Quais são os pontos fortes e fracos da visão pré-tribulacional do arrebatamento (pré-tribulacionismo)?
Na escatologia, é importante lembrar que quase todos os cristãos concordam com três pontos fundamentais: 1) chegará um tempo de grande tribulação como o mundo jamais presenciou; 2) após a Tribulação, Cristo retornará para estabelecer o Seu reino na terra; e 3) haverá um Arrebatamento – uma passagem da mortalidade para a imortalidade – para os crentes. A questão central é: quando o Arrebatamento ocorre em relação à Tribulação e à Segunda Vinda de Cristo?
Ao longo dos anos, surgiram três teorias principais sobre o momento do Arrebatamento: o pré-tribulacionismo (a crença de que o Arrebatamento ocorrerá antes do início da Tribulação), o midtribulacionismo (a crença de que o Arrebatamento aconteceria na metade da Tribulação) e o pós-tribulacionismo (a crença de que o Arrebatamento ocorrerá ao final da Tribulação). Este artigo trata especificamente da visão pré-tribulacional.
O pré-tribulacionismo ensina que o Arrebatamento ocorre antes do início da Tribulação. Nesse momento, a igreja se encontrará com Cristo nos ares e, posteriormente, o Anticristo será revelado e a Tribulação terá início. Em outras palavras, o Arrebatamento e a Segunda Vinda de Cristo (para instituir o Seu reino) estão separados por pelo menos sete anos. Segundo essa perspectiva, a igreja não vivenciará nenhum dos eventos da Tribulação.
Do ponto de vista das Escrituras, a visão pré-tribulacional tem vários argumentos favoráveis. Por exemplo, a igreja não foi designada para a ira divina, e os crentes não serão surpreendidos pelo Dia do Senhor. A promessa feita à igreja de Filadélfia, de ser preservada “da hora da prova que virá sobre o mundo”, ilustra que o compromisso não é de proteção durante o período de prova, mas de resgate do período em si.
Além disso, o pré-tribulacionismo encontra apoio justamente na ausência de determinadas referências nos textos bíblicos. A palavra “igreja” aparece com frequência apenas no início do livro de Apocalipse, e depois desaparece durante a extensa descrição da Tribulação. De fato, a Bíblia não utiliza o termo “igreja” em nenhum trecho relacionado à Tribulação.
Outra virtude desta visão é a clara distinção que ela faz entre Israel e a igreja, bem como os planos separados de Deus para cada um. As setenta “sevens” profetizadas em passagens do livro de Daniel se destinam ao povo judeu e à cidade de Jerusalém, indicando que a semana final (a Tribulação) é um período de purificação e restauração para Israel, e não para a igreja.
O pré-tribulacionismo também conta com um respaldo histórico. Trechos do Evangelho sugerem que a igreja primitiva via o retorno de Cristo como iminente, podendo ocorrer a qualquer momento. Essa expectativa de uma volta imediata, que se alinha menos com as demais teorias do Arrebatamento, torna a iminência um dos pilares dessa visão.
Por fim, essa perspectiva parece estar mais de acordo com o caráter de Deus e Seu desejo de resgatar os justos do juízo deste mundo. Exemplos bíblicos de salvação divina – como a de Noé, que foi poupado do dilúvio, a de Ló, salvo de Sodoma, e a de Raabe, libertada da queda de Jericó – reforçam essa idéia.
Uma crítica apontada ao pré-tribulacionismo é seu desenvolvimento relativamente recente como doutrina e o fato de não ter sido formulada em detalhes até o início do século XIX. Outra dificuldade é a divisão do retorno de Jesus Cristo em duas “fases” – o Arrebatamento e a Segunda Vinda – enquanto a Bíblia não apresenta essa distinção de forma clara.
Adicionalmente, há a questão de que, durante a Tribulação, certamente haverá santos que enfrentarão esse período. Os defensores da visão pré-tribulacional respondem diferenciando os santos do Antigo Testamento e os que surgirão durante a Tribulação da igreja do Novo Testamento, afirmando que os crentes que estiverem vivos no momento do Arrebatamento serão retirados antes do início da Tribulação, ainda que outros venham a se converter durante esse período.
Alguns apontam como dificuldade a declaração de Jesus de que “a vontade do Pai é que todo aquele que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna, e que eu o ressuscitarei no último dia”. Essa promessa de ressurreição “no último dia” parece conflitante com o modelo pré-tribulacional, em que os crentes seriam ressuscitados no momento do Arrebatamento, bem antes da Segunda Vinda de Cristo. A resposta para essa aparente contradição passa por uma interpretação ampla do termo “dia” – entendendo que os tempos do fim, designados por “o último dia”, abrangem todo o período que vai do Arrebatamento à Segunda Vinda – e que o Arrebatamento marca o fim da era da igreja, configurando assim “o último dia” dessa dispensa.
Por último, uma limitação comum a todas as teorias sobre o fim dos tempos é o fato de a Bíblia não fornecer uma linha do tempo explícita sobre os acontecimentos futuros. As Escrituras não apontam diretamente uma visão em detrimento de outra, razão pela qual existem diferentes opiniões acerca dos eventos finais.






