Por que Deus ordenou a pena capital para o assassinato (Gênesis 9:6)?
Logo após Noé, sua família e os animais terem deixado a arca, Deus deu uma nova ordem: matar qualquer um que cometesse assassinato. Gênesis 9:6 declara: “Aquele que derramar sangue humano, pelo sangue humano será derramado, pois Deus fez o homem à sua imagem.” A penalidade mais severa foi estabelecida para o assassinato, e o próprio Deus apresenta os motivos para essa medida.
Deus especificou que o assassinato deveria ser punido com a morte por causa da natureza do ser humano. O homem foi criado à imagem de Deus (Gênesis 1:27), e, ao destruir um portador dessa imagem, o crime de assassinato se transforma em uma afronta direta ao próprio Deus. Os seres humanos são únicos entre as criações divinas – nenhum dos animais foi feito à semelhança de Deus – e, por isso, o assassinato é um crime singular.
Outra razão, de caráter secundário e prático, está presente no contexto imediato desta ordem. Deus também havia ordenado a Noé e a seus três filhos: “Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra” (Gênesis 9:1). Naturalmente, o assassinato contrariava o plano divino de tornar a humanidade grande e abundante. Assim, a pena capital para o assassinato funcionava como um forte inibidor para aqueles que pudessem atrapalhar o propósito de repovoar a terra, especialmente considerando que, naquele momento, apenas oito pessoas viviam na terra.
Antes do Dilúvio, Caim havia assassinado Abel e, embora tenha sido julgado por Deus, não recebeu a pena capital (Gênesis 4). Lameque, um descendente de Caim, também cometeu assassinato (Gênesis 4:23-24). Quando o período do julgamento divino chegou (Gênesis 6), parecia que o crime já se espalhara, incluindo o assassinato. Após o Dilúvio, um novo padrão foi estabelecido na terra recriada: Deus não mais toleraria o assassinato. Posteriormente, o crime foi condenado nos Dez Mandamentos (Êxodo 20), e a pena para o assassinato premeditado era a morte (Números 35:30-34).
No Novo Testamento, Jesus ampliou a aplicação do mandamento do Antigo Testamento contra o assassinato. Ele ensinou: “Vocês ouviram que foi dito: Não matarás; mas eu digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e qualquer que insultar seu irmão estará sujeito ao conselho; e aquele que disser ‘ladrão’ estará sujeito ao fogo do inferno” (Mateus 5:21-22). Assim, não só o ato de matar é condenável, mas também a atitude que o precede, já que Deus conhece o coração e as intenções (1 Samuel 16:7).
O assassinato é consistentemente listado como um pecado ao longo do Novo Testamento (por exemplo, Apocalipse 22:15). Mesmo mantendo-se a imagem de Deus no ser humano, a visão divina sobre o assassinato permanece inalterada.






