Por que Israel foi dividido em Reino do Sul e Reino do Norte?
Ao longo de sua história na Terra Prometida, os filhos de Israel enfrentaram conflitos entre as tribos. A desunião remonta ao patriarca Jacó, que presidia uma casa dividida. Os filhos de Lia e os filhos de Raquel já demonstravam atritos durante a própria vida de Jacó.
A inimizade entre os meio-irmãos persistiu na época dos juízes. A tribo de Benjamim se voltou contra as demais tribos. O primeiro rei de Israel, Saul, pertencia à tribo de Benjamim. Quando Davi foi coroado rei — ele pertencia à tribo de Judá, uma das tribos de Lia — os benjamitas se rebelaram. Após uma longa guerra, Davi conseguiu unir todas as doze tribos.
No entanto, a fragilidade dessa união se revelou quando Absalom, filho de Davi, se proclamou o novo rei, atraindo muitos israelitas que antes eram leais a Davi. Vale destacar que Absalom instalou seu trono em Hebrom, antiga capital. Posteriormente, um homem chamado Seba liderou outra revolta contra Davi e a tribo de Judá.
O reinado de Salomão, filho de Davi, foi marcado por mais turbulências, quando um de seus servos, Jeroboão, se rebelou. Durante uma missão para o rei, Jeroboão encontrou o profeta Ahié, que lhe anunciou que Deus lhe concederia autoridade sobre dez das doze tribos de Israel. Segundo Deus, o motivo para a divisão do reino era claro: “Porque me abandonaram… e não seguiram os meus caminhos.” Contudo, Deus prometeu que a dinastia de Davi continuaria, ainda que sobre um reino muito menor, em razão da aliança estabelecida com Davi e pela importância de Jerusalém, cidade escolhida por Deus. Ao tomar conhecimento da profecia, Salomão tentou matar Jeroboão, que fugiu para o Egito em busca de refúgio.
Após a morte de Salomão, seu filho Roboão deveria se tornar o novo rei. Jeroboão retornou do Egito e liderou um grupo que confrontou Roboão, exigindo uma redução nos impostos. Quando Roboão recusou o pedido, dez das tribos rejeitaram tanto a dinastia de Davi quanto o próprio Roboão, cumprindo a profecia de Ahié. Apenas Judá e Benjamim permaneceram leais ao rei Roboão. Assim, as tribos do norte estabeleceram Jeroboão como seu rei. Roboão planejou atacar as tribos rebeldes, mas o Senhor impediu essa investida. Paralelamente, Jeroboão reforçou seu poder instituindo uma forma de culto ao bezerro, própria de seu reino, e declarou desnecessárias as peregrinações a Jerusalém, evitando, assim, qualquer contato entre as tribos do norte e as de Judá e Benjamim.
“E assim Israel permanece em rebelião contra a casa de Davi até o dia de hoje.”
Na Escritura, o reino do norte é chamado de “Israel” (às vezes também referido como “Efraim”), enquanto o reino do sul é denominado “Judá”. Do ponto de vista divino, a divisão foi uma repreensão pelo descumprimento dos mandamentos de Deus, especialmente aqueles que proibiam a idolatria. Já de uma perspectiva humana, o que motivou a separação foi a discórdia tribal e a instabilidade política. O princípio é claro: o pecado gera divisão.
A boa nova é que Deus, em Sua misericórdia, prometeu reunir os reinos do norte e do sul. Segundo a profecia, “Ele levantará uma bandeira para as nações, reunirá os exilados de Israel e congregará o povo disperso de Judá dos quatro cantos da terra. Os sentimentos de inveja em Efraim desaparecerão, e os inimigos de Judá serão destruídos; Efraim não terá mais inveja de Judá, nem Judá abrigará hostilidade contra Efraim.” Quando o Príncipe da Paz — Jesus Cristo — reinar em Seu reino milenar, toda hostilidade, inveja e conflito entre as tribos serão definitivamente superados.





