Qual é a causa da recente praga de incidentes de abuso infantil?

Qual é a causa da recente praga de incidentes de abuso infantil?

Embora a Bíblia não apresente uma classificação detalhada dos graus de maldade de diversos pecados, o abuso infantil está, sem dúvida, entre os piores. Pouco existe mais cruel, perverso e repugnante do que a prática do abuso sexual contra crianças. Jesus sempre demonstrou compaixão pelos pequenos e indignação contra quem lhes faz mal (Mateus 19:14; Lucas 17:1-2). Embora nenhum pecado seja imperdoável, o mal advindo do abuso infantil só pode emanar de um coração e uma mente deturpados e corrompidos.

A questão que se coloca é: qual a causa da recente onda de casos de abuso infantil? Infelizmente, os incidentes parecem estar se tornando cada vez mais comuns. Diante dos escândalos envolvendo padres católicos, líderes protestantes, sociedades de adultos que se envolvem em relações com meninos e casos envolvendo pais, professores, pastores, treinadores, entre outros, a palavra “praga” é uma descrição adequada. Embora não se possa apontar uma explicação definitiva ou uma causa universal para essa praga, certamente existem princípios bíblicos que se aplicam à situação.

Primeiramente, a sociedade moderna tem se mostrado cada vez mais receptiva a comportamentos que a Bíblia declara como pecaminosos, imorais e antinaturais. Embora haja uma diferença enorme entre o abuso infantil e atos sexuais entre adultos consentindo mutuamente, o fato de a sociedade aceitar comportamentos como a homossexualidade permite que se considerem perversões muito mais graves daquele que Deus designou como a expressão normal do sexo. Isso levanta outra questão: por que a sociedade tem se tornado tão tolerante com comportamentos aberrantes?

O abuso infantil e outras perversões ganham espaço porque a sociedade, em sua maioria, rejeitou a visão cristã de mundo. A sabedoria convencional defende que a humanidade não foi criada à imagem de Deus, mas é fruto de bilhões de anos de processos aleatórios da evolução. Dessa perspectiva, Deus deixa de ser o padrão objetivo de moralidade e passa a ser considerado uma invenção de pessoas fracas, incapazes de aceitar que tudo neste mundo não possui um sentido intrínseco.

Em alguns casos, ainda há a possibilidade de possessão demoníaca como explicação. Talvez um pecado tão perverso e distorcido só possa emanar das mentes das criaturas mais malignas, Satanás e sua horda de demônios. Satanás conhece o dano que o abuso causa a uma criança – e se ele consegue destruir a vida de alguém na infância, seu trabalho se torna mais fácil no futuro. Satanás deseja “devorar” (1 Pedro 5:8) e “roubar, matar e destruir” (João 10:10). E que maneira melhor de agir do que atacar os indivíduos mais vulneráveis e impressionáveis?

A rejeição da visão cristã de mundo e a aceitação de uma perspectiva secular e naturalista nos deixam sem um padrão absoluto para declarar o abuso infantil como algo verdadeiramente maligno. Durante gerações, fomos levados a acreditar que os seres humanos são meros animais, não sendo surpresa que, sem um padrão moral absoluto, as “fronteiras” se tornem meras construções imaginárias. No final das contas, o abuso infantil é resultado da negação de Deus e da liberdade irrestrita para que as pessoas vivam conforme seus próprios desejos.

A Bíblia fala de indivíduos sem Deus que “suprimem a verdade”, afirmando que, mesmo conhecendo a Deus, “não o glorificaram como Deus nem lhe deram graças, mas se envaideceram no pensamento, e o coração deles se tornou insensato. . . . Por isso, Deus os entregou aos desejos impuros de seus corações, para a degradação dos seus corpos, de modo que desonrassem uns aos outros. Trocaram a verdade de Deus por mentiras, e, como resultado, Deus os entregou a paixões vergonhosas. . . . Estaram repletos de toda sorte de iniquidade, maldade, cobiça e depravação. Estão cheios de inveja, homicídios, contendas, enganos e abusos de poder. São maledicentes, caluniadores, aborrecedores de Deus, altivos, arrogantes e presunçosos; inventam novos meios de praticar o mal. . . . Não têm compreensão, fidelidade, amor, nem misericórdia. Embora conheçam o decreto de Deus, de que os que cometem tais coisas merecem a morte, não só continuam a praticá-las, como também aprovam aqueles que as executam” (Romanos 1:18-32).

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