Em última análise, a resposta para essa pergunta é “pecado”. É a natureza pecaminosa do homem que nos leva a adorar ídolos modernos, que, na realidade, são formas de auto-adoração. A tentação de nos exaltarmos de diversas maneiras é realmente poderosa. De fato, é tão forte que somente aqueles que pertencem a Cristo e têm o Espírito Santo podem esperar resistir à tentação da idolatria moderna. Mesmo assim, resistir à adoração de ídolos é uma batalha contínua ao longo da vida cristã.
Ao ouvirmos a palavra ídolo, frequentemente pensamos em estátuas e objetos que lembram os adorados pelos pagãos das culturas antigas. No entanto, os ídolos do século XXI geralmente não se assemelham aos artefatos utilizados há milhares de anos. Hoje, muitos substituíram o “bezerro de ouro” por uma busca insaciável por dinheiro, prestígio ou “sucesso” aos olhos do mundo. Alguns almejam a alta estima dos outros como objetivo final. Outros procuram conforto ou se entregam a uma infinidade de buscas passionais, mas vazias. Infelizmente, a sociedade muitas vezes admira aqueles que servem tais ídolos. No fim, não importa qual prazer vazio perseguimos ou a qual falso deus nos curvamos; o resultado é o mesmo — a separação do único Deus verdadeiro.
Compreender os ídolos contemporâneos ajuda a entender por que eles são uma tentação tão poderosa. Um ídolo pode ser qualquer coisa que coloquemos à frente de Deus em nossas vidas, algo que ocupe o lugar d’Ele em nossos corações, como posses, carreiras, relacionamentos, hobbies, esportes, entretenimento, objetivos, ganância ou vícios como o abuso de álcool, drogas, jogos e pornografia. Algumas dessas vaidades são, claramente, pecaminosas; contudo, muitas outras podem ser boas, como relacionamentos e carreiras. A Escritura nos orienta, porém, a “fazer tudo para a glória de Deus” e a servir somente a Ele. Infelizmente, Deus muitas vezes é deixado de lado enquanto perseguimos com zelo nossos ídolos, e o tempo dedicado a essas práticas idólatras acaba por nos roubar a oportunidade de conviver com o Senhor.
Por vezes, também recorremos aos ídolos em busca de consolo diante das dificuldades da vida e das turbulências do mundo. Comportamentos viciantes, como o uso de drogas ou álcool – ou mesmo excessos como uma leitura ou televisão em demasia – podem ser usados para “escapar” temporariamente de situações difíceis ou do estresse do dia a dia. Contudo, confiar nesses meios pode nos tornar espiritualmente inertes. É necessário depositar nossa confiança no Senhor, que nos protege de todo mal e promete suprir todas as nossas necessidades quando n’Ele confiamos, e lembrar das palavras que nos orientam a não ficarmos ansiosos, mas a orar por tudo, para que a paz de Deus, que excede todo entendimento, guarde nossos corações e mentes.
Outra forma de idolatria, tão presente hoje, é fomentada por culturas que se afastam dos sólidos ensinamentos bíblicos. Em tempos pluralistas e liberais, muitas culturas redefiniram o conceito de Deus. Abandonamos o Deus revelado nas Escrituras e o remodelamos segundo nossas próprias inclinações e desejos – imaginando um Deus “mais bondoso e gentil”, menos exigente e menos julgador, que tolera inúmeros estilos de vida sem impor culpa. Embora muitos fiéis acreditem estar adorando o único Deus verdadeiro, esses deuses reformulados são criações humanas e adorar tais imagens é, na verdade, idolatria. Adorar um deus feito por nós mesmos é especialmente tentador para aqueles cujos hábitos e desejos não estão em conformidade com a Escritura.
As coisas deste mundo jamais satisfarão plenamente o coração humano, pois nunca foram feitas para isso. As vaidades e os prazeres enganosos conduzem apenas à morte. As coisas boas deste mundo são presentes de Deus, destinados a serem desfrutados com um coração grato, em submissão a Ele e para a Sua glória. Contudo, quando o presente passa a substituir o Doador ou o criado acaba por ocupar o lugar do Criador, caímos no erro da idolatria. Nenhum ídolo pode infundir em nossa vida significado, valor ou esperança eterna. Como o livro de Eclesiastes bem ilustra, sem um relacionamento adequado com Deus, a vida se torna vazia. Fomos criados à imagem de Deus e destinados a adorá-Lo e glorificá-Lo, pois só Ele é digno de nossa adoração. Deus colocou “a eternidade no coração do homem”, e somente um relacionamento com Jesus Cristo pode preencher o anseio por vida eterna. Todas as nossas buscas idólatras nos deixam vazios, insatisfeitos e, no fim, conduzidos pelo caminho que leva à destruição.






