Por que os cristãos são pró-vida em relação ao aborto e, ao mesmo tempo, apoiam a pena de morte e a guerra?
A principal dificuldade dessa questão é que ela tenta criar uma equivalência moral entre o aborto, a pena de morte e a guerra. Não há absolutamente nenhuma semelhança entre tirar a vida de um bebê inocente no útero e executar um assassino condenado. Um bebê no útero não cometeu nenhum crime. A pena de morte deve ser aplicada apenas para os crimes mais hediondos, conforme ordenado por Deus, que também concede aos governos a autoridade para implementá-la. É totalmente coerente acreditar que a vida de um bebê inocente deve ser protegida enquanto se defende que aqueles que cometem crimes abomináveis devem ser punidos com a morte.
Em relação à guerra, a ideia de que os cristãos são “pró-guerra” não é precisa. Nenhum cristão deveria defender a guerra indiscriminadamente. Entretanto, existem situações em que a guerra é a melhor opção, como ilustrado por inúmeras batalhas e conflitos registrados nas Escrituras. Os cristãos devem apoiar somente guerras que sejam verdadeiramente justas. Embora seja passível de debate se uma guerra em específico é justa, para o cristão que se fundamenta na Bíblia, a posição de que a guerra nunca é o recurso adequado não é sustentável.
Os cristãos devem manter uma postura consistente de ser pró-vida. No entanto, ser pró-vida não significa ser contra a morte sob todas as circunstâncias. Se uma pessoa comete homicídio, a punição justa é a pena de morte para o assassino, o que reafirma o valor da vida. Assim, quem tira a vida de forma premeditada deve ser executado, demonstrando um claro compromisso com a preservação da vida. De forma similar à guerra, embora ela nunca seja uma opção agradável, em situações de “guerra justa” ela pode, na realidade, preservar mais vidas do que as que ceifa. Às vezes, a forma mais eficaz de proteger o valor da vida é eliminar aqueles que procuram destruí-la.
Em resumo, é perfeitamente consistente que os cristãos sejam pró-vida no que diz respeito ao aborto e, ao mesmo tempo, apoiem a pena de morte e guerras verdadeiramente justas.






