O que é a diferença entre Microevolução e Macroevolução?
Questão
Resposta
A microevolução é um fenômeno biológico natural, bem documentado e amplamente aceito. Ela ocorre todos os dias, representando o processo pelo qual informações genéticas pré-existentes são reorganizadas, alteradas ou até mesmo perdidas através da reprodução sexual e/ou mutações genéticas, produzindo mudanças em pequena escala dentro de uma população. Por exemplo, dois cães de pelos longos que geram um filhote de pelos curtos ilustram um caso de microevolução (veremos o porquê a seguir).
Microevolução
Suponhamos que o genoma canino possua tanto o gene para pelos longos (H) quanto o gene para pelos curtos (h). Imagine que os primeiros cães possuíam ambos os genes (Hh). Caso dois cães Hh se reproduzissem, metade do material genético de um se combinaria com metade do outro através da reprodução sexual, resultando em quatro possíveis genótipos para os filhotes: HH, Hh, hH e hh.
Assumindo que o gene H (pelos longos) seja dominante e o gene h (pelos curtos) seja recessivo, isso significa que quando um cão possui ambos os genes, somente o gene dominante se manifesta, ou seja, o cão terá pelos longos. Assim, se dois cães Hh se reproduzirem, as chances são de obter três filhotes com pelos longos (HH, Hh e hH) e um filhote com pelos curtos (hh). O fato de dois cães de pelos longos gerarem um filhote de pelos curtos ilustra uma mudança dentro de uma população resultante da reorganização das informações genéticas já existentes – um exemplo de microevolução.
Se um cão Hh de pelos longos se cruzar com um cão hh de pelos curtos, as chances são de se obter dois filhotes de pelos longos (Hh e hH) e dois filhotes de pelos curtos (hh). Se dois cães hh de pelos curtos se reproduzirem, eles gerarão apenas filhotes hh. Quando filhotes hh se isolam dos cães que possuem o gene H (HH, Hh e hH), eles perdem o acesso ao gene para pelos longos, formando assim um “pool genético isolado”. No caso dos cães, pools genéticos isolados são conhecidos como “raças puras”. Por outro lado, os cães Hh, que possuem ambos os genes, são chamados de “vira-latas”. Os criadores de cães vêm explorando esse fenômeno biológico há milhares de anos, selecionando pares com base em características fenotípicas para acentuar ou reduzir traços gradualmente e, assim, introduzir novas raças.
Mutações Genéticas
Imagine agora que, dentro de uma população de cães Hh de pelos longos, uma mutação genética impeça a expressão do gene para pelos longos. Se essa mutação se repetir ao longo do tempo, a população antes caracterizada pelos pelos longos se transformará em uma população de cães de pelos curtos, não pela reorganização dos genes através da reprodução sexual, mas por conta da mutação genética.
Outro exemplo importante de microevolução decorrente de mutação genética ocorre quando uma população de insetos se torna resistente a um pesticida determinado ou quando bactérias desenvolvem resistência a antibióticos. Nessas situações, a mutação faz com que os insetos ou bactérias percam a capacidade de produzir a enzima que interage com a substância tóxica, fazendo com que o pesticida ou antibiótico não exerça seu efeito. Entretanto, os insetos ou bactérias não ganham nenhuma nova informação genética; eles simplesmente a perdem. Por isso, trata-se de microevolução e não de macroevolução, como muitas vezes é interpretado erroneamente. Conforme explica o biofísico Dr. Lee Spetner, “todas as mutações examinadas em nível molecular mostram que o organismo perdeu informação e não ganhou.”
Macroevolução
A macroevolução é uma extrapolação teórica, porém controversa, da microevolução, que exige a introdução de novas informações genéticas. Acredita-se que ela produza mudanças em grande escala. Por exemplo, a transformação de um anfíbio em réptil ou de um réptil em ave seriam casos de macroevolução.
Esse conceito é fundamental para os defensores das ideias evolucionistas, que acreditam que todos os seres vivos descendem de um ancestral primordial comum. Segundo essa visão, os primeiros répteis teriam evoluído de anfíbios, os primeiros anfíbios de peixes, e os primeiros peixes de formas de vida mais simples, até voltarmos à primeira célula, que, por hipótese, evoluiu a partir de matéria inorgânica. Um mnemônico utilizado para lembrar essa sequência é: Peixe > Anfíbio > Réptil > Mamífero.
No entanto, para que os seres humanos tenham evoluído de uma simples célula primitiva, seria necessário que uma grande quantidade de informações genéticas fosse adicionada ao longo do tempo. A mudança resultante da introdução de novas informações genéticas caracteriza a macroevolução.
A controvérsia em torno da macroevolução e seu caráter teórico reside no fato de não haver um mecanismo conhecido que adicione informações completamente novas a um genoma. Muitos evolucionistas esperavam que mutações genéticas pudessem fornecer esse mecanismo, mas, até o momento, não foi encontrada uma única mutação que efetivamente acrescente novas informações. Na realidade, cada mutação benéfica observada acaba por reduzir a quantidade de informação existente.
Criação vs. Evolução
Quando os criacionistas afirmam não acreditar na evolução, eles não se referem à microevolução, que é um fenômeno cientificamente observado. O ponto de discórdia está na macroevolução – a extrapolação evolucionária de Darwin a partir da microevolução. Diferentemente da microevolução, não há evidências científicas concretas para a macroevolução; ao contrário, existem evidências significativas que apontam para o contrário. Assim, a distinção entre microevolução e macroevolução é essencial para o debate entre criação e evolução.






