que muitas pessoas buscassem a “melhor vida agora”. Entre as afirmações apresentadas, está a de que “Deus quer aumentá-lo financeiramente” (página 5). O autodenominado Osteen explica que essa busca por acréscimo financeiro e material é, na verdade, agradável a Deus. Sem dúvida, ele é sincero em suas palavras e acredita que a riqueza e o sucesso realmente são o caminho para a felicidade. Mas é isso que a Bíblia diz? Deus deseja que todos os Seus filhos sejam ricos e nos instrui que essa é a forma de encontrar a felicidade? Mais importante ainda: sua melhor vida é agora ou ela se encontra no mundo vindouro?

Declarar que a vida nesta terra é a melhor que se pode ter é absolutamente verdadeiro — se você não for cristão. Quem não é cristão vive sua melhor vida aqui e agora, pois sua próxima existência é marcada pela ausência de esperança, de alegria, de significado, de satisfação e por um alívio inexistente diante de um sofrimento eterno. Os que rejeitam Jesus Cristo passarão a eternidade em “escuridão exterior, onde há pranto e ranger de dentes”, uma expressão empregada diversas vezes na Bíblia (veja, por exemplo, Mateus 8:12; 22:13; 24:51; 25:30; e Lucas 13:28) para descrever a existência miserável daqueles que nela são lançados no momento da morte. Assim, buscar aproveitar a vida enquanto podem faz todo o sentido para essas pessoas, pois sua realidade é realmente a “melhor vida” que podem ter, já que a vida que virá será verdadeiramente terrível.

Para o cristão, entretanto, a vida aqui, por mais boa que possa ser, não se compara à vida que nos aguarda no céu. As glórias celestiais — vida eterna, retidão, alegria, paz, perfeição, a presença de Deus, o companheirismo glorioso de Cristo, recompensas e tudo o que Deus planejou — constituem a herança celeste prometida aos que são de Cristo (1 Pedro 1:3-5), fazendo com que até mesmo a melhor vida na terra perca seu brilho. Mesmo a pessoa mais rica e bem-sucedida eventualmente envelhecerá, adoecerá e morrerá, e sua riqueza não poderá evitá-lo, tampouco a acompanhar em sua próxima existência. Dessa forma, por que se encorajar a viver a melhor vida agora? A resposta é encontrada em Mateus 6:19-21: “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois, onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.”

Esse versículo nos leva a uma dificuldade presente na filosofia da “melhor vida agora”. Nosso coração repousa onde está o nosso tesouro. O que valorizamos na vida permeia nossos sentimentos, nossa mente e nossa própria existência, refletindo-se inevitavelmente em nossa fala e ações. Se você já encontrou alguém cuja vida gira em torno da busca por riqueza e prazer, ficará imediatamente evidente, pois é sobre isso que a pessoa fala sem cessar. Seu coração está repleto das coisas deste mundo e, a partir dessa abundância, sua boca transborda (Lucas 6:45). Essa pessoa não tem tempo para as coisas do Senhor — Sua Palavra, Seu povo, Sua obra e a vida eterna que Ele oferece — porque está ocupada demais perseguindo a sua “melhor vida agora”.

Contudo, a Bíblia nos ensina que o “reino dos céus”, e não a riqueza mundana, é como um tesouro escondido num campo, tão valioso que devemos vender tudo o que possuímos para alcançá-lo (Mateus 13:44). Não há instrução nas Escrituras para que busquemos e acumulamos riquezas. Ao contrário, somos exortados a fazer exatamente o oposto. Jesus convidou o jovem rico a vender tudo o que possuía e segui-lo, para que ele tivesse um tesouro no céu, mas o jovem saiu entristecido, pois sua riqueza era o verdadeiro tesouro de seu coração (Marcos 10:17-23). Sem dúvida, o jovem experimentou sua “melhor vida” na terra, apenas para perder a esperança de uma vida real no futuro. Como ensina Marcos 8:36: “Pois, de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”

Mas Deus não deseja que vivamos com conforto e segurança financeira? Basta olharmos para o Senhor Jesus e para os apóstolos para perceber que a filosofia da “melhor vida agora” carece de verdade. Jesus não possuía riquezas, tampouco aqueles que O seguiam. Ele não tinha sequer um lugar para repousar a cabeça (Lucas 9:58). A vida do apóstolo Paulo certamente não se qualificaria como abençoada segundo os padrões de Osteen. Paulo relata: “Recebi cinco vezes do lado dos judeus quarenta açoites, menos um. Três vezes fui espancado com varas, uma vez apedrejado, três vezes sofri naufrágio, passei um dia e uma noite no fundo do mar, em viagens numerosas, em perigos com as águas, em perigos com ladrões, em perigos com meus compatriotas, em perigos com os gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em jornadas exaustivas, em fadiga e trabalho, em muitas vigílias, em fome e sede, em jejuns frequentes, em frio e nudez” (2 Coríntios 11:24-27). Isso parece a melhor vida possível? Com certeza não. Paulo aguardava a melhor vida no futuro, a sua esperançosa herança: “uma herança incorruptível, imaculada e que não se desvanece, reservada nos céus” para ele e todos os que estão em Cristo. Essa é a nossa melhor vida, e não essa “vaporosa existência que dura por um tempo e depois desaparece” (Tiago 4:14).

Como pode um mundo contaminado pelo pecado prover a sua melhor vida aqui e agora? Como ignorar passagens como “o homem nasce para enfrentar aflições, tal como as faíscas se elevam” (Jó 5:7); “todo o que deseja viver piedosamente em Cristo Jesus sofrerá perseguição” (2 Timóteo 3:12); e “considerem motivo de grande alegria o fato de enfrentarem várias provações” (Tiago 1:2), e dizer que a melhor vida é esta, neste exato momento? Como desconsiderar o sofrimento dos primeiros mártires cristãos, que foram enforcados, queimados, decapitados e até fervidos em óleo por sua fé e fidelidade a Cristo, suportando com alegria os tormentos por quem tanto amavam? Eles sofreram mortes terríveis, não porque alguém lhes dissera que poderiam experimentar a melhor vida buscando riqueza e uma imagem saudável de si mesmos, como afirma Joel Osteen. O Senhor nunca prometeu saúde, riqueza ou sucesso nesta vida. Não podemos esperar que as promessas que Ele fez para o céu se cumpram agora, nem a Igreja pode prometer a ilusão do impossível de uma “melhor vida agora”. Tal promessa encoraja as pessoas a decidirem, por si mesmas, o que constituirá a sua melhor vida e, então, rejeitarem Jesus quando Ele não entregar aquilo que foi prometido.

A filosofia da “melhor vida agora” nada mais é do que uma reembalagem da antiga mentira do “poder do pensamento positivo”, criada para agradar os ouvidos da geração atual. Se conhecemos Jesus Cristo como nosso Salvador, nossas melhores vidas nos aguardam no céu, onde passaremos a eternidade em alegria e bem-aventurança, desfrutando de uma existência que supera em muito tudo o que podemos ter agora.

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