Por que “Não cobiçarás” está nos Dez Mandamentos?

Por que “Não cobiçarás” nos Dez Mandamentos?

Pergunta

A chave para compreender este mandamento está na definição da palavra “cobiçar”. São utilizadas duas palavras hebraicas diferentes nos trechos que condenam a cobiça, e ambas significam “desejar intensamente” ou “anseiar com grande desejo”. Como os mandamentos são formulados em “não deverás”, o que se condena é o desejo por algo que não pertence ao desejante e que não é seu por direito. Assim, os israelitas eram instruídos a não almejar as posses do próximo — seja sua casa, suas terras, seus bois ou jumentos, ou ainda as pessoas que lhe eram queridas, como sua esposa ou seus servos, sejam homens ou mulheres. Em outras palavras, não se devia desejar ou fixar o coração em algo que pertencia a outrem.

Resposta

Diferentemente de outros mandamentos que proíbem ações específicas, como o homicídio ou o roubo, este trata do interior da pessoa — seu coração e mente. Como a origem do pecado está na esfera interna, a cobiça se configura como a precursora de diversas transgressões, incluindo furtos e outras injustiças. Em sua essência, cobiça é fruto da inveja, um pecado que, se enraizado no coração, pode levar a delitos ainda maiores. Jesus enfatizou essa ideia ao ensinar que o desejo no íntimo é tão grave quanto o adultério.

A inveja vai além de um mero olhar de desejo ao objeto do outro; quando alimentada, pode transformar-se em ressentimento e até em ódio, culminando em uma atitude de descontentamento que se volta até contra Deus, com questionamentos como: “Por que não posso ter o que ele tem? Não me ama o suficiente para me dar o que quero?”

Os motivos para que Deus condene a cobiça são sólidos. No âmago desse comportamento, a inveja revela um exagerado amor-próprio. Pessoas dominadas por esse sentimento tendem ao descontentamento, e uma sociedade composta por indivíduos assim se mostra mais frágil, pois a inveja pode fomentar crimes e desunião. Além disso, o Novo Testamento aponta a cobiça como uma forma de idolatria, um pecado que repudia a Deus.

No final, a inveja e a cobiça são artifícios que nos desviam da busca pela única coisa que verdadeiramente pode nos proporcionar felicidade e contentamento: o próprio Deus. A mensagem divina nos ensina que a verdadeira satisfação não advém das posses materiais, mas do relacionamento pessoal com Ele por meio de Jesus Cristo — a fonte das riquezas inesgotáveis da graça de Deus.

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