Pode um cristão queimar incenso?

Pergunta

À primeira vista, pode parecer bastante inocente usar incenso. Além de um possível perigo de incêndio, será que queimar incenso realmente representa um problema para aquele que depositou sua confiança em Jesus Cristo?

Resposta

Primeiramente, um pouco de história. Evidências apontam o uso do incenso para fins religiosos no antigo Egito, China, Índia e Oriente Médio. Em templos budistas, os devotos se curvam diante de ídolos enquanto agitam feixes de varinhas de incenso em chamas. O incenso é utilizado inclusive para queimar os escalpos ou braços de monges e monjas budistas, deixando cicatrizes para toda a vida. No Hinduísmo, o uso do incenso é disseminado, sendo que a varinha de incenso é girada entre as palmas das mãos antes de ser colocada em um suporte em homenagem aos deuses.

O Judaísmo possui uma longa tradição de uso do incenso, que remonta ao período do tabernáculo no deserto. Deus deu instruções para a construção do altar do incenso, que ficava no Lugar Santo, diante do véu que separava o Santo dos Santos. Todos os dias, um sacerdote queimava incenso no altar do tabernáculo. As Escrituras descrevem em detalhes a composição deste incenso sagrado, que possuía uma fragrância balsâmica, e determinavam que ele deveria arder perpetuamente perante o Senhor. Incenso “estranho” – ou seja, aquele que não seguia a receita divina – era proibido para uso no culto.

Mais tarde, no templo, cerca de meio quilo de incenso era queimado diariamente. Para os judeus, o incenso simbolizava oração, conforme expresso por Davi: “Que minha oração suba perante Ti como o incenso” (Salmos 141:2).

Atualmente, os sacerdotes da Igreja Ortodoxa Oriental ainda utilizam o incenso. Ele também ocupa espaço na tradição católica romana e em algumas igrejas luteranas, tendo inclusive observado um ressurgimento entre alguns grupos do movimento da igreja emergente, que buscam retornar a um cristianismo “à moda antiga”.

Por outro lado, o incenso é empregado hoje entre neopagãos e wiccanos em rituais voltados para a liberação de poder e invocação de feitiços. Embora as práticas possam variar entre esses grupos, os cristãos devem manter distância dessas atividades. Adoramos o Criador do universo, e não a criação. Adorar ou queimar incenso para qualquer entidade ou objeto que não seja Deus equivale a negar o Senhor Jesus Cristo.

Desde a morte, sepultamento e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, o véu que separava o Lugar Santo do Santo dos Santos foi removido (Mateus 27:50-51). A Lei foi cumprida (Mateus 5:17) e não é mais necessário queimar incenso para nos aproximarmos de Deus, como ensina Hebreus 9:11-14.

O cristão tem a liberdade de optar por queimar ou não incenso, tratando-se de uma questão de convicção pessoal. Entretanto, é importante questionar: qual o verdadeiro propósito de queimar incenso? Deus conhece as nossas motivações (Provérbios 21:2). Se a intenção for aumentar o poder das nossas orações ou tentar ser mais agradável a Deus, estaríamos caindo na armadilha do legalismo ou do misticismo. As Escrituras não ordenam o uso do incenso. Hebreus 10:19-22 nos exorta a nos aproximarmos de Deus com confiança e plena certeza da fé.

Além disso, devemos considerar se nossas ações podem fazer com que um irmão mais fraco em Cristo tropece. Devido à forte associação entre o incenso e práticas religiosas pagãs, cristãos que vieram do paganismo podem sentir dificuldade em ver o uso do incenso de forma positiva. É necessário levar em conta aqueles de consciência mais fraca, que podem interpretar essa prática como uma aprovação de práticas idólatras (conforme Romanos 14 e 1 Coríntios 10:23-33). Somos “chamados à liberdade” e, por isso, devemos usar essa liberdade para servir uns aos outros em amor (Gálatas 5:13).

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